quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

 
caetano 468x60
Passageiros & Mobilidade
28-01-2020

Entrevista a Anne Head e Paula Antunes da Costa, Visa Europe
«A Visa tem um papel importante a desempenhar no futuro dos transportes»
Numa altura em que a bilhética se afigura como um elemento-chave na cadeia de mobilidade, a Visa pretende contribuir com novas soluções inovadoras que aprimorem a experiência dos utilizadores nos transportes públicos e atendam às crescentes exigências e necessidades dos cidadãos.
 
Transportes em Revista (TR) – Atualmente, as formas como adquirimos os serviços de transporte são um constrangimento ao acesso à mobilidade?
Anne Head (AH) –
Absolutamente. No início deste ano, divulgámos as conclusões de um estudo global que analisou os comportamentos dos consumidores em relação às viagens diárias. O que descobrimos demonstrou que as formas atuais de emissão de bilhetes podem ser uma importante fonte de frustração para os consumidores em todo o mundo. A complexidade do pagamento está frequentemente na raiz de muitas reclamações comuns – tanto que, se fosse mais fácil pagar para ter acesso ao transporte público, a utilização média estimada aumentaria em cerca de 27%. Outras frustrações apontadas foram a necessidade de bilhetes diferentes para diferentes modos de viagem (47%), não saber quanto pagar é igualmente um problema (44%) e o cash only (41%) também. Segundo os inquiridos, essas frustrações tornam-nos menos propensos a usar o transporte público e mais propensos a conduzir o carro próprio.

TR – No entanto, o consumidor tem aderido em massa às diferentes soluções de pagamento existentes. O que quer o consumidor e que tendências identificam?
AH –
A Visa acredita que a tecnologia – particularmente a de conexão de dispositivos – tem o potencial de transformar as cidades movimentadas do mundo de hoje em megacidades eficientes no futuro. Consumidores de todas as idades já escolhem o tipo de transporte que utilizam, de acordo com a sua conveniência, portanto, acreditamos que qualquer empresa de transporte deve tentar desenvolver formas de pagamento o mais conveniente possível. Ao eliminar a necessidade de comprar um bilhete ou recarregar um cartão de viagem, os operadores de transporte público podem remover uma das maiores barreiras.

TR – Se o consumidor está habituado a diversas soluções para a aquisição de bens e serviços, porque razão os transportes ainda são renitentes a essas novas formas de pagamento?
Paula Costa (PC) –
Segundo a nossa experiência, os transportes podem por vezes ser mais lentos na adopção de novas formas de pagamento. Frequentemente, as empresas de transporte são confrontadas com os desafios de orçamentos apertados, as pressões do aumento do número de passageiros e inúmeras exigências, onde os fundos são gastos. A tecnologia de pagamento não é necessariamente a especialidade destas empresas, portanto, encontrar o parceiro certo que as ajude a resolver os desafios específicos do seu mercado, pode ser a solução para mudar os bilhetes tradicionais para as novas tecnologias modernas e inovadoras. A colaboração é a chave do sucesso. Para melhorar a experiência de morar e viajar em megacidades e desbloquear o crescimento económico, é necessário estabelecer parcerias entre os planeadores urbanos, think tanks, autoridades públicas, empresas de transportes, de tecnologia e fornecedores de pagamentos como a Visa, para melhorar as infraestruturas de transportes no ambiente urbano.
 
TR – Como vê a Visa os pagamentos dos serviços de mobilidade num futuro próximo?
PC –
A Visa tem como objetivo oferecer aos consumidores uma melhor experiência para qualquer modo de viagem, seja ele público, privado ou partilhado. Ao envolver-se diretamente com operadores de transporte público, fabricantes de automóveis, empresas de aluguer de automóveis, fornecedores de estacionamento e combustível, a Visa está a ajudar a criar soluções inovadoras que integram tecnologias novas e emergentes. Empresas como a Visa têm um papel importante a desempenhar no futuro dos transportes, ao ajudar a simplificar o comércio subjacente ao transporte e ao atuar como uma conexão que ajuda as cidades a ver as atividades dos consumidores de qualquer região de uma forma mais ampla. Ao examinar o panorama geral e entender os problemas que preocupam os cidadãos, podemos tomar medidas para aprimorar a experiência de viajar e pagar por viagens. Juntos, podemos criar cidades mais inteligentes e bem projetadas, que atendam às crescentes exigências e às novas necessidades dos cidadãos no futuro.

TR – Quais as soluções que a Visa tem no mercado para o pagamento dos serviços de mobilidade?
AH –
No início deste ano, a Visa lançou a tecnologia SAM (Módulo de Acesso Seguro) – uma parceria com a Planeta Informática para desenvolver uma nova tecnologia que traz a velocidade, a segurança e a conveniência do pagamento contactless para as operadoras que atualmente usam bilhética de closed loop (cartões de carregamento/passes). O sistema de trânsito do Rio de Janeiro integrou-o quando lançaram o trânsito contactless. Aos operadores de transporte público que investiram recentemente em torniquetes, a tecnologia Visa SAM oferece uma solução rápida e económica para adaptar os atuais leitores NFC de circuito fechado e também aceitar pagamentos em circuito aberto de cartões de débito ou crédito, cartões pré-pagos e dispositivos móveis de qualquer parte do mundo. Este é um desenvolvimento transformacional para as operadoras de transporte público que desejam melhorar as viagens dos passageiros e reduzir os custos operacionais, eliminando a necessidade de bilhetes ou complementando os cartões de tarifa.

TR – Quanto vale a mobilidade atualmente para a Visa? Qual é a margem de crescimento expectável?
AH –
Se reunir todos os aspetos da mobilidade – desde estacionamento, bicicletas, carros partilhados e até transporte público – as oportunidades são enormes. Mais importante, essa é uma das maneiras mais fáceis pelas quais a Visa pode ajudar a tornar a vida das pessoas um pouco mais fácil todos os dias.

TR – De que forma a Visa trabalha com os operadores de mobilidade?
AH –
A Visa tem um histórico bem-sucedido de apoiar as operadoras de transporte público a aceitar pagamentos contactless no setor de transporte de massa, ajudando a transformar a experiência do passageiro em mil milhões de viagens. Os pagamentos contactless são aceites em muitas cidades do mundo, como Londres, Nova Iorque, Rio de Janeiro e Singapura. De facto, nos últimos 12 meses, ajudámos a lançar a solução de Contactless Mass Transit em mais de 60 cidades. E o nosso trabalho não se limita ao transporte público. Em janeiro de 2019, a Visa fez uma parceria com a Honda para criar uma experiência totalmente integrada no carro, chamada Honda Dream Drive. O recurso permite que motoristas e passageiros utilizem o controlo de voz e a tecnologia móvel para comprar gasolina, estacionar, pedir comida e desfrutar dos recursos de música usando o painel de entretenimento do veículo. O Visa Innovation Fund, para pagamentos contactless e estacionamento inteligente, ajudou a lançar o AppyParking, um sistema de estacionamento smart city, na cidade de Harrogate, em Yorkshire. Especificamente, o serviço integra os mais recentes sensores de estacionamento Bluetooth Low Energy (BLE) nos sistemas premiados das aplicações e back office da AppyParking. Isso ajudará os motoristas a encontrar o espaço de estacionamento mais conveniente por meio das orientações da aplicação, economizando tempo, combustível e melhorando a experiência do utilizador. Além disso, o pagamento e os ganhos de receita viabilizados pela monitorização do movimento dos veículos e pagamento do estacionamento contactless trarão benefícios, ao mesmo tempo que reduzem o trânsito e a poluição. Por fim, a aplicação procura melhorar a experiência de estacionamento do utilizador.

TR – Qual o valor que a solução Visa traz ao consumidor?
AH –
Um estudo da Visa constatou que 77% dos consumidores considerariam partilhar os seus dados pessoais de viagem, como rotas populares e horários se, ao fazê-lo, tivessem uma experiência melhor. Na Visa, acreditamos que os inquéritos anónimos relativos a tendências podem fornecer informações úteis e aplicáveis que podem ajudar as cidades a garantir onde e quando os consumidores precisarão de serviços de transporte específicos para que os ativos possam ser implantados. Este tipo de dados anónimos também pode fornecer às cidades a inteligência para ajudar a prever a exigência do futuro.

TR – Os dados referentes aos fluxos efetuados com o sistema Visa podem ser fornecidos às autoridades de transportes? Em que condições?
PC –
Embora existam vários canais de emissão de bilhetes disponíveis no mercado, variando de bilhetes em papel a “cartões inteligentes” do tipo MiFare em circuito fechado, nos últimos anos, houve uma forte mudança das operadoras de transporte em direção ao circuito aberto (aceitação cartão bancário contactless). Muitos operadores e autoridades reconhecem globalmente a importância do ciclo aberto no fornecimento de uma solução digital, segura e orientada para o futuro, para o consumidor de qualquer região, e que reduza custos operacionais, melhore a eficiência operacional e esteja totalmente alinhada com o impulso global em direção a cidades mais limpas, ecológicas e inteligentes. As tendências e a sua aceitação indicam que o ciclo aberto continuará a crescer com popularidade e rapidamente tornar-se-á o método padrão para emissão de bilhetes pré-pagos, substituindo os bilhetes em papel e o dinheiro.

TR – Que impactos tem a fraude no sistema Visa? Como é verificada e autorizada a validação?
PC –
O objetivo da Visa é colaborar com cidades e autoridades com visão e voltadas para o futuro, ao mesmo tempo que procuram melhorar a vida quotidiana dos cidadãos, removendo barreiras enquanto dirigem a agenda para cidades mais eficientes e económicas. A Visa está a trabalhar com diversos operadores de transporte, em estreita colaboração com as suas equipas técnicas e operacionais para fornecer uma melhor experiência de viagem para passageiros regulares e usuários ocasionais. Isso envolverá uma evolução da infraestrutura atual de hardware e software pois, juntos, migramos os sistemas existentes para incluir uma solução de cartão bancário contactless, que ficará confortavelmente ao lado dos canais de bilhética já existentes.

por José Monteiro Limão e Pedro Venâncio
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