1/22/2016

Corredor Atlântico pode ser solução

«É urgente melhorar as ligações ferroviárias com a Extremadura»

Juan Romero Miranda, da Plataforma Logística del Suroeste Europeu, infraestrutura localizada em Badajoz, revelou à Transportes em Revista que «é fundamental a existência de uma boa conexão ferroviária entre a Extremadura espanhola e os portos portugueses. O Corredor Atlântico ferroviário pode ser uma solução». De acordo com aquele responsável, que falava à margem do VI Seminário Plataformas Logísticas Ibéricas, que teve lugar em Setúbal, a maioria das exportações expedidas pela Extremadura espanhola têm como destino os portos nacionais, com 55 por cento das mercadorias a serem exportadas pelo porto de Sines, 25 por cento por Setúbal e o restante a ser dividido entre Lisboa e Leixões. «São cerca de 30 a 40 mil contentores/ano e mais de metade sai pela fachada atlântica. A implementação do Corredor Atlântico irá permitir aumentar o tráfego ferroviário com os portos portugueses. Neste momento, a plataforma logística del suroeste europeu é o principal nó logístico intermodal com capacidade supranacional na Península Ibérica e é o único com capacidade para operar comboios com mais de 750 metros. É urgente aumentar a competitividade do transporte ferroviário intermodal europeu de mercadorias e as atuais políticas europeias são fundamentais para o desenvolvimento das nossas ligações e respetiva capacidade de carga».
Para além da criação do Corredor Atlântico, existem outras formas de potenciar as ligações comerciais entre aquela região e os portos nacionais, disse Juan Miranda. Uma das medidas que está em equação é a criação de uma zona franca em Badajoz. «A zona franca de Badajoz é uma iniciativa das várias administrações que passaram pelo Governo da Extremadura. É um processo administrativo que não necessita de nenhuma infraestrutura adicional. A sua implementação depende da vontade política. Essa existe mas é necessário coloca-la em prática. Será um elemento de atração que irá beneficiar as empresas importadoras e exportadoras a um nível económico e fiscal. A Extremadura tem uma grande capacidade produtiva de alimentos e necessidade de os exportar. A criação de uma zona franca em Badajoz iria beneficiar em muito os portos portugueses e todo o seu hinterland».

“Setúbal necessita aumentar capacidade ferroviária” – Vítor Caldeirinha

Durante o VI Seminário Plataformas Logísticas Ibéricas, organizado pelo Porto de Setúbal e pela aicep Global Parques e que teve como tema principal “Como atrair novos clusters logísticos e industriais e criar emprego?”, o presidente do Porto de Setúbal, Vítor Caldeirinha, disse que será necessário aumentar a capacidade atual da infraestrutura ferroviária “para termos mais cinco comboios por dia, além dos 21 atuais. Já estamos a candidatar, com a Infraestruturas de Portugal, este investimento”, é um projeto de melhoria do acesso ferroviário à zona central do porto, que já ocupa o segundo lugar no âmbito das cargas nacionais, no movimento diário de comboios.
Atualmente, o Porto de Setúbal já está ligado à Extremadura através de 4 comboios semanais, esperando-se que este número venha a aumentar este ano. Porém, o maior incremento que se deseja, do movimento de cargas de e para Espanha está diretamente relacionado com a construção do Corredor Atlântico, que permitirá uma redução de 137 quilómetros e a operação de comboios mais longos e em menos tempo, aumentando assim a competitividade deste modo de transporte.
O presidente da APSS, disse ainda que o futuro da região de Lisboa passa pelo Porto de Setúbal, com carga de hinterland”, um porto que se deve difundir e maximizar, relevando “a melhoria tão necessária das acessibilidades marítimas e terrestres para o futuro”, com acessos marítimos em mais 1 a 2 metros para receber os navios shortsea, que aumentaram ligeiramente de dimensão, cujo estudo ambiental será brevemente entregue às autoridades.
 

Por: Pedro Pereira
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