quarta-feira, 27 de Março de 2019

 
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Passageiros & Mobilidade
15-07-2010
 
Transportes a pedido
As redes de transporte público clássicas, com horários e rotas fixas deparam-se com um problema quando aplicadas nas áreas rurais – a dispersão da população. Tipicamente, as zonas rurais são caracterizadas por pequenos municípios, dispersos por uma grande área, compostos maioritariamente por populações envelhecidas com necessidades esporádicas de utilização de transportes, como por exemplo, deslocações a centros de saúde ou aos centros urbanos para adquirir produtos normalmente inexistentes no meio rural.





De forma a garantir a estas populações a mobilidade necessária e satisfazer as suas necessidades, as redes de transporte têm de utilizar viaturas em percursos longos, viaturas essas que irão circular a maior parte do tempo vazias ou com muito poucos passageiros.

É neste contexto que nasce o conceito de transportes a pedido ou transportes flexíveis. Ao contrário do modelo tradicional de transporte público baseado em tabelas com horas e rotas fixas, este serviço rege-se pelas necessidades da população que serve, por exemplo: dias de mercado em que as populações aproveitam para adquirir os seus bens; consultas médicas ou outras necessidades do foro privado.

Os transportes a pedido baseiam-se então pela premissa de que todos temos direito a boas condições de mobilidade e, portanto, os seus serviços são orientados a reduzir os tempos de espera pelo transporte, servindo apenas as pessoas que dele necessitam.

Desta forma, os transportes a pedido apresentam características bastante distintas das dos transportes tradicionais, sendo as mais relevantes: a requisição do transporte ser feita pela população; a disponibilidade do serviço ser gerida por uma tabela de rotas e horários construída de acordo com as requisições efectuadas; e uma considerável redução de custos para os operadores do transporte proveniente da redução de quilómetros efectivamente percorridos pelas viaturas.



A redução de quilómetros percorridos afecta directamente os gastos em combustíveis e manutenção das viaturas. Esta redução de quilómetros provém da optimização das rotas efectuadas e dos recursos disponíveis, sendo que as rotas são traçadas diariamente de acordo com os pedidos efectuados, existindo sempre a possibilidade de não se efectuarem alguns troços do percurso normal ou até mesmo não se enviar a viatura devido à ausência de pedidos de transporte.

Subsiste também uma clara vantagem para o meio ambiente, associada à redução significativa das emissões de gases poluentes.

Os vários factores que caracterizam as regiões onde serviços de transporte flexível são implementados influenciam os níveis do serviço prestado. Estes níveis são de um modo geral caracterizados por três factores: a tabela horária; a rota e o itinerário, sendo que a rota representa o conjunto de paragens a efectuar; e o itinerário, que representa o percurso a ser feito para cobrir a rota delineada.

De acordo com as características das regiões, os serviços flexíveis poderão implementar um de três níveis de serviço: rota e horário fixo; rotas parcialmente fixas; e serviço livre. Muito semelhante ao modelo tradicional, o primeiro nível permite apenas a optimização do itinerário de acordo com as paragens que são realmente necessárias realizar.Nas rotas parcialmente fixas são considerados “corredores” horários e posicionais dentro dos quais as rotas e as tabelas horárias poderão ser alteradas dependendo dos pedidos efectuados. Finalmente, o serviço livre permite uma total flexibilidade na rota e na tabela horária de acordo com a procura.

Há ainda a possibilidade de criar um nível superior de flexibilidade relacionado com o tipo de transporte utilizado. Neste sentido, o número de passageiros previsto determina a capacidade necessária da viatura que efectuará o itinerário. Desta forma, é possível substituir o tradicional autocarro por um mini bus ou até mesmo por um táxi quando o número de passageiros é muito reduzido. Claro que esta relação intermodal exige consenso entre vários operadores e é mais complexa de implementar e gerir.


Funcionamento geral do sistema de transportes a pedido implementado pela GMV

Actualmente verificam-se várias implementações de transportes a pedido, sendo que em Portugal, encontrando-se duas em estado avançado de desenvolvimento, uma num município do norte de Portugal e outra numa comunidade intermunicipal no centro do País. Espera-se que estes exemplos sejam factores impulsionadores para que outras regiões do país adoptem iniciativas semelhantes.

Adicionalmente, os casos de sucesso mais próximos da realidade portuguesa encontram-se em Espanha, na comunidade autónoma de Castela e Leão (GMV Transportes a la Demanda), em Madrid (projecto Pardem) e nas Astúrias (ÓPTIBUS). Outras implementações de referência encontram-se na Suíça (PubliCar) e na Holanda (Regiotaxi).

No caso de Castela e Leão, estão actualmente cobertas 3108 localidades que ligam perto de 900.000 habitantes. Do universo de utilizadores, mais de 60% tem idade superior a 65 anos e apenas 10% tem menos de 50, metade usam o serviço apenas uma vez por semana e quase 70% são mulheres. Na globalidade, fazem uma avaliação muito boa do serviço (4.75 em 5), tendo sido apresentadas apenas 14 reclamações desde 2004.

Durante os próximos anos pretende-se estender esta rede a toda a população desta comunidade, ou seja, cerca de 2.500.000 de habitantes dispersos por 6.000 localidades.

Outro exemplo interessante encontra-se na Suíça, onde o sucesso levou à utilização cada vez maior dos transportes públicos por parte da população, conduzindo à necessidade de reimplantação de um sistema tradicional com horários e paragens fixas, como complemento ao sistema flexível. O sucesso associado a este serviço está a ser adoptado pelas autoridades francesas.
O futuro dos transportes a pedido passa pela adopção deste tipo de serviços em mais regiões, pela fusão de diferentes meios de transporte para além do transporte público (e.g. transporte sanitário, escolar ou especial) e pela inclusão de mais tipos de veículos.

Outro desafio importante é a utilização de transportes flexíveis como forma de alimentação das linhas regulares já existentes, integrando cada vez mais o meio rural e as periferias com os grandes centros urbanos.

A GMV, empresa com larga experiência na área de transportes, desenvolveu e mantém actualmente todo o sistema de transportes a pedido implementado na comunidade autónoma de Castela e Leão, em Espanha, sendo assim criadora do maior sistema Ibérico de transportes a pedido que serve de referência a nível europeu.




 
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