sexta-feira, 3 de Abril de 2020

 
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Passageiros & Mobilidade
16-10-2019
 
Viseu debateu o futuro da mobilidade
A Comunidade Intermunicipal de Viseu Dão Lafões organizou o seminário Mobilidade e Transportes. Ao longo do dia, muitos foram os temas debatidos no sentido de melhor perceber como será a mobilidade no futuro.

O presidente da Câmara Municipal de Viseu, António Almeida Henriques, comentou que «a primeira revolução da mobilidade veio dos municípios com o transporte escolar». O autarca relembrou que «a proximidade é muito importante e as autarquias têm de estar concertadas».

Numa mesa-redonda com vários autarcas da região, Paulo Fernandes, presidente da Câmara Municipal do Fundão, disse que «para problemas complexos, os municípios são muitas vezes a resposta», sublinhando no que concerne ao transporte do futuro pode passar por «um transporte mais adequado a cada caso».




Paulo Almeida, da Comunidade Intermunicipal de Castro Daire, afirmou que os municípios e a comunidade «têm de ter capacidade de se adaptar a esta nova mentalidade de transporte. Vai ter de haver concertação senão não haverá alteração do paradigma da mobilidade».

Também presente no seminário esteve Nuno Soares Ribeiro, partner da VTM – Consultores de Engenharia, que disse «acreditar que o futuro da mobilidade é opção convencional com flexibilidade». O mesmo responsável acrescentou ainda que «a mobilidade em território de baixa densidade passará por serviços mais flexíveis e simples», concluindo que «as soluções são feitas à medida de cada território».

No mesmo dia, Rui Rei, CEO da Cascais Próxima, e João Paulo Gouveia, vereador da Câmara Municipal de Viseu, falaram da mobilidade da cidade e das estratégias de fortalecer a rede de transportes públicos, ao mesmo tempo que se criam medidas dissuasoras à utilização de veículo particular nas deslocações diárias na cidades. Rui Rei comentou que «não pode planear uma cidade sem ter preocupação com a mobilidade das pessoas» e, nesse sentido também, defendeu «que haja vias dedicadas a autocarros na A5». Por seu turno, João Paulo Gouveia referiu que «as soluções não podem ser todas iguais e têm de se adequar às cidades». 

A digitalização foi outro dos temas em análise. Eduardo Feio, presidente do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), disse que «é um instrumento importante no combate às alterações climáticas». Paralelamente, está a conectividade que é, afirmou Eduardo Feio, «fundamental para saber onde se está e para onde se vai». Por fim, declarou que «a mobilidade é cada vez mais de dados».



No que respeita à digitalização Miguel Castro Neto, subdiretor da Nova IMS – Information Management School, falou sobre a relevância de recolher dados das cidades e tratar esse dados de forma a que se tomem decisões baseadas em conhecimento.

Miguel Cambão, da Câmara Municipal de Lisboa, falou ainda dos projetos de mobilidade suave e partilhada da cidade. Em Lisboa, junto à estação de comboios de Lisboa vai ser colocada uma box bike, uma “garagem” para guardar bicicletas particulares. Através de uma aplicação móvel, na qual os interessados se deverão inscrever, os ciclistas da cidade podem desbloquear a porta e guardar o seu velocípede.

«A ideia é promover a multimodalidade. Quem chega ao centro da cidade de comboio, por exemplo, pode ter ali guardada a sua bicicleta para seguir viagem e, ao final do dia, fazer o percurso inverso», explica Miguel Cambão, especialista em mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa.

«Temos recebido um feedback muito positivo da comunidade de ciclistas da cidade. A bike box de Entrecampos ainda nem começou a funcionar e já temos pedidos para que o município replique a ideia pela cidade», afirma Miguel Cambão.

Nesta bike box haverá espaço livre para oito bicicletas, mas podem chegar aos 12 (numa primeira fase, o município vai colocar uma cargo bike para sharing, ocupando assim o espaço). Na fase piloto do projeto, a utilização será gratuita, mas com regras de permanência máxima, para evitar que as bicicletas sejam deixadas por muitos dias.
Paralelamente, o município vai disponibilizar, no âmbito do projeto europeu City Changer Cargo Bike, bicicletas de carga a famílias que se predisponham a transportar os seus filhos para a escola de bicicleta. O veículo vai ser disponibilizado durante um mês e serão entregues já em novembro. «O objetivo incrementar a mudança do paradigma», comenta Miguel Cambão.



O especialista em mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa pormenoriza ainda que «consideramos que um mês é o período de tempo necessário para que as pessoas construam uma base de ponderação acerca da cargo bike. Esta experiência vai permitir, ao fim deste período de tempo, perceber se esta solução é viável para eles. Nós vamos monitorizar tudo. Vamos ter inquéritos pré-utilização e pós-utilização e queremos que seja a alavanca para que comecem a utilizar estes veículos. A determinada altura, achamos que o efeito pode ser gigante. A partir do momento em que tenhamos dois, três casos na escola porque os miúdos têm este efeito. Temos o exemplo da seleção de resíduos em casa, as crianças são os maiores fiscais das famílias, portanto, contamos com efeito semelhante no caso deste projeto».

Neste projeto são parceiros a Escola Básica do Parque das Nações, na zona Sul, e o colégio Pedro Arrupe.
por: Sara Pelicano
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