2/12/2018


Partilha de viaturas
Construtores de automóveis já olham para a mobilidade partilhada

Os gigantes do setor automóvel estão a voltar-se para a mobilidade partilhada. Mercedes, BMW, Volkswagen, Ford e Grupo PSA, nenhum descura a mobilidade partilhada e sustentável nos seus objetivos. A mera construção de veículos já é coisa do passado.



Os serviços de carsharing mostram-se cada vez mais como uma solução para o futuro da mobilidade nos grandes centros urbanos. Mais ainda, quando a aposta nesses serviços é feita através de veículos elétricos. Estas plataformas, não só se apresentam competitivas face aos custos despendidos com automóveis particulares, como permitem retirar de circulação, a médio/longo prazo, milhares de veículos que provocam o congestionamento das principais artérias citadinas e ocupam milhares de lugares de estacionamento.

Em média, os automóveis particulares passam 90% do tempo estacionados. Segundo a DriveNow, as viaturas particulares circulam somente 60 minutos diários, ao passo que um automóvel partilhado pode viajar cerca de 300 minutos diariamente. As vantagens não se ficam por aqui, e quando a discussão é o preço, os serviços de carsharing oferecem normalmente tarifas muito competitivas face ao táxi e a outras plataformas de mobilidade, como a Uber e a Cabify.

Além de veículos elétricos, os serviços de carsharing disponibilizam automóveis modernos e atraentes para os consumidores, flexíveis na hora de estacionar e, em alguns casos, viaturas premium, como é o caso da DriveNow com a oferta de modelos BMW Série 1 e BMW i3. Ora, o serviço da DriveNow é um dos mais conhecidos pelos habitantes de Lisboa pela sua parceria com as marcas Mini e BMW.

Quem começa a dar passos largos no mercado do carsharing são precisamente os próprios fabricantes de automóveis que, direta ou indiretamente, se têm associado a ‘startups’ e entidades deste setor da mobilidade partilhada para o início de parcerias e ‘joint ventures’. A Transportes em Revista já lhe deu a conhecer vários exemplos destes serviços, desde a DriveNow, passando pela IONIQ Carsharing em Amsterdão com viaturas Hyundai, até aos Estados Unidos da América onde a VIA e a Daimler, com vans da Mercedes, têm um projeto de transporte partilhado.

Um dos mais recentes serviços de carsharing começou no passado mês de dezembro no país vizinho. Em Madrid, a Renault uniu esforços com o operador de serviços urbanos Ferrovial, e criou a Zity. Esta plataforma de partilha de viaturas opera no centro da capital espanhola e começou com uma frota de 380 Renault ZOE Z.E. 40. O objetivo é colocar 500 automóveis ao serviço, de forma gradual.

A Zity funciona de forma muito semelhante à DriveNow na capital portuguesa. Para utilizar a aplicação basta descarregar a app no smartphone, registar-se na plataforma e escolher o automóvel mais perto. Tal como a DriveNow, a Zity disponibiliza um serviço ‘cardless’, isto é, não é necessário chave para abrir, fechar ou ligar as viaturas. As tarifas são igualmente bastante competitivas, com preços de 0,21 euros/min. ou 55 euros diários. Aliás, esta aposta forte da Zity vem no sentido de competir com a Emov e a Car2go, outros dois serviços de carsharing em Madrid. Para já, os ZOE da Zity operam numa área geográfica de 75 km2 no centro e norte da capital madrilena.

Da Alemanha surge a MOIA, a mais recente empresa do grupo Volkswagen, na vertente da mobilidade partilhada. Neste caso, o objetivo é ousado: “ser um dos líderes mundiais em serviços de mobilidade até 2025”. Oficialmente lançada em dezembro de 2016, a empresa apresentou recentemente o seu novo veículo elétrico com capacidade até seis passageiros (mais o condutor). O T6 Multivan deriva do modelo comercial Transporter, ainda que mais moderno e futurista. Com cerca de 300 quilómetros de autonomia e uma recuperação de 80% da bateria em apenas 30 minutos, o T6 é ideal para deslocações partilhadas em grandes centros urbanos.



Para já, a MOIA opera uma frota de 20 veículos na cidade alemã de Hannover, desde outubro do ano passado, e conta colocar em funcionamento 200 viaturas em Hamburgo já no início deste ano. O objetivo é simples, retirar um milhão de carros dos centros urbanos. Esta é a premissa dos fabricantes de automóveis que começam a ver o ‘business’ noutras áreas de atuação, por sinal, mais amigas do ambiente. A MOIA caracteriza-se como uma “empresa independente” com foco no desenvolvimento de novas formas de ridehailing e ridepool através de investimentos em “startups digitais e na colaboração com cidades e operadores de transporte”.

Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, o serviço Chariot opera uma frota de carrinhas Ford Transit Wagon, conduzidas por motoristas profissionais. O objetivo é, mais uma vez, que as pessoas partilhem as suas viagens e deixem de usar veículos particulares. O Chariot opera nas cidades de São Francisco e São José, na Califórnia; Seattle; Austin e Santo António, no Texas; Colombus, no Ohio; Nova Iorque e Londres.

O serviço da Chariot apresenta-se diferente dos anteriores. Neste caso, existem rotas pré-definidas podendo os passageiros reservar as suas viagens com antecedência. As carrinhas Ford Transit Wagon têm até 14 lugares sentados e wi-fi a bordo para que os passageiros possam ocupar da melhor forma o tempo nas suas deslocações. Quanto às tarifas, a Chariot oferece várias modalidades de pagamento, desde tarifas diárias, até passes mensais com acesso limitado ou ilimitado para todas as rotas. É assim que se caracteriza a plataforma: “acessível, eficiente e moderna”.

O Grupo PSA, detentor da Peugeot, Citroën e Opel, encontra-se no “jogo da mobilidade partilhada” desde 2016 e dá cartas em 17 cidades europeias e nos Estados Unidos. Mais uma vez, a prestação do serviço de mobilidade é diferente, mas o objetivo semelhante. A plataforma digital Free2Move agrega vários serviços de partilha de viaturas, permitindo aos utilizadores comparar a localização, as características e os custos dos vários operadores disponíveis. Entre os serviços de carsharing encontram-se empresas como a Car2Go, a DriveNow, a Drivy, a Zipcar, a TravelCar, a Cambio, a Emov ou a eCooltra, que variam de cidade para cidade.

O ‘main goal’ do Grupo PSA, com a plataforma Free2Move, é idêntico ao da MOIA: “ser uma referência mundial em serviços de mobilidade até 2030” e alcançar “36 milhões de utilizadores de carsharing até 2025”.

Com automóveis, vans, motos ou bicicletas. Elétricos ou não. Através de aplicações móveis ou da ‘web’. Em parceria ou independentes. Tudo vale no negócio da mobilidade partilhada e sustentável. O trânsito, o congestionamento, a poluição e, acima de tudo, a liberdade das pessoas, são hoje preocupações para a maioria dos fabricantes de automóveis que já olham para a mobilidade partilhada como o negócio económico-sustentável do futuro.

por Pedro Venâncio

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