terça-feira, 26 de Setembro de 2017

 
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Passageiros & Mobilidade
28-08-2017

A mobilidade agita os transportes
Captar valor económico foi o tema subjacente ao último Encontro Transportes em Revista, realizado no passado mês de julho, em Lisboa.

Em poucas palavras e de forma telegráfica, diria que duas ideias ficaram na mente de quem participou ou acompanhou esta edição. A primeira é que existem caminhos e áreas onde é possível captar mais valor económico, tanto por parte do Estado como pelos agentes económicos, e a segunda é que através das diversas apresentações, das múltiplas intervenções e mesas redondas, ficou patente que a mobilidade anda a agitar os transportes.

Basta olhar à nossa volta e observamos que diversas entidades já definiram estratégias e iniciaram percursos que visam alargar a sua atividade em áreas de negócio complementares ao seu “core” e com elas, potenciar o seu crescimento e garantir mais economia.

Entidades que tradicionalmente estavam ligadas à gestão e exploração de infraestruturas, assumem-se hoje como agentes na corrida à prestação alargada de serviços de mobilidade, seja através de “car sharing”, seja através de plataformas agregadoras de oferta e procura ou outros sistemas que satisfaçam as necessidades dos consumidores. Empresas que durante anos se posicionaram como fornecedores de equipamentos e sistemas de gestão de tráfego, estão hoje a desenvolver capacidades para a recolha de dados, cujos equipamentos podem proporcionar, e que têm alto valor para a gestão das cidades. Marcas que sempre produziram e comercializaram veículos estão hoje a concorrer no desenvolvimento de novos serviços de mobilidade. Estes são alguns dos exemplos que passaram pelo 11º Encontro Transportes em Revista. Todos sinalizaram e deram conta de como a mobilidade está a produzir impactos profundos nos transportes.

Para os descrentes, e para os que insistem em não estar presentes nestes fóruns e continuam desatentos à importância da evolução, chamo a atenção para a recente abertura da ANTROP, anunciada neste Encontro, em incorporar na associação outros operadores que asseguram transporte público, independentemente do modo em que o prestam.

Pela importância desta evolução associativa, a declaração do seu presidente, “Acabou o tempo das empresas de camionetas. Agora falamos de empresas de mobilidade”, em entrevista publicada nesta edição, é bem demonstrativa do reconhecimento e da necessidade que os operadores têm em fazer parte desta mudança.

Para os que mesmo assim ainda não se convenceram da repercussão que esta dinâmica está a produzir, observem o trabalho e os resultados que a Área Metropolitana do Porto tem vindo a realizar com a integração dos vários operadores de transportes públicos no grande Porto, além da sempre complexa integração bilhética e tarifária. Com os pés bem assentes na realidade e partindo desta, sem a ambição de ser autoridade, apenas por sê-lo, é um bom exemplo de que com visão partilhada, vontades comuns e transparência, capacidade de diálogo e envolvimento, é possível atingir maiores desempenhos, criar mais economia, conquistar mais mercado e melhorar a vida das populações. Assim, também se assegura a defesa do chamado Estado Social e a sua Sustentabilidade.

por José Monteiro Limão
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Comentários
14-09-2017 12:04:29 por Carlos Gaivoto
Já o escrevi e disse: Portugal é um case study nesta panóplia do sector do Transporte Público Urbano e o pior cego é aquele que não quer ver. A notícia de que a ANTROP alarga o seu espectro da actividade ao sector ferroviário evidencia ou confirma a tendência de outros países que já há muitos anos o entenderam, como no caso da França com a UTP Union du Transport Public ou na Alemanha com a VDV Verband Deutscher Verkehrsunternehmen ver https://www.vdv.de/english.aspx como no exemplo de https://www.kvv.de/ pois, o enquadramento do TP não se esgota no rodoviário. Levou tempo mas, acabou ou acaba por acontecer num período cujo ciclo de transição está a começar por trazer ao debate público uma questão estrutural: afinal o que querem do TP Urbano em Portugal Mais do mesmo ou uma estratégia que passa pela Organização Institucional do mesmo Querem fazer um Transit Act ou manteremse no limbo da indefinição em relação ao futuro Querem que o Operador Interno Integrado desempenhe uma função de integração e coesão territorial, social, ambiental e energética ou querem continuar a defender que a coisa pública tem de ser posta a concurso e gerida por privadosÉ que esta categoria política com que a escola neoclássica gosta de resumir o futuro das pessoas às commodities das leis de mercado, criando um sistema que tudo que é público é uma utility para ser privatizado, é falaciosa como não corresponde às necessidades sociais e muito menos à defesa do Estado Social, apesar de muitos o desvirtuarem para o desclassificarem e atacarem. Como escrevi na TR 172 e o reafirmo novamente, poderei dar o exemplo destes dois países em que o Transporte Público Urbano não é tratado como se faz em Portugal. Esta escola tem mostrado que com as empresas públicas não se faz o ninho atrás da orleha, como se faz por cá. É que há demasiado dinheiro público investido em infraestruturas e equipamentos colectivos e há um conhecimento e sabedoria que infelizmente tem sido ignorado pelos legisladores e decisores em Portugal tal é a panaceia em que se encontra o TP basta ver a notícia do Público de 13 de Setembro.Por isso, recomendo vivamente que o Transit Act em Portugal é não só necessário, como recomendável tanto a legisladores e a decisores e não significa isso que tudo fica resolvido mas, enquanto os nossos vizinhos de Espanha o fizeram já há mais de 30 anos, nós por aqui continuamos a resolver os problemas em vão de escada. Também, por isso, estamos como estamos sem integração tarifária, a quota TI/TC é favorável ao TI e o financiamento é o que é como o que está proposto no Plano do GTIEVA e que até hoje não tem sido contestado por este Governo. O interesse público de haver mais utilização do TC é fundamental e incontornável e isso vai contra este método do BAU Business As Usual pois, o que se deve promover é o ST Sustainable Transportation ver Preston Schiller, Eric Bruun and Jeffrey Kenworthy, 2010, cap. 7 Public Policy and Effective Citizen Participation: Leadership, Deliberation, Backing, Scenarios, Visualitzation and Visioning, in An Introduction to Sustainable Transportation, ed. EarthScan, London Washington. Ora, este método do ST urge em ser implementado e essa é uma das tarefas duma Agenda que queira inverter a tendência do TP ser pouco usado e resolverse um conjunto de problemas de articulação do urbanismo e dos transportes. De certeza que todos sairão beneficiados mas, para isso, duma vez por todas, aceitem o Planeamento Estratégico como um método de trabalho de gestão e organização do sectro de forma coerentes e consequente com a melhoria da qualidade de vida urbana para todas as populações. Até lá, aguardamse por melhores decisões de governo da coisa pública em defesa do Estado Social.
  
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