segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019

 
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Carga & Mercadorias
31-10-2019
Queda de 6,8% face a 2018
Portos do Continente movimentam cerca de 60 milhões de toneladas até agosto
Entre janeiro e agosto de 2019, o sistema portuário do continente movimentou um volume global de 58,7 milhões de toneladas, valor inferior em -6,8% ao verificado no período homólogo de 2018. Segundo a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, as causas para esta quebra continuam a ser a diminuição da importação de petróleo bruto em Sines e Leixões, a redução do movimento da carga contentorizada em Sines, e ainda a diminuição da importação de carvão, devido ao facto da central termoelétrica de Sines se encontrar em paragem programada para manutenção desde finais de junho.

Leixões e Aveiro registaram as melhores marcas de sempre, com movimentos a ascender 13,1 e 3,7 milhões de toneladas, respetivamente, +0,9% e +2,1% face a igual período do ano anterior. O porto de Viana do Castelo registou também um comportamento positivo ao crescer +15,3% face a igual período de 2018. Todos os restantes portos assinalam comportamentos negativos, com é o caso de Sines, Lisboa e Figueira da Foz que assinalaram quebras de -3,9 milhões de toneladas, -414,9 mil toneladas e -168,1 mil toneladas, respetivamente.

Revela a AMT que o porto de Sines continua a liderar no movimento global portuário, embora com os recuos verificados nos últimos meses, com uma quota de 48% (-2,8% face ao acumulado a agosto de 2018), seguido de Leixões (22,2%), Lisboa (13%), Setúbal (7,6%) e Aveiro (6,4%).

Até agosto, o movimento de contentores registou uma quebra global de -6,6% no volume de TEU, apresentando um movimento total de 1,86 milhões de TEU. Este desempenho é explicado pelo desempenho negativo de Sines e Setúbal (-15,4% e -4,3%, respetivamente) e positivo de Leixões, Lisboa e Figueira da Foz (+10,5%, +1,5% e +6,5%, respetivamente).

Não obstante o recente comportamento negativo, Sines mantém a liderança neste segmento de mercado, com uma quota de 52,2%, inferior em -5,4% à que registava no período homólogo de 2018, seguido por Leixões com 25%, Lisboa com 16,8%, Setúbal com 5,2% e Figueira da Foz com 0,8%.

Recorde-se que o peso que o tráfego de transhipment representa no volume de contentores movimentados em Sines, que não obstante ter vindo a diminuir nos últimos meses, acumulando em agosto uma redução de -26,2%, ainda representa 68,8% do total no porto. Por outro lado, o volume de TEU, com origem e destino no hinterland, regista um crescimento de +24,8%.

No que respeita ao movimento de navios, comparativamente ao período homólogo de 2018, nos oito primeiros meses de 2019 observou-se um decréscimo de -1,6% no número de escalas (7.113), bem como uma diminuição no volume de arqueação bruta de -2,1% (para cerca de 132,3 milhões). Os portos de Viana do Castelo, Lisboa e Sines foram os únicos portos que registaram um crescimento no número de escalas de +9%, +1,7% e +0,2%, respetivamente.

O desempenho negativo global verificado no período entre janeiro e agosto de 2019 resultou da conjugação de quebras verificadas nos volumes de carga embarcada e desembarcada, -9,8% e -4,8% respetivamente, face a igual período de 2018.

A carga contentorizada e a carga fracionada em Leixões, os outros granéis líquidos em Sines e os minérios em Setúbal contribuíram significativamente para o impacto positivo das operações de embarque, registando +345,7 mil, +64,8 mil, +65,5 mil e +67,9 mil toneladas, respetivamente. Com impacto negativo nos embarques, destaca-se a carga contentorizada e os produtos petrolíferos em Sines (-1,33 milhões de toneladas e -930,5 mil toneladas), os outros granéis sólidos em Lisboa (-292,1 mil toneladas), os produtos petrolíferos em Leixões (-163,9 mil toneladas) e a carga fracionada em Setúbal (-127,4 mil toneladas).

No que diz respeito às operações de desembarque, destacam-se as variações positivas dos produtos petrolíferos e dos outros granéis líquidos em Sines, com acréscimos de, respetivamente, +1,9 milhões de toneladas e +203,8 mil toneladas. A carga contentorizada (-1,6 milhões de toneladas), o petróleo bruto (-1,5 milhões de toneladas) e o carvão (-688,2 mil toneladas) em Sines, bem como o petróleo bruto (-455,4 mil toneladas) em Leixões, contribuíram para as variações negativas registadas nestas operações.

Viana do Castelo, Figueira da Foz, Setúbal e Faro são os portos que apresentam um perfil de porto “exportador”, registando um volume de carga embarcada superior ao da carga desembarcada, com um quociente entre carga embarcada e o total movimentado, no período em análise, de 63,2%, 71,2%, 53,6% e 100%, respetivamente. No seu conjunto, estes quatro portos representam uma quota de carga embarcada de 15,3% (10,3% destes respeitam a Setúbal).
por: Pedro Venâncio
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