sábado, 19 de Outubro de 2019

 
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Carga & Mercadorias
09-10-2019

António Nabo Martins – presidente-executivo da APAT
Transitários têm de apostar mais em parcerias e na digitalização
Os transitários portugueses reúnem-se em outubro, no Algarve, por ocasião do 17.º Congresso da APAT. Com um programa bastante diversificado, este seminário pretende alertar os profissionais do setor para as novas realidades, como a economia digital, as estratégias colaborativas e a partilha de informação.



Transportes em Revista (TR) – Nos dias 11 e 12 de outubro, será realizado, em Portimão, o 17.º Congresso da APAT, que tem como tema principal “O Transitário Digital e Colaborativo”. O que esperam desta conferência e porque escolheram o Algarve?
António Nabo Martins (ANM) –
Certamente, não escolhemos o Algarve por causa do bom tempo. A APAT tem vindo a apostar sempre nos temas da intermodalidade e da sustentabilidade ambiental do transporte de mercadorias. Neste sentido, importa salientar que, por exemplo, o porto de Portimão pode constituir uma alternativa ao transporte de mercadorias e vir a ter um papel muito importante nas importações e exportações para o norte de África. Atualmente, as operações de transporte para aquela zona são realizadas quase na sua totalidade por rodovia e todas saem por Espanha. Por isso, queremos dizer que existe mais esta possibilidade, caso se verifique a aposta no lançamento de uma linha regular (Ro-Ro), das suas cargas serem transportadas através do porto de Portimão e que é importante dinamizar esta infraestrutura e aproveitar as suas capacidades. É interessante perceber que há alternativas muitas vezes não avaliadas porque não são equacionadas.
Por outro lado, temos grandes expetativas em relação a este congresso. Julgo que será importante para os transitários perceberem que existem outras formas de fazer as coisas, que não são aquelas a que estamos habituados a fazer, e que podem ter igual sucesso...

TR – O programa do Congresso é bastante equilibrado e mostra uma transversalidade de temas muito grande...
ANM –
Também temos essa opinião, mas existem temas que estão subjacentes em todas as sessões: partilha, parcerias, informatização e digitalização.

TR – Um dos temas a ser discutido é “A Atividade Transitária na Economia Digital”. De que forma é que a chamada economia digital pode afetar a atividade do transitário?
ANM –
Eu diria de outra forma: de que forma é que a atividade transitária se vai adaptar à economia digital? Porque não acredito que vá afetar de forma relevante a nossa atividade. Queremos, isso sim, passar uma mensagem aos nossos associados que passa por lhes dizer que temos de nos adaptar a uma economia que tem menos papel, que é mais exigente, mais computorizada e mais rápida. Neste sentido, temos apostado muito nesta vertente, de termos uma formação mais tecnológica, que é essencial nos dias de hoje. Na prática, todos já vivemos nesta economia digital, no nosso dia a dia, resta saber adaptar essas vivências para a nossa função.

TR – O surgimento de novos players de mercado, que operam exclusivamente numa janela digital, pode colocar em causa a atividade do transitário tal como a conhecemos?
ANM –
Há companhias que querem fazer online o trabalho do transitário e de uma forma direta. Penso que, eventualmente, isso é possível em operações de transporte mais simples. Só que as empresas que têm operações de transporte mais complexas necessitam de uma coisa: confiança nos seus parceiros. Essa confiança tem de estar subjacente no desenho da cadeia logística e achamos que só o transitário o pode assegurar. As pessoas ainda são e continuarão a ser a alma do negócio.

TR – Nesta primeira sessão vão contar com a presença, entre outros, da DGRM. A JUL, que está em desenvolvimento, é um bom exemplo de como a digitalização pode potenciar e acelerar os processos dentro da cadeia logística...
ANM –
A DGRM tem feito uma aposta muito grande no desenvolvimento da JUL, projeto do qual somos parceiros e que é muito importante para os transitários. Temos de perceber como as coisas acontecem, mesmo que num primeiro momento não estejamos preparados para lá estar. Mas é nossa obrigação acompanhar o desenvolvimento do projeto e fazer parte dele. O que a APAT pretende é despertar consciências e dizer aos nossos associados aquilo que está a acontecer no setor e que temos de estar atentos ao que vai acontecer em relação à digitalização da atividade transitária.

TR – Outro dos temas em destaque é “Estratégias Colaborativas Terra, Mar e Ar”. O que é que se pretende discutir com esta sessão?
ANM –
A intermodalidade está sempre subjacente. Mas, por exemplo, sabemos que existe carga aérea que é feita por camião, mas também sabemos que não existe um entreposto que conecte a ligação rodoviária com a aérea, assim como a ferroviária com a aérea... Aliás, a própria JUL não inclui o modo aéreo. Porque não existe uma JUL que seja global? Provavelmente vamos ter que trabalhar esta questão. No entanto, se olharmos para a realidade portuguesa, vemos que as grandes empresas transitárias de capital português de grande dimensão não são assim tantas em Portugal. E a APAT entende que quanto mais juntos estivermos, mais fortes vamos ser. E daí as parcerias e estratégias colaborativas. Se todos tivermos vantagem em partilhar interesses, vontades, custos e receitas, conseguimos também estar mais ativos e acredito que de forma completamente diferente no mercado. Por exemplo, se um transitário português, de média/grande dimensão em Portugal, for para a Alemanha, comparativamente, passa a ter uma micro dimensão o que aumentará as dificuldades na sua implantação. Por isso é que queremos despertar consciências para a importância das sinergias e das parcerias.
Por outro lado, o transitário português consegue estar em todo o lado, e bem. E tem uma grande vantagem que é a capacidade de adaptação e aquilo a que gostamos de chamar de “desenrascanço”. Só que depois não conseguimos consolidar estas capacidades e dar continuidade às mesmas.

TR – Os associados da APAT estão abertos a estas parcerias e sinergias?
ANM –
Os nossos associados começam a despertar para essa necessidade e... realidade. Se calhar, há uns anos atrás, isso não acontecia, pelo menos da forma que acontece hoje, mas está a mudar. E as empresas já perceberam que através de parcerias estratégicas podem estar presentes no mercado internacional, com mais relevância, mais músculo e mais fortes. Se recuarmos ao Dia do Transitário de 2018, Pires da Fonseca referiu: “não damos um passo para lado nenhum sem um transitário. (…) o transitário é a chave do nosso sucesso, é o confidente”, quando apresentamos soluções é “chave na mão” e para isso necessitamos dos melhores parceiros porque o resultado final é produto nosso e não dos vários intervenientes individualmente.

TR – E também é deste modo que se consegue captar valor económico, que é outro dos temas da conferência: “Estratégias Colaborativas na Captura do Valor Económico”...
ANM –
Muitas vezes trabalhamos muito e ganhamos pouco. Porquê? Porque não conseguimos estabelecer as parcerias mais corretas. Ganhar 100% de dez é uma coisa, e ganhar 10% de 100 é outra. Temos transitários que utilizam preferencialmente o modo rodoviário, temos outros que utilizam só o aéreo e outros que analisam caso a caso e utilizam aquele que é melhor para o seu negócio. O segredo é: como conseguimos retirar mais valor do nosso trabalho?
O valor não está apenas num produto ou serviço mas em toda cadeia, em que cada interveniente agrega alguma coisa ao produto final (valor final) que o cliente vai receber. E é importante perceber isso e de que forma podemos encontrar os parceiros certos.

TR – O que é que os associados da APAT podem esperar deste 17.º Congresso?
ANM –
Esperamos que os associados saiam deste congresso com a perceção de que é preciso estar atento a estas novas realidades e isso já é uma grande vitória.
Participação, partilha, networking é o que esperamos, por exemplo, quando levamos empresas que aparentemente não têm nada que ver com a vossa atividade, por exemplo, da área dos combustíveis, alimentar, das pequenas entregas, porque têm outras experiências que importa conhecer. Se calhar eles têm uma outra visão que nos pode ser útil. Importa perceber como é que estas grandes empresas enfrentaram estas novas realidades e como conseguiram aduzir valor à sua atividade. Tenho a certeza que será um congresso bastante participado e em que os nossos associados irão conseguir obter mais conhecimentos.

por Pedro Costa Pereira
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