8/28/2017


A mobilidade agita os transportes

Captar valor económico foi o tema subjacente ao último Encontro Transportes em Revista, realizado no passado mês de julho, em Lisboa.

Em poucas palavras e de forma telegráfica, diria que duas ideias ficaram na mente de quem participou ou acompanhou esta edição. A primeira é que existem caminhos e áreas onde é possível captar mais valor económico, tanto por parte do Estado como pelos agentes económicos, e a segunda é que através das diversas apresentações, das múltiplas intervenções e mesas redondas, ficou patente que a mobilidade anda a agitar os transportes.

Basta olhar à nossa volta e observamos que diversas entidades já definiram estratégias e iniciaram percursos que visam alargar a sua atividade em áreas de negócio complementares ao seu “core” e com elas, potenciar o seu crescimento e garantir mais economia.

Entidades que tradicionalmente estavam ligadas à gestão e exploração de infraestruturas, assumem-se hoje como agentes na corrida à prestação alargada de serviços de mobilidade, seja através de “car sharing”, seja através de plataformas agregadoras de oferta e procura ou outros sistemas que satisfaçam as necessidades dos consumidores. Empresas que durante anos se posicionaram como fornecedores de equipamentos e sistemas de gestão de tráfego, estão hoje a desenvolver capacidades para a recolha de dados, cujos equipamentos podem proporcionar, e que têm alto valor para a gestão das cidades. Marcas que sempre produziram e comercializaram veículos estão hoje a concorrer no desenvolvimento de novos serviços de mobilidade. Estes são alguns dos exemplos que passaram pelo 11º Encontro Transportes em Revista. Todos sinalizaram e deram conta de como a mobilidade está a produzir impactos profundos nos transportes.

Para os descrentes, e para os que insistem em não estar presentes nestes fóruns e continuam desatentos à importância da evolução, chamo a atenção para a recente abertura da ANTROP, anunciada neste Encontro, em incorporar na associação outros operadores que asseguram transporte público, independentemente do modo em que o prestam.

Pela importância desta evolução associativa, a declaração do seu presidente, “Acabou o tempo das empresas de camionetas. Agora falamos de empresas de mobilidade”, em entrevista publicada nesta edição, é bem demonstrativa do reconhecimento e da necessidade que os operadores têm em fazer parte desta mudança.

Para os que mesmo assim ainda não se convenceram da repercussão que esta dinâmica está a produzir, observem o trabalho e os resultados que a Área Metropolitana do Porto tem vindo a realizar com a integração dos vários operadores de transportes públicos no grande Porto, além da sempre complexa integração bilhética e tarifária. Com os pés bem assentes na realidade e partindo desta, sem a ambição de ser autoridade, apenas por sê-lo, é um bom exemplo de que com visão partilhada, vontades comuns e transparência, capacidade de diálogo e envolvimento, é possível atingir maiores desempenhos, criar mais economia, conquistar mais mercado e melhorar a vida das populações. Assim, também se assegura a defesa do chamado Estado Social e a sua Sustentabilidade.

por José Monteiro Limão

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