segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

 
Carga & Mercadorias
14-02-2017
 
ERA UMA VEZ… uma bela jovem
Hoje apetece-me contar uma história sobre uma menina muito bonita e bela a quem volta não volta lhe ofereciam um “pacote”.
 
Ela nasceu num longínquo ano, em que todas as revoluções, nomeadamente a industrial, eclodiu. Esta menina linda era a menina dos olhos bonitos da maioria das nações. Era tão linda, que, no seu imaginário, levava as pessoas a viajar pelo mundo. Afinal, ela era o verdadeiro motivo e atriz principal de contos, histórias, aventuras e até de filmes.
 
Tal como a “Cinderela” ninguém sabia quem era, nem o seu nome.
 
Com a dúvida acerca do seu nome, com tantas incertezas, alguns filósofos da época, filosofaram... Se ajudava a “viajar”, porque não chamá-la de “Via”? Um coro em sobressalto se levantou em desacordo absoluto. Eis então que alguém se lembra que era uma via que assentava em ferro. Porque não juntar? Fica Ferrovia e não se fala mais no assunto. 
 
Melhor seria se tivesse ficado Cinderela. Esta menina, não é mais que um meio de transporte que emergiu na Europa, mais precisamente em Inglaterra, no século XIX.

A menina ferrovia viveu, cresceu e fez-se adulta como qualquer menina. Envelheceu e foi ficando decrépita como qualquer pessoa.

Quase na miséria e degredo completo procura ajuda de alguém na sua recuperação e assim surgem ofertas de “pacotes” de lifting, de beleza, de formosura, “restiling”, plásticas, etc. Como todos sabemos, isto custa muito dinheiro… mesmo muito.

A menina adquire o “1.º Pacote”, também designado por Pacote Ferroviário de Infraestruturas, de 2001 que define o direito de acesso à rede transeuropeia de transporte ferroviário internacional de mercadorias, entre outras.

Ainda havia dinheiro e, três anos depois, adquire o “2.º Pacote” que é constituído por três diretivas, nomeadamente a instituição da Agência Ferroviária Europeia, em que um dos objetivos é a promoção da interoperabilidade das redes nacionais.

Na continuada luta de ultrapassar as dificuldades e ficar bela, chega o “3.º Pacote” em 2007, que regula a abertura do mercado de transporte internacional.
Tal não se revelou eficiente e segue-se o “4º Pacote”, em 2013, que vem agora propor medidas de grande alcance, para promover a inovação no setor ferroviário graças à abertura do mercado dos serviços nacionais à concorrência, ou seja, estes “pacotes” incindem em 4 áreas relevantes:
• Homologações à escala da União Europeia (EU) de um certificado europeu;
• Assegurar que a rede ferroviária é explorada de uma forma eficaz e não discriminatória;
• Melhor acesso ao “negócio” do caminho-de-ferro, pela iniciativa privada;
• Mão-de-obra mais qualificada.

Mas a nossa menina continua a não ter pretendentes e ao contrário do que se pretendia tem-se assistido desde 2011 a um conjunto de iniciativas, estudos e opiniões, que contrariaram de forma evidente as orientações de Bruxelas.

As “princesas” Europeias [SNCF+RFF, DBAG+DBNETZ, RENFE+ADIF] estudam formas de se reunir, de voltar a juntar os “trapinhos”, até porque “cada país tem as suas particularidades e estas diferem de país para país” e também porque “o modo roda / carril existe para estar “casado”, logo deve de ser gerido de forma integrada e não discriminatória”. Afinal o que queremos? O que quer Portugal?

Importa acima de tudo discutir o tema e perceber que modelo é o mais indicado nesta fase, face não só à sustentabilidade e otimização do sistema, bem como ao aumento da cota do transporte ferroviário de mercadorias.

Concorrência? Claro! Mas com uma regulação forte de forma que se possa competir no mercado europeu em condição de igualdade.

Ora o tratamento escolhido pela nossa “Cinderela”, não tem apresentado resultados. Em boa verdade, em termos de beleza, ficou mais bela, mais fresca, mas também é verdade que continua a apresentar debilidades deveras evidentes e por isso, deixou de encantar e fazer o papel principal das histórias, dos sonhos e dos filmes, como na nossa infância.

Faz lembrar a história daquela senhora que já fez tantos tratamentos de beleza que quando se ri lhe salta um implante. Assim ficou a ferrovia, cada vez que faz qualquer coisa, o “buraco” adensa-se.

Será que um dia a nossa “Cinderela” encontra o seu príncipe, casarão numa linda festa e serão felizes para sempre?

por António Nabo Martins
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Comentários
02-03-2017 16:05:29 por Guedes Vieira
Comentário correcto de quem está dentro e com conhecimetos.
01-03-2017 19:36:56 por MCMacedo
Sempre a surpreender pela positiva.
15-02-2017 12:59:14 por Felisbela Gonçalves
Este texto esta uma delicia, como parece fácil falar de coisas tão serias de uma forma tão cristalina, adorei Quem sabe, sabe
  
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