4/4/2017


A oportunidade

Numa Europa e num Mundo onde a realidade é mais volátil que o éter, Portugal tem assistido a desempenhos invulgares em algumas áreas da mobilidade de bens.

Desde logo a atividade portuária, que em 2016 atingiu o melhor resultado de sempre, tendo o volume de carga movimentada ultrapassado os 93,9 milhões de toneladas, ou seja mais 5,1% face ao ano anterior. Também o transporte rodoviário de mercadorias teve, em 2016, um ano que se pode considerar de ouro. A atestá-lo estão o número de veículos pesados comercializados, 5.124 unidades, o que representa um crescimento de 19,4 por cento, face a 2015.

Se acrescentarmos os indicadores da exportação nacional, podemos concluir que 2016 foi um ano de saldo muito positivo para o setor.

Sabendo que a tendência aponta para a continuação do crescimento do transporte de mercadorias nos próximos anos e atendendo ao interesse que os mercados do oriente têm em desenvolver rotas e “hubs” de distribuição para a Europa, Portugal tem, nestas circunstâncias, boas oportunidades para reforçar e consolidar a sua importância geoestratégica e posicionar-se como verdadeiro destino europeu para as mercadorias oriundas do hemisfério sul, em particular as da rota do cabo.

Para tal importa que saibamos aproveitar as oportunidades que as circunstâncias nos oferecem e saber tirar o maior partido dos fundos europeus disponíveis, por forma a reforçar as capacidades do sistema portuário e da rede ferroviária nacional, sem os quais, as oportunidades, não passaram disso mesmo.

É importante que os investimentos anunciados, integrados no Plano da Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária - Horizonte 2016-2026 ou no Plano Ferrovia 2020, sejam realizados de forma integrada e concertada com os responsáveis pela gestão dos territórios e que sejam também o motor de dinamização da Economia regional.

Se os investimentos em infraestruturas são determinantes para a capacitação e competitividade das cadeias de transporte, estes terão, por outro lado, de garantir a valorização e potenciação dos territórios onde a dinâmica industrial e empresarial podem e devem ser alavancados e contribuir para a captação de novos investimentos e contribuir para o crescimento económico das regiões e do País.

Desperdiçar esta oportunidade é descurar o interesse que é de todos.
“As oportunidades não abundam, e raramente ?as encontramos uma segunda vez.”
Luis Buñuel



por José Limão

Por:
Fonte: