7/6/2018


Transitários
2018: O ano da multimodalidade

A recente mensagem do presidente da APAT transportou-nos para uma reflexão para a qual, simultaneamente, pretendemos (despretensiosamente) transportar os nossos leitores. Se 2018 é o ano da multimodalidade, então fará sentido que seja decretado também como o ano do Transitário? Nós estamos convencidos que sim!


Como o próprio nome indica, o transporte multimodal consiste num método de transporte com recurso à articulação de vários modos de transporte – marítimo, aéreo, rodoviário, ferroviário – o que permite aproveitar as vantagens específicas de cada meio de transporte. O tema do transporte multimodal, muito debatido nos anos 1970, volta, assim, a estar em cima da mesa, com uma premência especialmente acentuada nos dias de hoje em função das preocupações ambientais e das metas de redução das emissões poluentes que urge cumprir por força dos compromissos assumidos no Acordo de Paris.

Como é anunciado pela Comissão Europeia, o transporte multimodal permite “extrair das vantagens de cada meio de transporte envolvido, como sejam a conveniência, rapidez, custo, fiabilidade, previsibilidade, etc. que, conjugadas, resultam numa oferta de soluções de transporte mais eficientes, tanto para passageiros como para a carga, o que contribuirá para o alívio da pressão sobre as nossas rodovias congestionadas e para tornar todo o setor mais ecológico, mais seguro e mais eficiente em termos de custos”.

A convicção veiculada pela Comissão Europeia é, assim, a de que, através da multimodalidade, será possível alcançar um sistema de transportes verdadeiramente sustentável e integrado, pelo que serão desenvolvidas uma série de iniciativas com vista à promoção do funcionamento integrado do sistema de transportes europeu, designadamente através de incentivos à multimodalidade e revisão do quadro normativo europeu relativo ao transporte combinado.

O transitário, como técnico altamente especializado em matéria de transportes é (por vocação e saber de experiência feito) o operador multimodal e integrador por excelência: perante uma panóplia de meios de transporte alternativos disponíveis, seleciona e conjuga os modos mais convenientes com vista a oferecer ao cliente a melhor solução. O transitário pode e deve, deste modo, posicionar-se como o parceiro ideal para a viagem que todos devemos fazer rumo ao futuro. Recorrendo à tradicional descrição do transitário como arquiteto dos transportes, atrevemo-nos até a dizer que, num mundo cada vez mais colaborativo, o transitário deve ser um dos arquitetos do futuro dos transportes no mundo o que, para nós portugueses, mais não é do que a concretização integral do ADN que nos impulsiona constantemente a criar novas ligações pelo mundo fora.

A tudo isto acresce, como não podia deixar de ser, o tema da digitalização, que se cruza com o tema da multimodalidade. Assim, no âmbito do ano europeu da multimodalidade, a digitalização é um dos temas chave, estando previsto o desenvolvimento na área dos documentos eletrónicos de transporte e corredores digitais. Mais do que almejar a reunião de todos os operadores ou utilizadores numa base de dados comuns, quimérica e utópica, a Comissão Europeia visa a harmonização dos dados, para que a sua comunicação e partilha entre os diferentes Estados-Membros seja facilitada.

A digitalização é, por isso, outro dos desafios que deve ser abraçado sem mais demoras. Num país onde, de acordo com os dados disponíveis, mais de 60% das empresas não tem qualquer presença online, a digitalização é um imperativo que não pode ser ignorado. Importa, por isso, iniciar o caminho rumo ao futuro. E garantir aos clientes que podem desbravar esse caminho connosco, as empresas Transitárias deste país!


por Ana Camacho Soares, Responsável Regional (zona sul) da APAT

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