sábado, 7 de Dezembro de 2019

 
caetano 468x60
Carga & Mercadorias
26-09-2019
Entre janeiro e julho
Portos do continente com recuo de 4,8% na movimentação de carga
Nos primeiros sete meses do ano, os portos do continente registaram um decréscimo de 4,8%, face a igual período de 2018, movimentando 52,2 milhões de toneladas. A quebra é explicada pela diminuição de petróleo bruto em Sines e Leixões (com quebras de 911,2 e 313,9 mil toneladas, respetivamente), pela perda de carga contentorizada em Sines (quase menos dois milhões de toneladas), por efeito da greve dos trabalhadores portuários do Terminal XXI, e ainda pela diminuição da importação de carvão (cerca de 450 mil toneladas), devido ao facto de a central termoelétrica de Sines se encontrar em paragem programada para manutenção desde finais do mês de junho, detalha a AMT.

Em contraponto, Leixões e Aveiro registaram as melhores marcas de sempre, com movimentos a ascender 11,5 e 3,2 milhões de toneladas, respetivamente, ou seja, um aumento de 1,2% e 2,7% face a igual período do ano anterior. Já Sines, Lisboa, Setúbal e Figueira da Foz registaram perdas de 2,25 milhões, 346,5 mil, 86,2 mil e 160,7 mil toneladas, respetivamente.

Segundo a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, o porto de Sines continua a liderar no movimento global portuário, muito embora com os recuos verificados desde abril, com uma quota de 48,8% (menos 1,8%, face a julho de 2018), seguido de Leixões (21,1%), Lisboa (12,7%), Setúbal (7,6%) e Aveiro (6,1%).

Entre janeiro e julho deste ano, o movimento de contentores registou uma quebra global de 4,3% no volume de TEU’s movimentados, para 1,65 milhões. Este desempenho é explicado pelo desempenho negativo de Sines, Setúbal e Lisboa (menos 10,9%, 6% e 1%, respetivamente) que anulam as variações positivas registadas em Leixões e Figueira da Foz (com taxas positivas de 11,1% e de +8,8%).

Ainda neste segmento, a Autoridade sublinha que o porto de Sines continua a liderar, detendo uma quota de 53%, seguindo-se Leixões (24,8%), Lisboa (16,3%), Setúbal (5,1%) e Figueira da Foz (0,8%).

O peso que o tráfego de transhipment representa no volume de contentores movimentados em Sines – não obstante ter vindo a diminuir nos últimos meses, acumulando em julho uma redução de 21,4% – ainda representa 69,6% do total no porto. Por outro lado, o volume de TEU’s com origem e destino no hinterland do porto regista um crescimento de 28,2%.

No que respeita ao movimento de navios, comparativamente ao período janeiro-julho de 2018, observou um decréscimo de 1,9% no número de escalas (6.233), bem como uma diminuição de 1,3% no volume de arqueação bruta (para quase 116,8 milhões). Os portos de Viana do Castelo, Lisboa e Sines foram os únicos portos que registaram um crescimento no número de escalas (6%, 1,1% e 1,4%, respetivamente).

O desempenho negativo global nos sete primeiros meses de 2019 resulta da conjugação de quebras verificadas nos volumes de carga embarcada (6,9%) e desembarcada (3,3%), face a igual período homólogo.

A carga contentorizada e fracionada em Leixões, os outros granéis líquidos em Sines e os minérios em Setúbal contribuíram significativamente para o impacto positivo das operações de embarque, registando, respetivamente, aumentos de 318 mil, +67,3 mil toneladas, 59,3 mil e 58,3 mil toneladas. Com impacto negativo nos embarques destacam-se a carga contentorizada e os produtos petrolíferos em Sines (menos 803,4 mil e menos 654,7 mil toneladas), os outros granéis sólidos em Lisboa (menos 222,6 mil toneladas), os produtos petrolíferos em Leixões (menos 129,7 mil toneladas) e a carga fracionada em Setúbal (menos 113,1 mil toneladas).

No que diz respeito às operações de desembarque, destacam-se as variações positivas dos produtos petrolíferos e dos outros granéis líquidos em Sines, com acréscimos de 1,44 milhões e 208,8 mil toneladas, respetivamente. Já os produtos petrolíferos e a carga ro-ro em Leixões, registaram crescimentos de 94,1 mil e 74,7 mil toneladas, respetivamente. A carga contentorizada (menos 1,2 milhões de toneladas), o petróleo bruto (menos 911,2 mil toneladas), o carvão (menos 446,6 mil toneladas) em Sines e o petróleo bruto (menos 313,9 mil toneladas) em Leixões contribuíram para as variações negativas registadas nestas operações.

Viana do Castelo, Figueira da Foz, Setúbal e Faro são os portos que apresentam um perfil de porto exportador, registando um volume de carga embarcada superior ao da carga desembarcada, com um quociente entre carga embarcada e o total movimentado, no período em análise, de 63,4%, 71,5%, 54,4% e 100%, respetivamente. No seu conjunto, estes quatro portos representam uma quota de carga embarcada de 15,2% (10,3% destes respeitam a Setúbal).
por: Pedro Venâncio
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