7/6/2018


O que nos devem

Portugal está em plena negociação do próximo quadro comunitário de apoio – o Portugal 2030 – onde se estima que receberá cerca de 24 mil milhões de euros.

Inserido neste enorme pacote financeiro, estão considerados investimentos em diversos setores, entre os quais, os da mobilidade e dos transportes.

Por forma a encontrar o maior consenso na definição das prioridades, o Governo lançou a discussão publica do Plano Nacional de Investimentos 2030, partindo de uma folha em branco.

Sem querer apresentar qualquer plano, ideia ou medida, alegando “não pretender condicionar a discussão”, o Governo apela aos agentes económicos – prestadores de serviços, entidades públicas, associações representativas e restante sociedade civil – o envio de contributos, para que estes possam ser acolhidos e incorporados na estratégia e preparação do Plano Nacional de Investimentos 2030.

Este plano será submetido ao Conselho Superior de Obras Públicas, que será reativado e composto por engenheiros, economistas, gestores e outras áreas do conhecimento. Este organismo terá como missão validar o documento, sendo este posteriormente entregue à Tutela e aprovado pelo Conselho de Ministros, para mais tarde ser submetido à Assembleia da República.

A grande novidade deste processo está no objetivo do Governo em obter uma maioria de 2/3, assegurando, assim, um consenso alargado na identificação das prioridades e na promoção da estabilidade para a execução do plano durante uma década, indo ao encontro das preocupações do Presidente da República.

Este é um objetivo ambicioso, que obrigará a uma capacidade acrescida no diálogo, na procura constante de equilíbrios e na conjugação de visões e estratégias. Mas este é um exercício possível e ao alcance das obrigações que os partidos têm perante o país, até porque os inúmeros erros do passado, que tanto custaram e ainda custam ao país e a todos nós, devem servir de lição para que no futuro não os façamos de novo.

Numa época onde a tecnologia quase tudo permite e quase tudo altera na mobilidade e nos transportes, não poderemos falhar a oportunidade de investir bem e de forma certeira.

Os políticos e as lideranças, devem-nos isso!


por José Monteiro Limão
 

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