2/14/2017

 

O que passa depressa é o tempo que passou

Recentemente o País assistiu à comemoração do 80º aniversário do maior e mais antigo Grupo português ligado à armação, à movimentação e gestão de terminais portuários e à indústria naval, entre outras áreas. Facto notável, atendendo às circunstâncias que, nas últimas décadas, alguns destes setores, têm vivido.

Temos um longo passado de que nos orgulha, mas não adormecemos à sombra desse passado”. Foi assim que o seu principal responsável, caracterizava a provecta idade, mas também a permanente inovação e internacionalização que ultimamente o Grupo tem trilhado, com sucesso de realce.

A frase poderá parecer um cliché, daquelas, tiradas de qualquer sítio da internet, mas, vindo de quem vem, ela significa muito mais do que aquilo que diz.

De facto, tamanho feito, como todos os feitos, não são obra do acaso ou apenas da sorte. Ela resume a importância de se ter uma visão, de definir estratégias realistas e de construir planos de ação exequíveis, pilares essenciais para o crescimento e para o sucesso. É evidente que a estabilidade das políticas, a competência na gestão e a capacidade em assumir riscos, são igualmente fatores determinantes, sem os quais os grandes feitos não acontecem.

Ao apresentar a Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária-Horizonte 2016-20126, o Governo explanou a sua visão para o sistema portuário nacional, apontando como pilares essenciais a adequação das infraestruturas e equipamentos, a melhoria das condições de operacionalidade e a criação de plataformas de aceleração tecnológica e novas competências.

Estes serão os objetivos que enquadram a estratégia para diversas áreas que vão desde a ampliação e construção de novas plataformas, construção de novas acessibilidades ferroviárias, passando pelo aprofundamento da eficiência das operações, através das plataformas digitais já existentes, até à criação de novas competências e novas áreas de negócios, como sejam a criação de plataformas de aceleração tecnológica em indústrias avançadas do mar, as energias renováveis e robótica, reparação e construção naval, criação de “clusters” e incubação de “startups” e até à criação de áreas de serviço para abastecimento de navios GNL e de um “hub” reexportador de gás natural.

Tendo Portugal um forte potencial de crescimento do seu sistema portuário e num momento em que o comércio internacional apresenta um cenário que nos é favorável, esteve bem o Governo ao definir agora a visão estratégica para o setor, por forma a colocá-lo numa rota de crescimento e captação de mais investimento que o País tanto necessita.

Tendo algumas dúvidas que os 50 milhões de euros/ano de investimento público, para todo o sistema portuário seja suficiente para seduzir a captação de 200 milhões de euros/ano de investimento privado, durante a próxima década, teremos de acreditar que com o aumento da eficiência da operação portuária e a abertura a novas áreas de negócio, isso venha acontecer, sob pena de se tornar mais um plano estratégico sem realismo e com alto grau de exequibilidade.

Como disse e bem o Presidente da República, “Tem de haver estabilidade de linhas fundamentais e depois capacidade de ajustamento tático... estar a empatar tempo, é estar a perder tempo”.

Na economia, como na vida, o tempo é o nosso maior património!
       “O tempo que passa não passa depressa.
        O que passa depressa é o tempo que passou.”
        Vergílio Ferreira


por José Monteiro Limão

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