domingo, 27 de Setembro de 2020

 
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Passageiros & Mobilidade
18-02-2020
Rede Cais do Tejo
Lisboa promove transporte fluvial de passageiros
No final do primeiro trimestre de 2020, a Associação Turismo de Lisboa terá de apresentar uma proposta para a concretização da Rede Cais do Tejo, projeto que prevê a instalação e reabilitação de cais fluviais ao longo do Tejo para promover o turismo e a mobilidade fluvial entre margens.



No início de janeiro, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Associação Turismo de Lisboa (ATL) assinaram um protocolo de cooperação para estudo e desenvolvimento da Rede Cais do Tejo, a qual prevê a instalação, reabilitação e utilização progressiva de pontos e cais de acostagem para uma mobilidade mais alargada de pessoas no rio. Esta iniciativa poderá mudar significativamente a mobilidade entre as duas margens do Tejo, uma vez que poderá potenciar não só o turismo no rio, como também o transporte fluvial de passageiros, através de táxis fluviais e embarcações de recreio. A ideia surgiu por parte da vereadora da Câmara de Lisboa, Teresa Leal Coelho, que durante a apresentação do projeto referiu que “todos nós queremos que o Tejo seja uma via estruturante para a cidade de Lisboa e para ligar a outras cidades desta margem (norte), mas também a outras da margem sul”, acrescentando que o projeto é uma “ambição de todos os portugueses desde há muito tempo”.

O ponto central da Rede Cais do Tejo será o Cais de Lisboa, no Terreiro do Paço, sendo que estão previstos quatro cais principais em: Belém, Parque das Nações, Montijo e Cacilhas. Será ainda concebido um projeto especial para o Cais da Matinha e construídos mais sete cais complementares no Cais do Gás, Alcântara, Ginjal, Trafaria, Porto Brandão, Seixal e Barreiro.

Para Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa e da Área Metropolitana de Lisboa, “a Rede Cais do Tejo resulta do desafio à criação de novas formas de mobilidade e atividade económica. Este é um projeto que potencia as valências do rio em benefício dos lisboetas e de quem nos visita, numa clara aproximação das duas margens do rio e de valorização da oferta e serviços disponíveis”.

Vítor Costa, presidente da ATL, referiu que este projeto será uma “base para a criação de novos projetos” garantindo que haverá “preços competitivos para todos os atuais e futuros operadores”.

Nos termos do protocolo, até ao final do primeiro trimestre, a ATL terá de apresentar à autarquia uma proposta para concretização do projeto Rede Cais do Tejo, que inclui um plano de negócios e uma proposta de financiamento e calendarização.

Teresa Leal Coelho disse ainda que a Rede Cais do Tejo estará ainda disponível para operadores de transporte e de mobilidade, revelando que plataformas como a Uber e empresas de táxi já “mostraram interesse” no projeto. Neste sentido, a vereadora salientou que o projeto também tem como objetivo promover novas formas de economia, permitindo “intensificar, flexibilizar e convidar a iniciativa privada” a participar e “convidar a sociedade civil a utilizar mais as soluções de navegabilidade do Tejo”. Segundo Teresa Leal Coelho, no próximo verão “espero conseguir apanhar um Uber ou um táxi fluvial para ir jantar a outro lado da margem”.

A Rede Cais do Tejo vai ser implementada de forma faseada e progressiva. Numa primeira fase vai aproximar pontos de interesse e ligar os municípios de Lisboa, Almada, Seixal, Barreiro e Montijo. A rede é evolutiva e, no futuro, os concelhos de Oeiras, Loures, Alcochete, Moita e Vila Franca de Xira irão integrá-la. De referir que a Administração Porto de Lisboa e a Transtejo são parceiros deste projeto que deverá ser financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa e por uma parte do orçamento do Turismo de Lisboa.


Uber Boat pode chegar a Lisboa
Teresa Leal Coelho disse, durante a apresentação da Rede Cais do Tejo, que a Uber demonstrou “disponibilidade” para adaptar a sua plataforma digital para este projeto. Isto significaria que a empresa iria introduzir uma nova área de negócio em Lisboa que já existe em países como a Croácia, Índia, Turquia e Nigéria: a Uber Boat. Em declarações à Transportes em Revista, fonte da Uber confirmou que «fomos contactados pela Associação Turismo de Lisboa para uma avaliação preliminar do serviço no âmbito do projeto de implementação de uma rede de transportes fluviais no Tejo», adiantando que «a Uber é uma plataforma tecnológica que quer integrar várias modalidades de transporte». No entanto, a Uber ressalva que «o sucesso do projeto depende essencialmente da sua atratividade para os operadores marítimo-turísticos».

Neste sentido, é provável que vários operadores turísticos e plataformas de táxis também participem no projeto. No entanto, ainda nada está decidido, tal como adianta Vítor Costa, da ATL: “são projetos de desenvolvimento das operações ou de passeios ou de táxis-barco. Já há algumas ideias, mas nós aqui não estamos a entrar num negócio. A nossa competência não é essa. A nossa intenção é criar condições para que os projetos se desenvolvam. São as empresas que vão fazer”. Segundo o responsável, até ao momento, quem quisesse montar um negócio ligado ao transporte marítimo e turístico tinha de conseguir montar uma infraestrutura própria, garantindo que o estudo que a ATL irá desenvolver tem como objetivo “ganhar massa crítica” e fazer com que a infraestrutura (o rio) possa ser utilizada por todos.

Caso a Uber aposte neste projeto, é provável que possa importar para Lisboa o modelo de negócio que adotou nos vários países onde está presente com a Uber Boat e onde é possível reservar barcos com diferentes capacidades, não só para realizar transporte de passageiros regular entre ilhas e o continente como também para serviços turísticos.

por Pedro Costa Pereira

 
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