terça-feira, 17 de Setembro de 2019

 
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Passageiros & Mobilidade
29-08-2019

O país dos contrastes
O nosso país é, definitivamente, um país diferente de todos os outros.

É um país com poucos recursos, com carências socioeconómicas ainda muito evidentes (apesar das melhorias nas últimas décadas), com falhas clamorosas na organização do Estado (veja-se, a título de exemplo, os episódios dramáticos dos fogos florestais), com sinais de pobreza preocupantes, e com um sistema de ensino construído em cima de ideias soltas, sem estratégia e sem respostas para os problemas da nossa juventude.

Por outro lado, é um país que inventou o sistema de pagamento Via Verde e as caixas ATM, para já não falar de todas as dinâmicas associadas aos Descobrimentos quinhentistas, com tudo o que isso representou de empreendedorismo e de desenvolvimento técnico e científico. Atualmente é um dos Estados-membros da União Europeia com maior quota de energias renováveis no consumo energético e é conhecido pela qualidade da sua inteligência de investigação académica e tecnológica.

Se nós portugueses somos assim, se vivemos num país com estas características, espantoso seria que nas questões ligadas à mobilidade fossemos diferentes. E, de facto, não somos diferentes.

Temos uma política inovadora de tarifário social nos transportes públicos, com descontos para todos os estudantes, desde os quatro aos 23 anos, mas o Estado não paga esse desconto aos operadores de transporte, sendo necessário, todos os anos, passar um calvário de pedidos e reclamações para que esse pagamento seja efetivado, sempre com largos meses de atraso.

Temos muitas preocupações ambientais, mas em vez de restringirmos corajosamente o uso do transporte individual nas nossas cidades, insistimos em impor aos operadores de transporte público autocarros menos poluentes e de energias alternativas aos combustíveis fósseis, ignorando os elevadíssimos custos que isso representa.

Temos uma grande exposição às variações dos preços dos combustíveis, que representam cerca de 30% dos custos operacionais das empresas de transporte, mas, ao contrário do que acontece em grande parte dos países comunitários, o transporte público de passageiros não beneficia de qualquer apoio do Estado, que preferiu dá-lo ao transporte de mercadorias que é um serviço tipicamente comercial e não social.

Portugal e os seus contrastes, e sempre os mesmos prejudicados.
Haja forças para continuar a pregar!

por Luís Cabaço Martins
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