sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

 
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Passageiros & Mobilidade
06-04-2020
Zona de Emissões Reduzidas
Lisboa caminha para a sustentabilidade ambiental
Lisboa, Capital Verde 2020, apresentou o ZER ABC (Zona de Emissões Reduzidas Avenida Baixa Chiado). Um projeto que será implementado de forma faseada e que irá mudar a vida da baixa da cidade. O objetivo: melhorar a qualidade do ar.



O mundo está “a meio gás” neste momento. Um microscópico agente infecioso obrigou-nos a abrandar o ritmo frenético com que todos vivemos. As consequências estão ainda por descobrir e poderão ser negativas e positivas. Há já uma informação que começa a evidenciar-se: o ambiente está “a respirar melhor”. Os relatórios ambientais das cidades revelam uma forte diminuição da emissão de gases poluentes. A redução das deslocações automóveis, e de outros transportes, contribuiu para essa melhoria da qualidade do ar.

As autoridades há muito que sabem que o caminho é reduzir o tráfego automóvel, sobretudo de veículos de combustão interna, nas cidades, favorecendo os transportes públicos, as caminhadas, a bicicleta e trotinetas.

A cidade de Lisboa – Capital Verde 2020 – está consenciente destas mudanças e tem um projeto de profunda reformulação da baixa da capital, tornando esta área uma Zona de Emissões Reduzidas (ZER).

A intervenção vai incidir essencialmente na baixa lisboeta, numa área total perto de 70 hectares, porque aqui se identificaram um conjunto de problemas tais como a reduzida largura dos passeios face ao elevado volume de tráfego pedonal existente; inexistência de pavimento confortável e “antiderrapante” em particular nas zonas com maior inclinação, inexistência de espaços reservados à circulação de bicicletas e trotinetas, integrados na rede ciclável da cidade e, entre outros, presença pouco expressiva de vegetação (árvores, arbustos e herbáceas).



Perante este cenário, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) definiu três níveis de atuação: no acesso ao centro histórico (Avenida da Liberdade e Avenina Almirante Reis), a Baixa-Chiado e área envolvente. As intervenções serão feitas com o objetivo de melhorar os problemas identificados e que levarão a espaços mais convidativos a deslocações pedonais, de bicicleta e trotineta e ainda de transportes públicos. Alargamento de passeios, mais rede ciclável, redução dos espaços de estacionamento, ordenação dos locais de carga e descarga, criação de vias prioritárias para transporte público, alargamento da Zonas de Acesso Automóvel Condicionado (ZAAC) e ainda alterações no sentido do trânsito. Está prevista a criação de um hub-logístico de suporte à zona da baixa, desenvolvido em parceria com os agentes económicos locais.

As mudanças são muitas e implicam mais restrições no acesso automóvel. Com exceção para residentes, será restrita a circulação nesta zona de veículos EURO 4 (veículos posteriores a 2005), com um reforço e novos meios de fiscalização, a partir de abril de 2021. No entanto, em compensação será melhorado o desempenho da rede de autocarros e elétricos e reforço da oferta da Carris, em particular a sua regularidade, e criação de dois quilómetros de novos corredores BUS. O acesso vai estar condicionado exclusivamente a veículos autorizados entre as 6h30 e as 00h00, sendo garantido o acesso a moradores, comerciantes, cuidadores, detentores de avença de estacionamento e garagens, veículos elétricos e motociclos.

As medidas são muitas e de largo espectro que têm como objetivo final reduzir as emissões de CO2 em 60% e a neutralidade carbónica até 2050. Lisboa acredita que conseguirá ter menos 40 mil carros a circular nesta zona da cidade, o que vai equivaler a menos 60 mil toneladas de CO2 ao ano.

Estas são prioridades transversais a várias cidades do mundo que, à semelhança do que Lisboa está agora a fazer, também já implementaram iniciativas mais amigas do ambiente, tais como Londres, Paris, Madrid, Estocolmo, Pontevedra, Oslo, Birmingham, Barcelona e Estugarda.



Ciclistas apoiam a ZER de Lisboa
A Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi) congratula-se pelas medidas apresentadas pela Câmara Municipal de Lisboa. Em comunicado, a associação reconhece a “ambição deste projeto” e recorda que “há muito que a MUBi tem exigido a devolução da cidade às pessoas e a promoção do uso dos modos ativos de deslocação e dos transportes públicos, em detrimento do transporte individual motorizado”. A associação vai um pouco mais longe e considera que, em 2021, a organização do evento Velo-City 2021, em Lisboa, “é uma oportunidade de ampliar para o resto da cidade a restrição do uso do automóvel particular, quer reduzindo o seu espaço de circulação, quer de estacionamento”. Esta entidade que “só assim se poderá ampliar todos os efeitos que a ZER se propõe a produzir de acalmia de trânsito, redução da sinistralidade rodoviária, melhoria das infraestruturas para os utilizadores vulneráveis, maior equidade nos transportes e na afetação do espaço público e redução da poluição atmosférica e sonora aproximando, assim, a capital portuguesa a outras cidades europeias”.

A MUBi lamenta, contudo, a exceção feita no ZER de Lisboa à circulação de veículos elétricos. Embora não emitam gases poluentes ao nível local, são automóveis e, por isso, “acarretam os mesmos problemas de sinistralidade e ocupação do espaço público que os restantes veículos automóveis”.
por: Sara Pelicano
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