quarta-feira, 17 de Outubro de 2018

 
Passageiros & Mobilidade
21-09-2018
Mobilidade
Corredor na A5 e Linha de Cascais são prioridades da AML
A Área Metropolitana de Lisboa está a negociar com o Governo um plano relativo às «matérias fundamentais do investimento no transporte pesado». Fernando Medina referiu, durante a conferência “Wise Mobility - Mobilidade Inteligente” para as Cidades do Futuro” que as propostas que estão em cima da mesa são «o corredor da A5 onde temos de criar uma solução eficaz e a requalificação da Linha de Cascais». O autarca e presidente da AML adiantou ainda que «tem de haver uma solução para o transporte pesado em Loures, assim como para o transporte entre margens, com o reforço do transporte ferroviário sobre a ponte e uma grande aposta no transporte fluvial». Revelou ainda que terá de existir «um investimento no transporte entre os municípios da margem esquerda do Tejo».

Atual situação é insustentável – Fernando Medina

Durante o seu discurso, Fernando Medina mostrou-se bastante crítico com a atual situação da mobilidade na AML e na cidade de Lisboa. «Nos últimos 30 anos, a AML que engloba 18 municípios, cresceu de 2,5 para mais de 2,7 milhões de habitantes. A cidade de lisboa perdeu 300 mil pessoas das 800 mil que tinha, para os concelhos limítrofes. Cresceu, engordou, mas o centro esvaziou, criando-se um efeito “donut”», adiantou. Medina disse que «Lisboa continua a ser o grande polo aglutinador de emprego», mas com um «sistema de mobilidade extraordinariamente assente no transporte individual. O Inquérito à mobilidade mostra isso. Isso é insustentável a todos os níveis. Ambiental, económico, financeiro e de qualidade de vida das pessoas». Para o edil lisboeta «houve um fracasso a enfrentar os problemas de mobilidade no país. Temos de o reconhecer. Precisamos de pegar nisto com arrojo, determinação e inteligência. O país ainda não percebeu o problema e também não percebeu a solução».
Fernando Medina elencou as medidas que a AML pretende tomar. Em primeiro lugar, atuar junto dos tarifários: «os elevados preços praticados na AML são uma barreira ao acesso ao transporte público. 30% da AML é responsável pela compra de 1% de todos os títulos de transportes, que valem 5% da receita obtida. Quase 900 mil pessoas são responsáveis pela compra de 1% dos títulos. Temos uma imensidão de gente totalmente excluída do transporte pública. Os valores praticados são incompatíveis com o rendimento médio das famílias. Uma fatura de 120 euros por pessoa e de 240 euros por agregado não é sustentável do ponto de vista dos rendimentos das famílias».
Para Medina «o preço é fundamental e a proposta que fizemos é radical mas também aposta na simplicidade. Toda a gente circulará em Lisboa por um euro por dia, 30 euros por mês e queremos que este valor fique congelado nos próximos anos. Temos de fazer uma grande campanha de mobilização a explicar isto. Andar de transportes públicos na cidade de lisboa vai ser mais barato do que tomar dois cafés por dia. E na AML será de 40 euros por mês. Isto é da maior importância». Outra das medidas que já foi anunciada por Fernando Medina é a criação de um “passe família” «em que as famílias pagam, no máximo, dois passes. Precisamente para favorecermos a utilização do TP», e a isenção de pagamento para todas as crianças até aos 12 anos.
Segundo Fernando Medina, «outra das vertentes onde queremos apostar é a qualidade do transporte público e a sua eficácia. Mas primeiro só teremos isso quando as pessoas o pedirem. Primeiro, vamos colocá-los dentro do sistema e criar resposta. Faremos isso mais rápido em Lisboa, com a expansão do metro e a renovação da frota da Carris».


por: Pedro Pereira
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Comentários
09-10-2018 13:49:17 por Carlos Gaivoto
O mês de Setembro foi frutuoso em medidas anunciadas para o TP e o Estado Social agradece. Ao contrário de certos pensamentos neoliberais, finalmente os discursos dos EBITDAs são abandonados para se dar lugar às questões socialmente úteis e ecologicamente necessárias embora, ainda haja em algumas empresas públicas que tragam esses pensadores do lucro a ser pagos para vir falar às empresas públicas. Falemos dos pacotes a favor do TP e de menor dependência do TI pois, do que se trata não é só uma questão de teoria económica do equilíbrio ao gosto dos neoclássicos mas, antes compreender a função social e económica do Transporte Público. Com efeito, poderá ser dito que vale mais tarde do que nunca mas, pondo de lado o deixar tudo para a última da hora ao jeito português, isso deve ser analisado e bem estruturado pois estas soluções são a alavanca doutras medidas importantes para o TP.A tarifa social única é precisa e acabar com a barreira tarifária só pode induzir a maior utilização do TP. De facto, as despesas actuais de famílias e pessoas com o transporte público são um anacronismo com as políticas públicas que se praticam noutros países a favor do TP. Por exemplo, em França, o custo anula médio de utilização dum veículo individual, sem o custo de compra e de seguro, é cerca de 2500, enquanto com o transporte colectivo, o custo médio dum passe anual é cerca de 300. Claro que se aplicarmos os quocientes familiares e de solidariedade, o custo dessa tarifação social é bastante baixo, o que significa que existem famílias que pagam tarifas mensais a rondar os 2,5. Portanto, há ainda muito para se compreender a função social e económica do TP mas, este ponto de partida deve servir para se olhar para o sistema tarifário como a primeira grande medida a resolver muitos mais problemas, como ter impacto positivo a menor utilização do TI, quer ao nível dos demais orçamentos, como o da saúde e do ensino, quer ao nível das despesas ambientais e energéticas, para além da diminuição dos défices e dívidas públicas.Ora, quando outras medidas são anunciadas, como o reforço de alternativas ao uso do automóvel e se dedicam tempo e palavras a descrever os cenários de desenvolvimento de corredores de TCSP na A5, aqui já entram outros factores de análise e de avaliação do sistema de transportes para não se cair no absurdo como a expansão da rede de Metropolitano de Lisboa que queria gastar em 1,5km cerca de 300 milhões de uro, na ligação do Rato ao cais do Sodré. Tratase, portanto, de saber aplicar dinheiros do contribuinte no investimento público. Para isso, a AML tem de ser mais comedida e fazer o trabalho de casa que ainda não o fez, ou seja, deve elaborar o PDU, Plano Deslocações Urbanas, e calcular a sua Conta Pública do Sistema de Deslocações para demonstrar a bondade de cada projecto. Madrid, até fez um corredor deste tipo, passando um eixo rodoviário unimodal a ser multimodal com o BRT mas, os resultados estão muito aquém das expectativas. Uma das explicações é que este sistema tenta copiar o desempenho do modo tramway sem o ser e outra é que não preenche os objectivos de urbanismo que o tramway oferece pois, nestes temas, não se está tratar sé de acessibilidade, pelo contrário, associamse os objectivos de ecologia urbana e desenvolvimento sustentável dum território cujos custos escondidos são elevados devido à dispersão urbana. Por isso, antes de haver uma anúncio aparentemente a favor do TP, como o eixo da A5 ter um corredor de BRT, convém planear estrategicamente o que se pretende para a AML em Coerência Territorial e também, em coesão social, energética e ambiental. O debate está aberto, procuremos, então, as soluções de sustentabilidade do sistema.
  
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