quinta-feira, 9 de Abril de 2020

 
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Carga & Mercadorias
13-02-2020

Com a fusão Chronopost e Seur
DPD vai movimentar 22 milhões de encomendas em Portugal
A Chronopost e a Seur juntaram-se e foi criada a marca DPD. Com esta fusão, a empresa estima que irá movimentar 22 milhões de encomendas em Portugal. Assim, será inaugurado um novo hub logístico em Lisboa. Olivier Establet, presidente do grupo DPD em Portugal, acredita no crescimento do e-commerce e fala sobre como se preparam para o Brexit.



Transportes em Revista (TR) – Portugal é o 22.º país a adotar a marca DPD, resultando da fusão da Chronopost com a Seur. Com a nova marca vem uma nova estratégia?
Olivier Establet (OE) –
O Grupo DPD já existe há uns anos e isso tem de ser enquadrado na história do nosso grupo GeoPost que é uma holding do grupo La Poste. O DPD nasceu por conta de aquisições sucessivas ao longo dos anos em vários países do mundo. Cada empresa tinha a sua identidade, continuavam a a existir marcas locais. No entanto, uma vez adquirida tem de existir uma visão comum, uma estratégia comum. A marca DPD era a marca mais visível dentro do grupo. A passagem para a marca DPD aqui em Portugal tem de se enquadrar neste processo em que pouco a pouco as operações da GeoPost em cada país passam a adotar a marca DPD. Portugal é o 22.º país que adota a marca DPD.
Esta mudança acontece agora, após a aquisição, nos últimos anos, da Seur, que é líder em Espanha do correio expresso. O facto de estarem a funcionar as duas empresas do grupo GeoPost – Seur e Chronopost – tornou necessário a definição de uma só marca. Para não ficarmos com nenhuma das duas, optámos pela marca do grupo.
 
TR – Com este crescimento, associando-se à Seur, qual a estratégia da DPD?
OE –
As duas empresas já se dedicavam ao correio expresso de pequenas encomendas em Portugal, cada uma especializada numa área. A Chronopost era líder de mercado doméstico em Portugal – encomendas de correio expresso de Portugal para Portugal. Enquanto a Seur é exatamente o mesmo em Espanha e também é líder dos fluxos que existem entre a Espanha e Portugal. O fluxo de encomendas de correio expresso, que transitam entre Espanha e Portugal, é entre um terço e metade do total de encomendas dos fluxos internacionais com Portugal. Existia essa complementaridade, posicionamento e agora com a fusão há uma match bastante natural entre as duas empresas, sendo que a estratégia continua a ser o correio expresso, pequenas encomendas. Aproveitamos a junção para existir algum cross selling evidente entre as duas empresas, sendo que clientes da Seur podiam não estar a utilizar a Chronopost e vice-versa e esta é uma parte do objetivo com esta fusão. O outro objetivo é uma questão de escala, que no nosso tipo de negócio traz vantagens. A somar a dimensão da Seur e da Chronospost em Portugal, a nova DPD vai movimentar mais de 22 milhões de encomendas em Portugal, alcançando assim a liderança do mercado. Com esta nova escala justifica outros investimentos de capacidade para poder não só dar conta do volume de atividade que as duas empresas juntas têm, como também para preparar os próximos anos. 

TR – A rede Pickup, os lockers fazem também parte da estratégia de futuro da empresa?
OE –
Inventamos em Portugal um novo conceito de entregas, em vez de entregar em casa. Entregamos num local alternativo que o próprio destinatário escolheu do seu agrado e para sua conveniência. Foi há sete anos que lançámos esse conceito. Não era novo no nosso grupo, mas fomos o segundo país que implementou esse conceito em toda a Europa. Temos tido muito sucesso na opção por esta solução. Hoje em dia temos 650 lojas, quando começámos nem 300 tínhamos. Pensamos que é um modelo que tem ainda condições para aumentar, apesar de o número de lojas por si só não ser o que mais importa. O mais importante é a proximidade com a população. Temos 95% da população em Portugal que se encontra a menos de dez minutos de uma loja Pickup. É isso que para nós é importante, uma otimização da localização. Esta solução vai ter desenvolvimento, até porque o e-commerce vai continuar a crescer em Portugal e a rede Pickup é uma solução para dar resposta ao aumento do e-commerce, por isso, estamos muito satisfeitos com os anos que passaram e o sucesso que já tivemos com a rede Pickup, mas ela vai aumentar ainda nos próximos tempos.
Os lockers são uma solução que também o nosso grupo já utiliza e é uma solução que estamos a olhar com muito interesse, aprendendo com outros países que já os instalaram, embora em Portugal ainda não tenhamos nenhum. Pensamos que fará parte da paisagem futura das entregas urbanas. Com o e-commerce a crescer e as cidades a precisar de trânsito menos congestionado e de menos poluição, os lockers são também uma ajuda. As entregas em casa exigem frotas cada vez maiores de automóveis, que entram e saem das cidades. Não são soluções sustentáveis e quer as lojas Pickup, quer os lockers são soluções de futuro.

TR – A empresa está também a desenvolver uma aplicação, a myDPD...
OE –
Está em fase iminente de ser divulgada. Uma app que está pensada para os destinatários. Os nossos clientes normalmente são os expedidores e temos vindo a desenvolver soluções que facilitam a vida dos nossos clientes. Desta vez é mesmo a pensar nos destinatários que lançamos esta app. Nos hábitos de consumo do e-commerce, vemos que cada vez mais se instala uma relação de confiança entre quem compra na internet e a empresa que vai entregar a sua encomenda. Quando se instala essa relação de confiança há uma preferência para ser servido pela mesmo empresa e achamos que é muito importante criar essa relação diretamente com os próprios destinatários e começar a prestar serviço a eles também diretamente.

TR – A rede de lojas Pickup, os lockers, a aplicação são soluções voltadas para o e-commerce, considera que este segmento de negócio irá crescer em Portugal?
OE –
Queremos aqui em Portugal acompanhar o crescimento das empresas. E como é que as podemos ajudar? Fazendo parte da cadeia de valor delas para que os clientes finais estejam satisfeitos e queiram repetir a experiência da compra. Queremos acompanhar este fenómeno do e-commerce. Pensamos que em Portugal, depois de um falso arranque, se registam índices de crescimento nos últimos anos que achamos ainda bastante modestos. Há um gap bastante grande em relação à média europeia que vai acabar por ser colmatado, por isso, é nossa previsão que o e-commerce cresça muito e queremos fazer parte da solução. Queremos facilitar a vida dos nossos clientes, expedidores e destinatários, fazer com que eles tenham ainda mais vontade de fazer compras. Estimamos que o crescimento nessa área seja de dois dígitos ao ano com toda a certeza. O e-commerce será sem dúvida um principal motor de crescimento. O segundo é também abertura enorme da economia e sobretudo das empresas portuguesas para o exterior. Tem havido uma procura de novos mercados das empresas portuguesas e nós temos soluções que podemos aportar para vencer a distância, sabendo que Portugal não está no centro da Europa e tem de tem de ter mais distâncias para percorrer.  



TR – O grupo DPD adquiriu a startup Stuart. Poderá ser uma solução de logística a implementar também em Portugal?
OE –
A Stuart é uma startup que o grupo adquiriu e que neste momento está em 100 cidades europeias, nas quais temos experiência em lidar com esse tipo de soluções, diferentes do nosso processo habitual. Quer em Portugal, quer nos outros países, temos de nos habituar a um processo baseado numa recolha ao fim do dia e entregar no dia seguinte de manhã ou à tarde em todo o país. Essa solução vem completar a oferta, não vem substituir nada, e é uma oferta que temos previsto lançar para os próximos meses. 

TR – Como vê o futuro da logística urbana?
OE –
Embora tenhamos entregas em todo o país, temos uma grande concentração nas grandes cidades. E há uma equação muito difícil de resolver entre o e-commerce, que tem tendência a crescer imenso, e uma maior preocupação das autoridades locais em limitar os percursos de veículos dentro das cidades. Como vamos resolver isso? Não é certamente com a publicação de regulamentos que quase cegamente fecham as ruas. Assim, também não somos amigos do comércio e a cidade também vive disso. É preciso haver um diálogo com as autoridades locais para procurar soluções de futuro e experimentar outras porque as cidades são todas elas diferentes umas das outras. No futuro, naturalmente, vão haver soluções de lojas Pickup e lockers, porque são muito mais amigas das cidades. Imagine 20 encomendas que entram na loja Pickup... não se pode comparar com uma viatura que vai efetuar 20 entregas ao longo da manhã porta a porta. A otimização logística é incomparável e estas são soluções de futuro. Depois, vamos assistir a uma percentagem cada vez maior das entregas que se vão efetuar em locais de concentração, mas próximas da população. Temos quatro bicicletas elétricas na zona de lisboa e veículos elétricos. Vai ser um modelo que vai expandir rapidamente e é uma área que queremos ser exemplo.

TR – Anunciou um investimento, até 2021, no valor de 25 milhões de euros para o novo centro de distribuição em Lisboa. Onde será instalado e qual a capacidade?
OE –
O local está identificado, estamos na finalização da aquisição do mesmo. Vai ser o maior hub da DPD como do nosso setor de atividade em Portugal e vai ter uma capacidade de tratamento acima das 50 mil encomendas por dia. São investimento significativos e justificam-se a longo prazo. Há uma aposta, confiança, de que o crescimento vai continuar sobretudo alimentado pelo B2C, pelo e-commerce, e é a pensar nisso que estamos a investir. Hoje em dia empregamos 1.400 pessoas a tempo inteiro e a expansão significa mais recrutamento no futuro porque a nossa atividade, mesmo podendo automatizar algumas tarefas, não deixou de haver necessidade de pessoas que possam recolher, transportar as encomendas.



TR – Poderão surgir outros centros de distribuição no país?
OE –
A necessidade deste hub acelerou com a fusão. Em muitos locais, as instalações de uma e outra empresa eram pequenas para a totalidade da atividade. No restante país, inaugurámos novas instalações para a DPD, um investimento feito nos últimos meses no valor oito milhões de euros para inaugurar novas instalações em Coimbra, Guarda, Évora e Faro. São locais onde reforçámos bastante e nos próximos anos vamos estar atentos porque há aqui uma planificação desses projetos que são exigentes em termos de investimentos financeiros como também requerem a genialidade de recursos de engenharia que são alocados a estes projetos e então há um planeamento que é feito. Há mais projetos também na região do norte.

TR – Quais as implicações que o Brexit pode ter na atividade logística? Como se estão a preparar?
OE –
O nosso grupo desde o início tem-se preparado para o pior cenário que é uma saída sem acordo. Estamos preparados para iniciar um plano de contingência para servir da melhor maneira possível os nossos clientes. Todos os estudos que foram feitos apontam para uma quebra da atividade com o Brexit, com ou sem acordo. A oferta, vinda do Reino Unido, vai tornar-se menos competitiva, devido a atrasos nas entregas e taxas para pagar. Estamos a fazer tudo para evitar uma situação que podia ser caótica... será controlada, mas sem poder anular os efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia. Há um processo digital de declaração das faturas em conformidade com os requisitos das autoridades aduaneiras, que permite evitar uma paragem das encomendas. Por falta de conformidade estamos, assim, a montante, a informar quem expede, porque desde as pequenas empresas até às grandes, todas têm de estar preparadas para as alterações processuais de um dia para o outro. São centenas de milhares de empresas no Reino Unido que têm de estar preparadas. Temos um papel de proximidade, fazendo com que as empresas estejam preparadas para o primeiro dia após a saída para ter a certeza de que todo o processo de compra se fará de forma compatível com os novos requisitos, de forma que a experiência da compra não seja um pesadelo. O nosso grupo está próximo dos grupos de trabalho da União Europeia, e a própria UE também tem interesse que tenhamos o máximo de informação.

por Sara Pelicano
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