quarta-feira, 27 de Março de 2019

 
caetano 468x60
Passageiros & Mobilidade
12-04-2012
Card4B
Tecnologia nacional ao serviço da bilhética

Nos últimos anos assistiu-se à generalização da tecnologia da bilhética sem contacto associada ao setor dos transportes. Os benefícios são imensos, quer para empresas, quer para clientes e o número de projetos tem tendência para crescer, agora para fora das duas grandes áreas metropolitanas nacionais. Para além das grandes multinacionais, o setor também acolhe outras empresas nacionais que começam a “dar cartas” no fornecimento de soluções, como é o caso da Card4B.


Dentro do setor dos transportes e, mais precisamente, na vertente associada às novas tecnologias, não é nenhuma novidade o facto de os técnicos portugueses serem bastante considerados a nível internacional. Empresas como a Novabase ou a Link, apenas para citar alguns exemplos, são pioneiras no desenvolvimento de soluções aplicadas à bilhética no setor dos transportes. Esta capacidade levou à internacionalização destas mesmas empresas e respetivos produtos. Esta dinâmica, associada à maturidade do próprio setor nestas áreas, permitiu que outras empresas pudessem surgir e crescer, como foi e é o caso da Card4B.

Segundo Henrique Parente, CEO da Card4B, a empresa «surge no fim de 2007 e resulta de um pequeno conjunto de pessoas que saíram da Novabase e que continuaram a trabalhar na mesma área onde já trabalhavam há cerca de 15 anos, nomeadamente em soluções para transportes e mobilidade. No início de 2010 integrámos um outro conjunto de pessoas que também trabalhavam na área e com o qual nos cruzámos bastante no nosso passado e que vieram da Link Consulting». Uma dessas pessoas é João Almeida, outro dos administradores da empresa e com um passado bastante ligado a projetos associados ao setor dos transportes e na área do ticketing. E é nesta área que se desenvolve, fundamentalmente, o “core business” da Card4B, conforme refere João Almeida: «o nosso core são a produção de componentes para soluções de bilhética. Estamos a trabalhar nas áreas do ticketing e soluções de mobilidade. Fazemos componentes que são utilizados em diversas soluções do mercado». No entanto, não é fácil para uma empresa ainda de pequena dimensão entrar num mercado já por si muito competitivo e onde proliferam as grandes multinacionais. É por esse motivo que, estrategicamente, a Card4B opta por realizar parcerias com essas mesmas grandes empresas. De acordo com Henrique Parente, «procuramos trabalhar em regime de parceria com diversas empresas fornecedoras de sistemas mais globais e temos um conjunto de peças e produtos que são reutilizáveis em várias plataformas. Esta estratégia traz-nos várias vantagens, para além dos benefícios claros que decorrem de uma parceria. Uma das mais importantes prende-se com a nossa capacidade em estarmos em diferentes mercados, nacionais e internacionais. O facto de irmos em parceria com um integrador local traz vantagens visíveis para ambas as empresas e permite-nos atingir esses mercados». O facto de o mercado nacional ser curto, aliado ao “background” e reconhecimento internacional que os técnicos da Card4B possuem, levou a que a empresa pudesse ter acesso a outros mercados. «Neste momento, a nossa atividade é desenvolvida 50 por cento no mercado nacional e 50 por cento no mercado internacional» revela Henrique Parente, que adianta o facto de a empresa ter crescido no ano passado, mantendo a tendência verificada desde a sua criação. E se, em Portugal, a Card4B está a desenvolver vários projetos (ver caixa), no estrangeiro a empresa marca presença em países como Bélgica, França, Brasil, Angola, entre outros.

«No Brasil temos tido sobretudo trabalhos de consultoria. Mas estamos a tentar encontrar o momento certo para colocarmos os nossos produtos. Em Angola tivemos pequenas incursões e desenvolvemos uma solução de ticketing para os caminhos-de-ferro de Luanda, que voltou a circular no ano passado. Na Bélgica começamos por fazer consultoria mas agora estamos envolvidos num projeto no maior operador belga de transportes, uma empresa chamada “De Lijn”, que opera sobretudo na zona flamenga. O projeto envolve a componente de segurança da bilhética, que é uma das áreas mais importantes deste tipo de sistemas. Em França, temos uma grande parceria com a Thales França que envolve diversas soluções. Temos igualmente projetos que envolvem um pólo tecnológico da Accenture que tem sede em França e somos um dos fundadores do projeto Europtima, em conjunto com a Otlis e a Veolia» refere Henrique Parente.
 

Portal VIVA” – Carregamento de passes e títulos online

Um dos principais projetos desenvolvidos pela Card4B, em parceria com a Thales, é o respeitante à implementação da bilhética sem contacto nos operadores rodoviários privados da Área Metropolitana de Lisboa, e que integra as empresas Vimeca, Scotturb, Rodoviária de Lisboa, Transportes Sul do Tejo, Henrique Leonardo da Mota, Isidoro Duarte e Barraqueiro Transportes. Este projeto de grande envergadura, desenvolvido pela OTLIS - Operadores de Transportes da Região de Lisboa, é comparticipado por verbas comunitárias do FEDER e pretende generalizar e integrar a bilhética sem contacto, já existente nos operadores públicos, junto das empresas privadas, garantindo o acesso dos cidadãos da Grande Lisboa ao sistema de transportes públicos. Através da instalação de equipamentos a bordo dos veículos, passa a ser permitida a validação e controlo dos títulos que são carregados nos suportes Lisboa Viva e Viva Viagem.

No entanto, e à margem deste projeto, a OTLIS lançou recentemente um concurso para o desenvolvimento de um portal onde fosse possível, entre outras coisas, solicitar a emissão de cartões Lisboa Viva, efetuar compras e carregamentos de títulos online, entre outros. O concurso foi ganho por um consórcio constituído pela Card4B e pela Novabase. Para Henrique Parente, «o “Portal Viva” pretende ser um local onde os passageiros de transportes públicos possam, comodamente em sua casa, realizar várias operações que permitam melhorar a sua mobilidade. O portal terá três principais objetivos. Terá uma componente informativa, permitindo ao cliente saber tudo aquilo que quiser sobre o sistema de transportes da área metropolitana de Lisboa, de uma forma intuitiva e fácil. Isto inclui preços de tarifas e passes, redes dos vários operadores, horários, entre muitos outros. Tudo isto será integrado com os diversos sites que já existem, como o do Transporlis e dos diversos operadores de transportes, que têm bastante informação. Depois há um segundo objetivo que é permitir aos passageiros poderem requisitar online a emissão do seu cartão “Lisboa Viva”, algo que até agora não é possível. O terceiro objetivo é fazer com que os clientes tenham a possibilidade de adquirir e carregar o seu título online. Poderão fazê-lo na hora, para tal basta terem um leitor de cartões, semelhante aos que se utilizam para o cartão do cidadão, ou outro dispositivo que funcione como cartão e que disponha de um interface USB». Para o responsável da Card4B, este portal não «pretende substituir nenhum outro já existente. É apenas mais um suporte que terá diferentes e novas funcionalidades». Relativamente aos prazos para a entrada em funcionamento do “Portal Viva”, Henrique Parente e João Almeida não avançam com uma data específica. «O projeto arrancou há muito pouco tempo e todos os parceiros envolvidos preveem que possa estar finalizado no final do ano, o que claro está, depende de que todos os operadores estejam envolvidos e possam dar o seu contributo, que é um processo que leva o seu tempo». É igualmente necessário alguns procedimentos técnicos que permitam a integração de software da própria OTLIS, e que irão sofrer evoluções, de modo a permitir, por
por: Pedro Costa Pereira
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