sexta-feira, 10 de Abril de 2020

 
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Passageiros & Mobilidade
02-03-2020
Bilhética
Seamless Travel: descomplicar a utilização dos transportes
O ANDA, a aplicação móvel lançada pelos TIP – Transportes Intermodais do Porto e cujo coração foi implementado pela Card4B, foi premiada na categoria Best Customer Practice na sétima edição dos Calypso Awards, que teve lugar em Cannes. O conceito de Seamless Travel foi implementado pela primeira vez em Portugal e poderá ser alargado ao resto do país.



O que faz de uma viagem em transportes uma experiência perfeita? Sem dúvida, que quanto mais fácil e user friendly seja o acesso ao sistema de transportes, maior é a probabilidade de voltar e experimentar e tornar-se um cliente regular. O conforto dos veículos, o tempo de viagem, os horários, a rede de transportes, são fatores importantes na experiência pessoal de cada cliente, no entanto, atualmente, o utilizador tem duas grandes dificuldades: saber como vai do ponto A para o ponto B e saber como, onde e quanto tem de pagar por essa viagem. E é nestas componentes que entra o conceito de Seamless Travel, que pretende descomplicar a viagem de transportes públicos, para que o cliente, por exemplo, não tenha preocupações e não precise de conhecer o sistema de transportes e o seu tarifário. Para que tal aconteça, é necessário um sistema de bilhética que seja integrador e acessível a todos. Foi neste sentido que os TIP – Transportes Intermodais do Porto conceberam e implementaram a aplicação ANDA, disponível comercialmente desde junho de 2018, e generalizada a toda a região do grande Porto até meados de 2019, e que teve como principal objetivo simplificar a utilização do sistema intermodal Andante.

A inovação levada a cabo, levou mesmo o sistema a ser premiado na categoria Best Customer Practice (melhores práticas para o cliente) na sétima edição dos prestigiados Calypso Awards. Esta iniciativa premeia anualmente as entidades que contribuíram para a promoção e desenvolvimento da inovação em soluções para os transportes públicos.

A Card4B foi uma das empresas responsáveis pela concepção e implementação do ANDA, e que integrou e desenvolveu as componentes de motores e algoritmos que, com base nos sensores dos telemóveis, reconstroem os percursos e permitem o processamento das transações, além de toda a integração ao sistema bancário para efeitos de gestão de pagamentos das tarifas otimizadas. E foi também quem recebeu o prémio em Cannes. Mas, do projeto, fazem ainda parte a FEUP – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a OPT e a Spirtech.

A grande inovação que o ANDA veio trazer aos transportes em Portugal foi permitir que através de uma aplicação no telemóvel, o utilizador possa viajar e não ter de se preocupar em adquirir o respetivo título, uma vez que o sistema calcula automaticamente qual a tarifa mais adequada para o conjunto de viagens que efetuou durante um período. Não interessa se é um cliente ocasional ou regular, porque o ANDA define automaticamente quais são as necessidades de mobilidade do utilizador e quanto tem de pagar, otimizando o preço de acordo com o tarifário em vigor. Assim, o ANDA determina, por exemplo, se paga uma tarifa única ou um passe.

Segundo Henrique Parente, da Card4B, «o sistema reconstrói os percursos e calcula a melhor tarifa para o cliente. O cliente não compra o título, simplesmente utiliza o sistema que, ao mesmo tempo, reconstrói os percursos origem/destino e calcula a tarifa que o cliente tem de pagar, sempre na ótica do preço mais barato». Henrique Parente explica que «se, por exemplo, fizer quatro viagens de duas zonas – Z2, que custariam 1,20 euros cada uma, e a tarifa máxima diária permitida for 4,15 euros, o sistema não cobra os 4,80 euros, mas sim os 4,15 euros. Se dei autorização na aplicação para esse valor ser debitado na minha conta, através do ANDA é feito o respetivo pagamento e avisado o cliente. O ANDA calcula a melhor tarifa de acordo com o padrão de mobilidade do cliente, tendo em conta as origens/destino e os fluxos de mobilidade».

Outra das novidades que o ANDA vem trazer ao mercado, é o facto de o sistema tarifário deixar de ser pré-pago e passar a ser pós-pago. Mas para o utilizar é necessário cumprir uma série de regras. Primeiro, descarregar a aplicação e ter ativos no smartphone tecnologias como NFC, Bluetooth, acesso à internet e geolocalização. Depois é preciso associar uma conta a um cartão bancário. Após o registo, basta viajar no Metro do Porto, na STCP, CP e nos operadores rodoviários privados que estão integrados no Andante. No entanto, é necessário validar a viagem quando entra no veículo, tal como se de um cartão Andante se tratasse, uma vez que o sistema funciona sobre uma base tecnológica de NFC (que permite fazer o check-in da viagem de forma análoga ao cartão Andante) e Bluetooth. «O ANDA permite que o cliente viaje usando para isso o seu telemóvel, passando-o no validador e registando a sua vontade de viajar. Nos veículos, bem como nas estações, são instalados pequenos aparelhos, os beacons Bluetooth, que são ativados quando o telemóvel, previamente ativado, é detetado. Posteriormente, os motores e algoritmos da aplicação conjugam a validação e as deteções dos beacons construindo troços de origem e destino da viagem do cliente». No total, foram instalados cerca de dois mil beacons, adquiridos a dois fornecedores, para garantir que o sistema é aberto e exista uma independência entre a inteligência do software e o hardware dos fabricantes. Por outro lado, refere Henrique Parente, «com este sistema a autoridade de transportes e o operador fica com todos os dados de procura, que lhe permitem oferecer um melhor serviço de transporte, uma vez que pode adequar muito melhor a oferta existente. Este é um sistema pioneiro em Portugal, onde o conceito e o desenvolvimento de software é inteiramente português».

A caminho da interoperabilidade nacional
A tecnologia associada ao ANDA e a implementação do conceito de Seamless Travel permite uma grande variedade de soluções e inovações. Uma delas, por exemplo, é a possibilidade de se construir um sistema que seja interoperável a nível nacional. Conseguir utilizar os motores e algoritmos do sistema ANDA nos transportes de Lisboa, Coimbra, Viseu ou Faro é uma hipótese que pode ser real, desde que os sistemas de bilhética dessas cidades estejam abertos para integrar o sistema. Para Henrique Parente, a nossa visão é de que, no futuro «as pessoas possam escolher a aplicação que quiserem, uma vez que os motores de software e algoritmos do ANDA oferecem mecanismos de interoperabilidade entre as diferentes aplicações e os diferentes tipos de beacons, podendo tornar-se num sistema nacional sem que tenha de existir um fornecedor único, quer de aplicações, quer de beacons». O sistema permite, assim, que sites e aplicações de travel planning, como o Citymapper, o Transporlis ou o Moovit, possam ser integrados no sistema, permitindo novas soluções de mobilidade e oferecendo ao cliente uma maior escolha.

Segundo Henrique Parente, «num único sistema conseguimos integrar as soluções mais inovadores do mercado ao nível do Seamless Travel, do conceito de check-in/be out, na lógica do account base ticketing (ABT), e oferecer uma lógica de visão integrada de mobilidade com mecanismos compatíveis com outros modos, recolher dados de utilização e uma otimização de preço e dos pagamentos». O responsável da Card4B revela ainda que a empresa portuguesa está, neste momento, envolvida em vários projetos de Seamless Travel em Portugal, com projetos na área da validação em mais três cidades.

Para Henrique Parente, «o nosso plano é expandir o motor que está instalado no ANDA para outras cidades. Estamos motivados e interessados em mostrar que esta inovação é disruptiva e, ao mesmo tempo, complementar à nossa plataforma inovadora 4TICKETING Mobility Suite para autoridades e operadores, e até mesmo compatível com sistemas de bilhética mais clássicos que existam no terreno».
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