10/11/2017


O FREVUE diz que sim
Podem os veículos elétricos urbanos de mercadorias ser sustentáveis?

Com início em 2013, o projeto europeu “FREVUE – Freight Electric Vehicles in Urban Europe” tem como objetivo demonstrar a viabilidade de veículos elétricos urbanos de mercadorias, em alternativa às tradicionais viaturas a diesel.



O “FREVUE – Veículos Elétricos de Mercadorias em Meio Urbano na Europa” é um projeto cofinanciado pela União Europeia responsável por demonstrar se, e como podem os veículos elétricos urbanos de mercadorias (carrinhas, furgões e camiões) serem alternativas viáveis face aos tradicionais veículos de distribuição a diesel. Desde 2013, ano em que teve início este projeto, que os veículos elétricos associados ao FREVUE já percorrem 757 mil km, o equivalente a 19 voltas à Terra! O Livro Branco dos Transportes de 2011 aponta para “zero emissões de CO2 na logística dos grandes centros urbanos até 2030”.

Assim nasceu o FREVUE, apontando que o “zero” só seria possível com a utilização de veículos elétricos na logística e distribuição nos grandes centros urbanos. Responsável pela avaliação de soluções inovadoras para a logística e transporte urbano, o FREVUE está identificado pela Comissão Europeia como um dos principais projetos ao nível da mobilidade sustentável.

Atualmente, o projeto tem demonstrações de sucesso em oito grandes centros urbanos, incluindo seis capitais: Lisboa, Madrid, Londres, Milão, Amesterdão, Roterdão, Oslo e Estocolmo. Uma vez que cada cidade apresenta diferentes políticas e regulamentações para a introdução destes veículos, é necessário uma estreita cooperação das empresas com as autoridades locais, indústrias e parceiros.

A capital portuguesa é mesmo o centro europeu que mais viaturas elétricas de mercadorias tem em circulação (28), nomeadamente: 11 Renault Kangoo Maxi ZE, da EMEL e 17 viaturas dos CTT – Correios de Portugal (5 Renault Kangoo Maxi ZE, 5 Renault Kangoo e 7 Nissan eNV200).

Além do aumento de veículos elétricos nas frotas de empresas de logística e transporte urbano, o FREVUE tem como objetivo criar uma base de dados a nível europeu sobre práticas de sustentabilidade para estes operadores de transporte e logística, justificando políticas de intervenção que promovam o uso generalizado de veículos elétricos nas cidades.

O FREVUE admite que a maioria dos veículos elétricos disponíveis já são tão ou mais eficientes que os seus pares a diesel, com a vantagem de reduzirem a poluição sonora e emitirem significativamente menos gases com efeito de estufa. Certo é que estes veículos ainda não se coadunam às expetativas de todas as empresas de transporte urbano, pelo que projetos como o FREVUE sejam um pequeno mas grande passo a ser dado a curto/médio prazo para perceber o que pode ser feito para alterar o paradigma existente.

O projeto salvaguarda ainda que podem ser reduzidas as emissões de CO2 em 45%, assim como reduzidos os níveis de impacto ambiental e para a saúde pela utilização de veículos de transporte urbano de distribuição e logística. Mais, o aumento da frota das empresas com este tipo de viatura reduziria o custo das obrigações governamentais pela emissão de gases poluentes. A título de exemplo, o FREVUE avança que em Londres, até 2021, se apenas 10% da frota de veículos de transporte urbano fosse elétrica, o impacto seria de uma poupança a rondar 1 bilião de euros.

Se é tudo tão simples, porque é que não existem mais veículos elétricos de mercadorias em circulação nas cidades?
Os veículos de distribuição ainda enfrentam dificuldades de operacionalidade sustentável nos grandes centros urbanos europeus. Por um lado, o elevado investimento à cabeça, por parte das empresas na remodelação das suas frotas dificulta a generalização deste tipo de veículos.
 
Por outro, o número de quilómetros percorridos por carregamento ainda não é o desejável, principalmente porque não existem postos de carregamento suficientes nas cidades, dificultando, assim, o carregamento das viaturas.

O FREVUE reconhece as limitações atuais, mas salienta que o paradigma se vai alterando com a entrada de novos agentes, novas empresas de distribuição de veículos e equipamentos e novas entidades ligadas ao setor dos veículos elétricos de mobilidade urbana.

Quando o setor apresentar mais e melhores alternativas, invariavelmente o preço das viaturas, das baterias e dos carregamentos irá diminuir, permitindo às empresas adquirir equipamentos elétricos rentáveis para as suas operações de logística e distribuição nos centros urbanos.

São várias as empresas a nível europeu que já têm nas suas frotas veículos elétricos de mercadorias a fazer distribuições diárias de forma rentável e sustentável.  Em Lisboa, os CTT – Correios de Portugal têm uma frota com 17 veículos elétricos operacionais, e esperam aumentar este número para 20 viaturas em 2018, 30 em 2019 e 40 em 2020. Em Amsterdão, a Heineken distribui cerveja em camiões elétricos de 12t, 13t e até 19 toneladas.

E em Londres, a empresa de distribuição UPS já possui uma frota em que um terço dos veículos de mercadorias são elétricos.

O futuro é hoje, e para as empresas, a aquisição de veículos elétricos de logística e transporte urbano vai requerer novos e melhores conhecimentos, assim como o estabelecimento de novas parcerias com entidades ligadas à tecnologia. O FREVUE avisa que para isto é preciso tempo... Todavia, as políticas para uma mobilidade sustentável vão-se alterando, e como tal, cabe às empresas fazer a preparação passo a passo, para que a mudança seja preparada antecipadamente e ajustada às necessidades atuais.

CTT, EMEL e CML parceiros do projeto FREVUE
Os CTT – Correios de Portugal fazem parte do projeto FREVUE desde 2014 e, desde então, já introduziram 17 veículos de transporte urbano de mercadorias na sua frota na capital portuguesa. Estas viaturas estão atualmente ao serviço da rede CTT na entrega e recolha de correspondência, onde adquiriram particular relevância em termos de sustentabilidade em operações de distribuição e logística. Além dos elétricos ligeiros, os CTT possuem a maior frota de veículos alternativos em Portugal, superior a 400 viaturas: bicicletas, scooters, triciclos e quadriciclos elétricos, e bicicletas convencionais a pedal.

Todos estes veículos enquadram-se nas necessidades de distribuição dos CTT no centro de Lisboa, uma vez que os circuitos realizados não ultrapassam, em média, os 50 km. Dado que as viaturas são carregadas na totalidade durante a noite, ou por necessidade, numa das convencionais estações de carregamento, a fiabilidade de operação destes veículos é, hoje em dia, elevada.



A parceria com o FREVUE permitiu aos CTT a entrada de mais veículos elétricos ano após ano desde 2014, traduzindo-se no aumento de infraestruturas e estações de carregamento dos veículos, na formação de condução “eco-defensiva” dos seus condutores, na monitorização e acompanhamento permanente das viaturas e ainda na realização de questionários de satisfação a clientes, parceiros e trabalhadores. A EMEL – Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa tem, tal como os CTT, uma frota de veículos elétricos em circulação no centro urbano lisboeta. As 11 viaturas ligeiras realizam operações de logística e recolha de dinheiro em parquímetros, com ou sem percurso previamente definido, ainda que não excedam os 50 km diários. Da mesma forma que os CTT, os veículos da EMEL são carregados durante a noite no Centro de Operações da empresa ou em qualquer estação MOBI. E pública, se necessário.

A Câmara Municipal de Lisboa integra o leque de parceiros do FREVUE, assim como todas as entidades municipais dos centros urbanos que fazem parte deste projeto europeu de mobilidade sustentável.


por Pedro Venâncio
 

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