4/3/2018


MobiPeople
Carroçarias feitas em Souselas “passeiam-se” na Islândia

Em Souselas, Coimbra, há dez anos nasceu a MOBIpeople que, como o nome deixa adivinhar, dedica-se à mobilidade. A empresa faz carroçarias de autocarros e transformações. A exportação tem um peso maioritário numa empresa que procura especializar-se em nichos de mercado.



A MOBIpeople nasceu em 2008 pela mão de António Catarino, Paula Matos, Nuno Mendes e Alexandre Meireles. A empresa tem apenas dez anos mas, António Catarino, sócio-fundador da MOBIpeople, tem mais de duas décadas de saber sobre estes temas. Conhecimento que aplica diariamente sempre com uma premissa imprescindível: qualidade.
 
Um conceito muito apreciado pelas empresas internacionais com quem a MOBIpeople trabalha. A empresa, sediada em Souselas, Coimbra, tem um pendor fortemente exportador, representando 85% do seu volume de faturação, que no último ano se situou nos cinco milhões de euros. Os restantes 15% são ocupados pelo mercado nacional, sobretudo em serviços de transformação de veículos. «O ano de 2017 correu muito bem, na linha dos anos anteriores. Tivemos um crescimento de 20% no volume de faturação e prevemos igual crescimento para este ano», comenta António Catarino. Os lucros são reinvestidos na empresa. Por exemplo, no ano passado a MOBIpeople colocou painéis solares que já lhe permitem uma redução do valor da fatura da energia em 50%, sendo que ainda conseguem vender alguma energia à rede. As perspetivas são de continuar a crescer no volume de faturação nos próximos três a quatro anos e depois estabilizar, rentabilizando melhor os recursos físicos e humanos que a empresa tem. Aliás, os 70 colaboradores da MOBIpeople são para manter, não estando previstas mais contratualizações. Esta equipa foi responsável por produzir «50 unidades em carroçarias e 80 ao nível das transformações». A MOBIpeople recebe os chassis e faz internamente todo o projeto de carroçaria. Nas instalações de Souselas são ainda desenvolvidas as estruturas metálicas que representam o esqueleto dos veículos. Os restantes materiais são todos encomendados a fornecedores externos, sobretudo internacionais porque não há oferta em Portugal. «Compramos a maior parte dos componentes a outras empresas, sempre fornecedores que nos garantam o melhor nível possível de qualidade. A nossa indústria tem vindo a decrescer», afirma António Catarino.
 
As homologações também são realizadas por empresas internacionais porque «são laboratórios muito conceituados, conhecidos há muitos anos de todas as autoridades em todos os países. Um relatório de homologação desses laboratórios, é aceite com facilidade em todos os países».

Para António Catarino, a aquisição de todos estes bens no exterior reflete de alguma forma a falta de união do setor. «Era necessário mais união entre os fabricantes de carroçarias que pudesse ajudar a uma maior especialização», afirma.

Inglaterra é um dos principais clientes da empresa, seguindo-se Islândia e Bermudas. A MOBIpeople procura, assim, nichos de mercado, tornando-se altamente especializada. Este conceito de trabalho garante estabilidade. António Catarino comenta que o cliente português pede sempre o produto com pouco tempo de antecedência em relação à data que precisa para entrega, esmiúça o preço até ao limite e paga tardiamente. «Nos clientes internacionais quando o carro sai daqui, já temos a totalidade do valor na conta», salienta o sócio fundador da MOBIpeople.

Em mãos estão agora projetos como um autocarro com uma altura considerável em relação ao chão que permite viagens nas condições extremas da Islândia e, entre outros projetos, está também a ser construído um autocarro para uma associação inglesa de deficientes que permitirá transportar os utentes em cadeiras de rodas e terá câmaras que permitem uma melhor monitorização por parte das assistentes que viajam com os doentes da associação. Estes trabalhos são aplicados em diferentes chassis (Mercedes, MAN, IVECO, Renault, Scania, entre outros) e carroçarias (Explorer, Midi-Explorer, Explorer Nordic, City, Junior e, entre outros, Hybridus).

Uma revolução
Os veículos elétricos e híbridos estão cada vez mais na ordem do dia. Muitas marcas anunciam avultados investimentos nesta área e já estão mesmo a colocar no mercado algumas soluções. Contudo, no setor dos miniautocarros, ainda é um tema pouco abordado. Este silêncio, António Catarino relaciona-o com a falta de procura. «A pouca procura relaciona-se com a razão económica. Desenvolver um carro elétrico de raiz não fica barato. O que começa a aparecer são fabricantes de componentes para fazer carros elétricos. O mercado tem de começar a pedir». O sócio-gerente da MOBIpeople destaca, no entanto, que «o nosso sistema de transportes precisa de uma revolução completa e as pessoas têm de se mentalizar para o que poderá ser o futuro».

por José Monteiro Limão e Sara Pelicano

 

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