terça-feira, 17 de Setembro de 2019

 
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Passageiros & Mobilidade
29-08-2019

O valor da mobilidade partilhada
Muito se tem falado e escrito sobre a profusão de trotinetas e bicicletas que hoje circulam por Lisboa, mas a imagem que criam da cidade, nem sempre é a melhor e a mais dignificante. Podem colocar os peões em perigo e ficam estacionadas em locais indevidos e improváveis. Mas não são apenas as trotinetas. São os milhares de bicicletas e em menor escala, as centenas de scooters que todos os dias circulam por Lisboa. Se é certo que têm muitos adeptos e utilizadores, também é verdade que geram protestos, incómodos e receios em muita gente, mas o valor que criam para a mobilidade das pessoas é grande e não é despiciente.

Vejamos: em Lisboa, estas formas partilhadas de deslocação apresentam já indicadores expressivos. Dezassete operadores, entre carros partilhados, scooters, bicicletas e trotinetas, disponibilizam um total de oito mil veículos, 98% com emissões zero, e garantem diariamente cerca de 35 mil viagens. A grande maioria das deslocações são de ligação do transporte público ao destino, e outra parte, mais pequena, são viagens de lazer e turísticas. Atualmente, o número de clientes ativos ronda os 400 mil e têm, na sua maioria, idades entre os 20 e os 45 anos.

A adesão à mobilidade partilhada não tem parado de aumentar, mas os desafios que a Câmara Municipal de Lisboa e os operadores têm pela frente não devem ser descurados.

Aponto, talvez, os mais importantes: o primeiro é o de garantir níveis superiores de segurança na circulação. A massificação no acesso a velocípedes que atingem velocidades entre os 25 e os 80 km/h, por quem nunca teve qualquer formação ou experiência de condução e muito menos em contexto urbano, é crítico. Há que pensar em mecanismos e formas de assegurar formação e conhecimento, pois são as únicas vias para a criação de maior consciência e promover uma cultura de prevenção e segurança.

O segundo desafio é a necessidade de crescimento das vias dedicadas e exclusivas para a circulação. As vias já existentes vieram demonstrar que quando há condições para a circulação, a segurança é maior e a adesão cresce.

O terceiro desafio prende-se com o estacionamento. Uma rede adequada e com grande cobertura territorial, seja por estações físicas ou virtuais, é crucial para o ordenamento do estacionamento no espaço público, minorando situações indevidas e prejudiciais a todos.

Por último, a integração. A mobilidade partilhada é um dos elos da cadeia de mobilidade, e como tal, tem a mesma importância de todos os outros modos de transporte, devendo todos funcionar de forma articulada e integrada. A integração proporciona ao consumidor o acesso, a escolha e a aquisição do modo de deslocação mais adequado às suas necessidades.

Os modos partilhados vieram para ficar e ganharam espaço e lugar na vida das pessoas, mas é necessário não destruir o valor que já hoje representam e acautelar a captação do valor que, no futuro, ainda podem gerar.


por José Monteiro Limão
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