A Scania reforçou a sua gama de motores propulsados a gás natural, com a recente apresentação dos dois novos motores Euro 6, de 9 litros. Para promover o seu novo produto, a marca sueca organizou, em Madrid, umas jornadas sobre gás natural, que contou com a presença de transportadores, distribuidores de gás natural e entidades oficiais.
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Atualmente, 96 por cento da energia consumida pelo setor dos transportes provém de derivados petrolíferos. Com a escalada do preço do gasóleo verificada nos últimos anos e o aumento do peso do combustível nos custos de operação a procura por veículos propulsados a gás tem vindo a crescer, também porque cada vez mais existe uma maior consciência ambiental no setor dos transportes. Os operadores estão dispostos a tomar iniciativas para reduzir o impacto ambiental da sua atividade, apostando em tecnologias inovadoras que também lhes permitem reduzir os custos de exploração das suas operações de transporte. E dentro da vasta lista de opções alternativas ao gasóleo convencional, o gás natural é um dos combustíveis cuja tecnologia está mais desenvolvida. A própria Comissão Europeia tem apostado em políticas que beneficiam a aplicação destes sistemas alternativos de modo a conseguir reduzir a dependência dos derivados do petróleo, nomeadamente no setor dos transportes rodoviários de mercadorias de longa distância. Iniciativas como os “corredores azuis” ou o projeto “GasHighWay” pretendem criar em toda a Europa infraestruturas e redes de abastecimento de gás natural de modo a permitir que este combustível possa ser encarado como uma alternativa real. Neste sentido, a Comissão fixou já este ano o objetivo de até 2020 criar uma rede de estações de serviço a cada 400 quilómetros.
Para a Scania, “a redução do dióxido de carbono, a eficiência energética e as normativas sobre emissões, são parte do compromisso com o ambiente”. Neste âmbito, a marca oferece soluções de gás natural conforme a normativa Euro 5/EEV e lançou recentemente dois motores de gás Euro 6 como alternativa fiável ao diesel para reduzir as emissões contaminantes, emissões sonoras e redução dos custos com o combustível. Os operadores de transporte podem assim escolher entre quatro motores propulsados a GNC ou GNL.
Atualmente, com base num motor de 9 litros de ciclo Otto, gás, a Scania possui motores Euro 5/EEV nas versões 270 CV e 305 CV. A primeira versão tem uma autonomia aproximada de cerca de 300 quilómetros, estando mais dirigida para aplicações ao nível da distribuição urbana, camiões para recolha de lixo, caixas fechadas e carroçarias de lona, plataformas e caixas abertas, entre outras.
A Scania dispõe ainda de tratores movidos por motores a gás ciclo Otto e sistema de alimentação de combustível com tecnologia GNL, na versão 305 CV. Nesta versão, os depósitos de GNL são fabricados com os isolantes mais avançados do mercado, para manter o gás liquefeito a temperaturas criogénicas (-100 a -196 oC). A estas temperaturas o gás reduz enormemente o seu volume e pode armazenar-se até 3 vezes mais quantidade de gás comparado com o mesmo volume de GNC (gás comprimido a 200bar), o que permite uma autonomia bastante superior (entre 600Km e 1.100Km dependendo da especificação).
Na Feira de Hannover, a marca sueca apresentou a sua mais recente inovação, os novos motores Euro 6 de 9 litros, a gás, disponíveis em duas versões, 280 CV e 340 CV, e que deverão estar disponíveis em finais de 2013. As taxas máximas de binário são marcadamente elevadas para um motor de combustão Otto, o que abre a possibilidade de aplicações para além da atividade de transporte urbano. Com uma condução semelhante ao diesel, os novos motores a gás podem igualmente ser aplicados em serviços como a distribuição regional ou o longo curso. O âmbito de funcionamento de uma unidade de tração pode quase duplicar, graças à instalação de um depósito de gás líquido opcional – de 600 para cerca de 1100 quilómetros.
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Jornadas de Gás Natural
A Scania organizou, no passado mês de abril, o evento “Jornada Gás Natural Veícular, uma alternativa viável”, que teve lugar nos arredores de Madrid. Para além dos responsáveis da marca, estiveram também presentes fabricantes e distribuidores de gás natural, assim como operadores de transporte rodoviário de mercadorias, que possuem veículos a gás natural. E o balanço que os operadores fazem desta aposta é bastante positivo, conforme referiram os diretores das empresas Transportes Monfort e Disfrimur, salientando que é uma alternativa real. Entre as principais vantagens referidas estão, como é óbvio, o baixo custo do combustível, permitindo que os custos de operação sejam cerca de 22 por cento mais baixos quando comparado com o gasóleo. Por outro lado, os operadores salientam os regimes fiscais mais favoráveis e a drástica redução de emissões para a atmosfera, na ordem dos cerca de 80 por cento ao nível do CO2. O menor ruído em comparação com os motores diesel foi também uma das vantagens mencionadas (nomeadamente quando se trata de operações de distribuição urbana noturna).
No entanto, e apesar do crescente interesse despertado por este tipo de solução, existem ainda alguns problemas, tais como o custo de aquisição dos veículos que é cerca de 25 por cento mais caro do que um veículo a diesel. Por outro lado, também os custos de manutenção destes veículos são mais elevados cerca de 30 por cento.
Os operadores consideram ainda que para o desenvolvimento deste tipo de solução é necessário reduzir a diferença de preços que atualmente se verifica entre as duas tecnologias, o gás e o diesel, garantir que se mantém o atual nível de tributação do gás natural, de modo a evitar distorções no preço de venda, e desenvolver uma rede nacional e europeia de abastecimento.