quinta-feira, 13 de Agosto de 2020

 
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Passageiros & Mobilidade
25-11-2019
Faustino Gomes, CEO da TIS
Gratuitidade dos transportes coletivos sim, mas com prudência
“Tendências para a gratuitidade do transporte público” foi o mote para o debate na terceira palestra do Ciclo de Palestras SRS Advogados e Transportes em Revista. Faustino Gomes, CEO da TIS.PT-Consultores em Inovação e Sistemas, o orador deste encontro, que teve lugar a 25 de novembro, sublinhou que a gratuitidade dos transportes públicos «tem múltiplos desafios» e a sua implementação requer «prudência».

O primeiro desafio é o financiamento. Não havendo receita de bilheteira, é «necessário encontrar financiamento alternativo». O outro desafio prende-se com a qualidade da oferta e, por isso, esta deve ser incrementada, bem como deve aumentar o «cuidado de verificação dos níveis de serviço e atuar sobre isso».

Faustino Gomes considerou ainda que nesta questão da gratuitidade é preciso também comunicar melhor. Os transportes coletivos gratuitos têm «um problema associado que é a comunicação. Precisamos que as pessoas venham para o sistema e, portanto, precisamos de criar essa boa vontade nas pessoas relativamente ao sistema e isso só acontece se as pessoas conhecerem o que está a acontecer e perceberem. Assim, poderão tomar as suas decisões e avaliarem em base disso».



A experiência da gratuitidade dos transportes públicos coletivos noutros países foi implementada tendo também como objetivo a redução das emissões de gases poluentes porque se pretendiam atrair as pessoas que se deslocavam de carro no seu quotidiano. No entanto, verificou-se que quem se deslocava de modos suaves/ativos foi quem se transferiu para o transporte público. Por isso, Faustino Gomes referiu que é preciso «ter atenção» a este pormenor para que a medida tenha o sucesso desejado que é a redução do número de carros a circular. Neste âmbito, a integração torna-se uma palavra-chave. «Eu acredito muito na integração e esta faz-se a diversos níveis. Contempla a integração tarifária, mas também se faz ao nível da integração dos diversos modos. A utilização de trotinetas e bicicletas, para a última milha pode fazer sentido. Mas se estamos a oferecer um troço que é gratuito, e nos outros vamos pagar muito, as pessoas tendencialmente não o farão. Portanto, temos de ter uma integração tarifária. O que acontece aqui é que estamos a falar de lógicas diferentes porque tipicamente estes modos suaves ou ativos têm lógicas de negócio muito diferentes da lógica do transporte público regular. Por isso, temos de ter engenho e arte para encontrar as soluções, mas é critico».

Relativamente à gratuitidade dos transportes em Portugal, o CEO da TIS.PT-Consultores em Inovação e Sistemas considerou que «não será a curto prazo algo real», referindo que «já alguns segmentos da população portuguesa que têm transportes gratuitos», abrangendo segmentos da população que «poderiam sentir excluídas do sistema por via do preço». Mas sublinhou: «não vejo que a gratuitidade vá ser algo muito rápido em Portugal. É uma tendência, mas não de curto prazo». Neste campo é preciso ter «prudência» e «prometer aquilo que depois, num curto prazo não se sabe como se vai conseguir cumprir». «Eu não advogo nunca, nesta fase, a gratuitidade zero porque rapidamente vamos ter de reverter essa decisão. Há essa prudência. Depois há que ter imaginação na procura de outras fontes de financiamento».

Por fim, Faustino Gomes comentou que «é importante que as cidades percebam que só a gratuitidade não chega». «As pessoas para se mudarem para o transporte público têm de ter boas condições de utilização de transporte público, portanto temos de olhar para a oferta, para a qualidade oferecida, para as frequências, para o transporte público e temos de o adaptar àquilo que as pessoas necessitam, ou seja, também obriga a algum planeamento e olhar para as redes».
 
por: Sara Pelicano
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Comentários
26-11-2019 0:35:24 por Motorista
Tragam ainda mais lixo humano para dentro dos autocarros, tragam... é verdade que com a entrada do Navegante, muitos gandins começaram a ter título de transporte válido, o problema é que como já pagam, achamse reis e senhores e tudo podem. O nível de saturação dos motoristas em relação à falta de respeito para com eles desde a entrada do Navegante disparou... mas disto ninguém fala Nem na Carris, pessoal sem experiência, quer permanecer após o termo do contrato... continuem com as experiências sociais que qualquer dia é melhor irem ao circo contratar chimpanzés para conduzir, porque os humanos estão em ponto rebuçado.
  
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