2/13/2020


Seminário GASNAM
O gás natural terá sempre um papel importante na mobilidade

O gás natural esteve em debate num encontro promovido pela GASNAM. No evento, o secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, destacou que o Governo vai apostar no gás renovável.



O seminário da GASNAM, associação ibérica que tem como principal objetivo fomentar o uso do gás natural e renovável na mobilidade terrestre e marítima a nível ibérico, teve precisamente esse propósito, como explicou Francisco López Martín, presidente da GASNAM: «o objetivo é dar a conhecer a associação e também as vantagens do uso do gás natural».

Ao longo do dia debateram-se vários temas relacionados com o gás natural, salientando-se a sua importância para a redução das emissões de dióxido de carbono, conseguindo assim alcançar as metas de descarbonização estabelecidas no Acordo de Paris. Francisco López Martín referiu que, «em 2020, entram em vigor um conjunto de diretrizes da União Europeia que vão incentivar a qualidade do ar das cidades e, nesse sentido, a aposta no gás natural na mobilidade é clara. E é a tecnologia atualmente com maior fiabilidade para qualquer serviço».

O presidente da GASNAM disse que «para o futuro, muito se fala da eletrificação, mas o gás natural terá sempre o seu papel». O mesmo responsável sublinhou ainda que «a partir do uso do gás natural abre-se uma possibilidade muito interessante de poder utilizar o gás renovável como combustível alternativo ao uso complementar do gás natural, contribuindo-se assim para reciclagem de líquidos também eles poluentes como o óleo alimentar». Francisco López Martín alertou também que o sucesso de qualquer meio alternativo tem de estar intimamente associado ao desenvolvimento das infraestruturas.

No mesmo evento, o secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, afirmou que no Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), que será entregue em Bruxelas brevemente, haverá um reforço da aposta no gás natural renovável. «A aposta na eletrificação mantém-se, mas vamos dar uma atenção redobrada ao gás renovável, nomeadamente biometano e hidrogénio a partir de resíduos e biomassa, mas também com forte aposta do aproveitamento dos baixos custos de produção de energia renovável que já demonstrámos conseguir ter», revelou o responsável à Transportes em Revista.

O PNEC terá assim três grandes eixos: um que é transversal e respeita à eficiência energética, outro que será o eixo da descarbonização do setor elétrico com a eletrificação de alguns consumos e, por fim, a aposta na descarbonização do setor do gás.

O secretário de Estado da Energia adiantou que já estão a trabalhar nesta temática para que se possa «regular tecnicamente a injeção de gases renováveis na rede de gás natural. Vamos antecipar a transposição da diretiva da RED II [Diretiva das Energias Renováveis] que diz respeito às garantias de origem de gases renováveis e vamos definir metas vinculativas para os diferentes setores da economia, nomeadamente no transporte de mercadorias e industrial que são dois setores que o Plano Nacional de Energia e Clima já pretendia descarbonizar, mas muito centrado na eletrificação. Temos hoje consciência de que por muito importante que seja a eletrificação, tem de ser complementada com descarbonização do gás natural e aposta no hidrogénio e no biometano».



De recordar que a RED II estabelece uma meta de 32% de energia proveniente de fontes renováveis na União Europeia em 2030 e prevê que os Estados-membros transponham para os respetivos quadros jurídicos algumas das medidas da diretiva até 30 de junho de 2021. Estas metas de descarbonização, «muito dificilmente as conseguiremos atingir» sem uma aposta também no gás renovável. «Consideramos que há uma grande complementaridade entre o setor elétrico e na descarbonização do setor do gás. Achamos que há vantagens mútuas e, por isso, queremos apostar e promover essa realidade», disse João Galamba.

«O caminho para uma economia neutra em carbono exige uma ação conjunta em diversas áreas estratégicas como por exemplo, a prioridade à eficiência energética, o reforço da diversificação de fontes de energia exclusivamente renováveis, o aumento da eletrificação do consumo, a promoção de gases renováveis e a descarbonização da rede de gás natural, o reforço e modernização das infraestruturas, a reconfiguração e digitalização do mercado, o incentivo à investigação e inovação, entre outros», explanou o governante.

João Galamba referiu ainda que o porto de Sines pode ter aqui um papel importante. «Estamos a avaliar a possibilidade de criação de uma unidade para a produção em larga escala de hidrogénio verde. A localização ideal é Sines porque já tem infraestrutura de armazenamento e transporte, quer terrestre quer marítimo».

Por fim, o secretário de Estado da Energia relembrou que «esta é também uma oportunidade para mostrar ao país que a descarbonização pode ser uma oportunidade e não apenas uma ameaça industrial. Nada melhor do que reposicionar e valorizar Sines com projetos desta natureza e mostrar que, além do papel que desempenha e continuará a desempenhar durante muito tempo no centro logístico ligado à energia de natureza fóssil, pode também alargar as suas competências, e por essa via, aumentar significativamente a competitividade e o valor do porto de Sines na área dos gases renováveis». A expetativa é que no primeiro semestre de 2020 já haja capacidade de injetar gases renováveis na rede.

No seminário esteve também presente Nuno Moreira, da Dourogás, que salientou que «o gás natural é uma solução para a poluição nas grandes cidades. Assistimos a um progresso significativo das frotas».

Por fim, Pedro Amaral Frazão, administrador do Grupo Sousa com os pelouros da Energia, Sustentabilidade e Comunicação, sublinhou que para cumprir as reduções de emissões impostas já a partir de janeiro, que passam para 0,5%, vão utilizar combustível com baixo teor de enxofre. «É aquele que nos garante mais fiabilidade e disponibilidade nos mercados onde operamos». O mesmo responsável lembrou ainda que «todos os armadores vão estar confrontados com a mesma solicitação» e que «vão ter mais custos operacionais. Temos de avaliar quais vão ser a tendências do mercado. Isto vai permitir também às empresas posicionarem-se um pouco melhor no mercado em função desta evolução que vai ocorrer».

Sobre o gás natural, Pedro Amaral Frazão referiu também que é preciso ter muita atenção às infraestruturas e que Espanha já está a dar passos consistentes nesta conversão.

por Sara Pelicano
 

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