8/22/2018


Mobility as a Service: Terá o Big Bang ocorrido em Portugal?

Lisboa, 8 de julho de 2038 – Por ocasião da 32.ª edição do Encontro Transportes em Revista, tivemos oportunidade de trocar impressões com o grupo de especialistas convidados para o painel onde se discutiu o passado, presente e futuro do paradigma de mobilidade a que se convencionou chamar MaaS (Mobility as a Service).

Começámos exatamente por pedir que nos esclareçam sobre o que entendem por MaaS: “– Com o MaaS, cada cidadão consegue suprir todas as suas necessidades de mobilidade, isto é, ir de um ponto A para um ponto B num dado intervalo de tempo, através de uma plataforma digital que lhe permite o acesso a todos os serviços de que necessita para o efeito. Mas é uma designação em vias de extinção: de tão banalizada que se está a tornar em todo o mundo, o MaaS passará a chamar-se simplesmente mobilidade. Comprar um carro é cada vez mais uma estravagância própria das estrelas da música ou do desporto, tal como ter um ginásio ou uma sala de cinema em casa. Os meios hoje ao serviço da mobilidade permitem responder a todas as necessidades sem ser preciso adquirir e manter um veículo próprio, ou mesmo vários, no caso de uma família. Este é o tipo de custos e de complicações de que todos queremos fugir.

E porque queremos? Porque podemos! E podemos porque existem os operadores de MaaS, que contratualizam com os prestadores dos vários serviços de mobilidade a respetiva disponibilização, permitindo que os consumidores finais acedam a esses serviços de uma forma coordenada e otimizada, com um único instrumento de interação – o seu próprio telemóvel – e com modalidades de pagamento integradas”.

Aproveitando o facto de termos à nossa frente algumas das maiores autoridades mundiais sobre este tema, quisemos saber sobre os motivos que conduziram a este paradigma:“– Em primeiro lugar, a agudização das necessidades de mobilidade, envolvendo deslocações mais frequentes, mais distantes e mais imprevistas. As mudanças verificadas no contexto da mobilidade fazem com que as crianças de hoje ouçam fascinadas as histórias dos seus avós sobre as peripécias de conduzirem os seus próprios carros, com a mesma admiração com que esses avós ouviram as histórias dos seus avós sobre a locomoção por tração animal.

Por outro lado, a tecnologia contribuiu de forma decisiva para tornar tudo muito mais conveniente e acessível. A começar pelos smart-phones, com os quais é possível descobrir e consumir os serviços de mobilidade mais adequados a cada situação, e a terminar nos veículos autónomos, cujas características ímpares de flexibilidade e eficácia permitiram ultrapassar a rigidez de conceitos hoje em grande medida obsoletos, como carreiras e horários.”

Para terminar, não podemos deixar de satisfazer a nossa curiosidade sobre o que pensam do caso português: “– Como estudiosos da matéria, consideramos o caso de Portugal extremamente interessante. Tendo sido pioneiros, ainda no século passado, da aplicação das comunicações por radiofrequência à cobrança de portagens, dá-se, logo nos primeiros anos deste século, uma ‘mutação genética’ com o alargamento dessa mesma tecnologia ao abastecimento de combustível e à utilização de parques de estacionamento.

O sistema continuou a estender-se a outros serviços, tão diferentes como ferries e drive-throughs de vários tipos de retalhistas. Este foi um desenvolvimento, naquela altura, inédito em todo o mundo.

Se nos abstrairmos da tecnologia utilizada e nos focarmos no conceito, que é o que realmente interessa, temos de concluir que, antes do paradigma MaaS tomar este nome, oriundo do norte da Europa, já tinha nascido em Portugal há uma dúzia de anos atrás!”

por Manuel Relvas
 

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