segunda-feira, 9 de Dezembro de 2019

 
caetano 468x60
Passageiros & Mobilidade
22-11-2019

O sucesso do Passe Navegante
Recentemente foram conhecidos os primeiros números na venda de passes na área metropolitana de Lisboa, após o início do novo ano escolar. No mês de setembro, foram vendidos mais de 720 mil passes, mais 25,5% face ao período homólogo de 2018. Destes 720 mil passes vendidos, a maioria, 61%, diz respeito ao Navegante Metropolitano, 16% ao Navegante Municipal, sendo que o Navegante +64 tem uma quota de 14%, o Navegante família – que apenas entrou em vigor em agosto – é responsável por 2% e os restantes 7% são referentes a outros passes. O crescimento da procura é expressivo o que significa que na área metropolitana de Lisboa nunca como agora, tantas pessoas utilizaram o transporte público para as suas deslocações. Esta é uma grande e boa notícia. A forte adesão ao passe Navegante, resultado da redução tarifária implementada em abril, é uma clara evidencia de que o preço era uma forte barreira ao acesso ao transporte público. É certo que boa parte deste crescimento se deveu às transferências que a integração de todos os transportes provocou. Ou seja, pessoas que antes usavam apenas alguns dos transportes, passaram agora a ter acesso a todos os transportes, o que lhes proporciona várias alternativas de deslocação e com o preço reduzido aderiram em massa, aos novos passes. Seria interessante, e diria até fundamental, conhecer-se os dados relativos a duas outras dimensões que são críticas para a definição futura de atuação sobre o sistema.

A primeira diz respeito ao impacto sobre a transferência do transporte individual para o coletivo e a segunda qual o impacto que o sistema provocou no número de automóveis que diariamente entram em Lisboa. Se os indicadores de venda e adesão aos novos passes são um sinal do sucesso da medida, por outro lado a qualidade do serviço, em alguns casos, apresenta alguns sinais de degradação. Esta degradação tem sobretudo a ver com a falta de capacidade e fiabilidade de oferta, pese embora o enorme esforço que os operadores têm feito, sobretudo os rodoviários, já que as supressões e avarias no comboio e no metro ainda assim são frequentes. Dir-se-á que este é um “bom problema”. E, de facto, aos olhos do gestor do sistema, assim é, até porque afirma que a situação está controlada, talvez porque tenha a expetativa de que a oferta e sua fiabilidade sejam asseguradas a tempo. Resta saber se essa expetativa não é apenas um profundo desejo. Mas certamente este “bom problema” não tranquiliza e não se reflete na satisfação das muitas pessoas que todos os dias se veem confrontadas com a impossibilidade de entrarem nos transportes por estarem superlotados ou porque as circulações foram suprimidas, mesmo que tenham passado a chegar às estações, às gares ou às paragens, meia hora antes do que anteriormente, com todos os impactos que isso tem na sua qualidade de vida. Se no passado o preço era uma condicionante, é desejável que no presente o serviço seja fiável, até porque, todos sabemos que no mundo do consumo, uma má experiência pode ditar o insucesso dos serviços e dos produtos.

por José Monteiro Limão
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