9/19/2018


A revolução tranquila dos portos portugueses

A maior parte dos portugueses não tem noção do que tem vindo a acontecer nos portos portugueses nos últimos tempos nem tem qualquer ideia sobre a grande revolução anunciada para o seu futuro próximo, e é pena!

Os portos portugueses têm sabido ser os polos mais dinâmicos da economia portuguesa e os responsáveis pelo boom das exportações nacionais, que tanto jeito fez para o ultrapassar da crise económica e financeira por que passamos.

No período de 2005 a 2015, o movimento total de mercadorias nos portos cresceu mais de 40% atingindo um valor superior a 88 milhões de toneladas, sendo que na carga contentorizada esse crescimento atingiu mesmo proporções astronómicas, de mais de 200%. Nos anos de maior crise, de 2011 a 2015 o crescimento da movimentação de cargas nos portos nunca parou de crescer ano após ano, muito contribuindo para o elevar dos números das exportações nacionais, já que a maior parte das nossas exportações é feita por via marítima.

O Governo para os próximos dez anos tem prevista uma estratégia de crescimento igualmente ambiciosa, apostando num crescimento na década de quase 90%. Para atingir essa meta pretende que sejam realizados investimentos superiores a 2,6 mil milhões de euros, eminentemente por parte do setor privado, com apoios de alguns fundos europeus e de comparticipação nacional, mas em valor inferior a 20% do total.

O crescimento da carga movimentada far-se-á com a criação de novos terminais de contentores em Sines e Leixões, a expansão dos existentes e a criação de novos terminais intermodal e multimodal em Aveiro e Lisboa, também com a melhoria geral das acessibilidades marítimas de acordo com as novas necessidades de dimensão dos navios. Mas os projetos incluem ainda uma dinamização da parte tecnológica e ambiental dos portos, com a Janela Única Logística e a total digitalização dos serviços, dando dimensão global aos portos e integrando-os na operação logística com os portos secos, e com o incremento da utilização de gás natural pelos navios, num conceito cada vez mais atual de green shipping.

Tudo isto exige que acordemos para esta dinâmica e não a deixemos passar ao lado, só beneficiando as empresas de outros países. É desolador ver cada vez menos empresas portuguesas a atuar nos portos, na operação portuária, na prestação dos mais diversos serviços marítimos ou como armadores.

Um investimento e uma estratégia desta dimensão exige uma atenção redobrada por parte das empresas para se posicionarem na linha de partida e não perderem o barco, ficando apenas a “ver navios” e mais uma vez a queixarem-se de que a economia azul tão falada não tem reflexos na economia nacional.

As oportunidades estão presentes, resta saber quem tem capacidade de ver o futuro.

por José Luís Moreira da Silva
 

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