quarta-feira, 15 de Agosto de 2018

 
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Carga & Mercadorias
04-06-2018

Estudo realizado pela Scania e Cualtis
Sedentarismo é fator de risco para os motoristas do transporte de mercadorias
A Scania, a Cualtis e várias associações espanholas do setor do transporte rodoviário de mercadorias foram parceiras na realização de um estudo sobre os hábitos dos motoristas. Em Madrid, foram apresentados os resultados e discutidas medidas que contrariem práticas menos saudáveis dos profissionais do setor. A Transportes em Revista esteve presente e traz-lhe os principais pontos deste debate.



Segundo a Organização Mundial de Saúde, o sedentarismo é o quarto fator de risco de morte a nível mundial, traduzindo-se em inúmeras patologias como hipertensão, colesterol ou diabetes. Na profissão de motorista, os riscos podem ser ainda maiores, uma vez que os profissionais passam várias horas sentados ao volante, descansam minimamente e não têm, no geral, hábitos alimentares saudáveis.

Consciente deste problema, a Scania, em parceria com as principais associações espanholas do setor do transporte rodoviário de mercadorias, decidiu fomentar a alteração de hábitos sedentários destes profissionais. O primeiro passo foi fazer a “radiografia dos motoristas” através do levantamento dos seus hábitos diários. Em colaboração com a Cualtis, empresa de prevenção de riscos laborais, foram realizados cerca de 534 mil exames de saúde a trabalhadores entre os 18 e os 65 anos, no ano passado. Deste número, foram questionados 27 mil motoristas.

Perante as exigências e as dificuldades que atravessa o setor, os resultados do estudo não surpreendem. Seis em cada dez motoristas não pratica exercício físico, ainda que uma taxa de 21% admita fazer desporto de forma contínua. A amostra representativa do setor do transporte revela ainda que 41% dos motoristas têm excesso de peso e 32% sofre de obesidade, uma percentagem superior ao resto dos trabalhadores em análise.

Os fatores de risco não se ficam por aqui, e ainda que a percentagem de motoristas fumadores (40%) seja inferior àquela que não fuma, 75% dos inquiridos fuma mais de 15 cigarros por dia. Confrontados como os seus hábitos alimentares, apenas 45% admite fazer uma dieta equilibrada. O estudo revelou ainda que 80% das patologias que afetam estes profissionais dizem respeito a problemas nos ossos e articulações, pelo facto de passarem muito tempo sentados ou de pé.

A apresentação do estudo foi feita em Madrid, na embaixada da Suécia, e contou com a presença do embaixador daquele país, Lars-Hjalmar Wide, assim como vários representantes das associações parceiras, entre os quais Renata Perucci, diretora de Vendas, Marketing e Comunicação e Logística da Scania Ibérica, Teresa García-Margallo Marfil, diretora de Serviços Médicos da Cualtis e ainda Rubén Morán, diretor da Farinato Race.

Aquando da apresentação dos resultados, Teresa García sublinhou que «a prevenção de hoje é a saúde de amanhã». Para a responsável, «existem muitas doenças silenciosas e difícil de diagnosticar» contudo, «muitas podem-se prevenir facilmente com alterações de hábitos diários». Aos motoristas, Teresa García deixa o aviso que «há muita coisa que podem fazer na cabine» e que «exercícios simples podem fazer a diferença».

Quanto à má alimentação, a mesma aponta que não há desculpa para não comer bem, apesar das «longas viagens que muitos motoristas são obrigados a fazer». E garante: «é possível comer saudável fora de casa». Na apresentação dos resultados, a diretora de Serviços Médicos da Cualtis deixou ainda o alerta que «a comparação dos resultados entre os motoristas e os trabalhadores em geral, indica que todos os valores se encontram acima da média», pela negativa.

Associada a esta causa está ainda a “Farinato Race – Corrida do Transporte by Scania”. Rúben Morán, também ele motorista, e diretor da corrida, afirmou que «o mundo do transporte é feito de obstáculos mas que estes se ultrapassam todos os dias». Para o responsável, «o motorista deve ser feliz, ter objetivos, sentir-se vivo e não somente trabalhar».



Serviu ainda a apresentação para a Scania e a Farinato Race fazerem o convite a todos os profissionais do setor do transporte a participarem na primeira Corrida do Transporte by Scania, que teve lugar na Dehesa de Quijorna (Madrid), nos dias 14 e 15 de abril. Segundo a Scania, “a Farinato Race é uma prova de obstáculos que deve ser feita no menor tempo possível, através do companheirismo, da amizade e do esforço, princípios presentes no dia a dia dos motoristas do setor”. No final da apresentação houve ainda lugar para o debate em mesa redonda entre os representantes das associações convidadas: Ovidio de la Roza, presidente da Confederação Espanhola de Transporte de Mercadorias; Ramón Valdivia, diretor general da Associação de Transporte Internacional Rodoviário; Julio Villaescusa, presidente da Federação Nacional de Associações de Transporte de Espanha; Jesús Herrero, secretário-geral da Associação de empresas gestoras de Transportes Urbanos Colectivos; Rafael Barbadillo, presidente da Confederação Espanhola de Transporte em Autocarro; e ainda Fenando Velasco, vice-presidente executivo da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM). A moderar a mesa esteve Daniel González, responsável de Marketing e Comunicação da Scania Ibérica.

Entre as opiniões dos oradores, foi apontada a «falta de consciencialização no setor». Para os responsáveis, «os motoristas sentem muitas vezes que são uma peça do camião, isso é algo que temos de mudar». Outro ponto em discussão caiu sobre o facto do «setor ser desestruturado» e das «empresas não conseguirem promover mais iniciativas». Para os responsáveis destas associações, «é o próprio motorista que deve cuidar da sua saúde». E alertam: «não há muitos jovens a querer entrar na profissão», pelo que o setor deve contrariar também ele esta tendência.

Fernando Velasco, foi dos mais interventivos ao sublinhar que é difícil trazer novos condutores para a estrada, pelo que «tem de haver mais respeito pela profissão». O vice-presidente da associação portuguesa ANTRAM alerta ainda que as iniciativas promovidas pelas empresas são sempre bem-vindas, ainda que «condutores com mais de 50 anos já têm hábitos difíceis de alterar». Todavia, continua, «os mais novos podem ganhar novos hábitos mais saudáveis», ao mesmo tempo que se devem romper vergonhas, como é caso de os motoristas fazerem desporto nas suas paragens e viagens. Para isso, avisa o responsável, são necessários «mais espaços adequados a estas práticas» para que os motoristas possam descansar, fazer exercício físico e comer de forma equilibrada.

por Pedro Venâncio
Tags: Cualtis   Estudo   Motoristas   Scania  
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