sábado, 18 de Novembro de 2017

 
Carga & Mercadorias
16-04-2012

Um Pouco Anti(pet)ico
Do título acima poderão, os que me conhecem pior, depreender que sou contra o Plano Estratégico de Transportes. Um documento que o memorando assinado com a Troica, exigia que o Governo português apresentasse, ainda que poucos meses após estar em exercício de funções.

A quem não se fique pelo título desta crónica apenas direi que nada mais errado. Não só não sou contra, como acho que o País precisava que alguém viesse pôr cobro ao enorme disparate, incompetência e egoísmo, que escudado na coesão social, gerou uma dívida gigantesca que toda uma geração se preparava para deixar às várias que se lhe seguiriam.

Claro que este PET não poderia ser aquele que qualquer Governo apresentaria em condições normais, e também claro que, do ponto de vista técnico, este documento, em rigor, não pode ser considerado um Plano Estratégico, tal como, se usa defini-lo. Quanto muito o documento é, em primeiro lugar, uma carta de reflexão de um fidalgo arruinado que, já sem anéis para vender, se pergunta o que fazer com os castelos todos que para si construiu, e cuja manutenção não consegue mais assegurar. É também uma promessa de dívida, alicerçada nas mais nobres intenções, em que pretende assegurar que se vai mudar de vida. É finalmente o reconhecimento implícito que, também no capítulo dos transportes, o País em vez de “formigar” andou a “cigarrar”.

A forma como a avestruz põe a cabeça na areia pode ser muito variada mas, como todos sabemos isso não resolve o problema nem tão pouco garante o futuro. O PET pode não ser um documento tecnicamente perfeito, e não é. Podem-lhe faltar valências e políticas associadas, e faltam. Finalmente pode não apontar os objetivos e as metas expectáveis de um PET, e não aponta. Mas aponta o objetivo e a meta a que, efetivamente, se propunha, que resumido em linguagem corriqueira e para que todos a percebam, se traduz em:
- Acabou-se o “regabofe”. Quem não tem dinheiro tem que deixar também de ter vícios.

Quem ler o PET percebe também que ele é antipático (aqui bem escrito) e muito, quando não se coíbe de uma forma tão simples e quase mordaz de, em linguagem gráfica com uma grande eficácia, nos fazer perceber, modo a modo, companhia a companhia que quem governou e quem geriu os transportes públicos deste País, ou foi extraordinariamente incompetente ou apenas olhou para si e para a sua conveniência imediata, sem se importar com as inevitáveis consequências que viriam posteriormente para todos nós. As diferenças entre a oferta e procura de transportes públicos são de tal forma gritantes que ninguém, em seu perfeito juízo, consegue entender como foi possível chegar a tamanho desajustamento sem que se tenha agido corretivamente. Numa empresa privada tenho a certeza que rolariam cabeças. Neste caso, muitas.

O único oásis que se percebe em todo o documento, e talvez até por isso nele tenha sido incluído, é o Setor Marítimo-Portuário. Aí é bem visível que há mais vida que dívida, e ainda bem. Pode ser que alguns velhos do Restelo entendam de vez que o futuro de Portugal tem que passar pelo Mar.
por: António Belmar da Costa
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