A Comissão Europeia vai financiar o município de Lisboa, em cerca 4,5 milhões de euros, para o desenvolvimento de um sistema digital de partilha de dados que permita converter a informação deixada pelos utilizadores em medidas concretas para melhorar a rede e o sistema de transportes da capital portuguesa.
A verba, proveniente do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), será assim atribuída à cidade de Lisboa após o município ter concorrido à quarta edição do concurso Ações Urbanas Inovadoras, uma iniciativa promovida pela região francesa de Hauts-de-France, em colaboração com a Comissão Europeia.
Lisboa, a par de Gavà (Espanha), Heerlen (Holanda), Ravena (Itália), Rennes (França), Växjö (Suécia) e Viena (Áustria), foi uma das cidades escolhidas na categoria de transição digital, com um projeto da empresa VoxPop, com o objetivo de “facilitar a apresentação de comentários dos utilizadores para melhorar o sistema de mobilidade da cidade”, detalha a Agência para o Desenvolvimento e Coesão (ADeC).
O sistema de partilha de dados da VoxPop vai permitir, através de métodos de inteligência acionável, converter a informação deixada pelos utilizadores em medidas concretas para melhorar o sistema de transportes ao nível do planeamento, operação e manutenção, proporcionando, adicionalmente, “serviços avançados de mobilidade centrados no utilizador”.
O projeto de mobilidade urbana VoxPop vai ser gerido pela EMEL e contará com a participação da Carris, do Metropolitano de Lisboa, da ARMIS, da Beta-i, da Deloitte Portugal e da OTLIS.
O VoxPop arrancará ainda em 2019 e, durante três anos, irá mobilizar os vários agentes do ecossistema local de inovação, através da criação de uma Aliança de Inovadores, que irá permitir a partilha de dados públicos e privados, com vista à criação de soluções de mobilidade que vão ao encontro das necessidades daqueles que vivem, trabalham e visitam Lisboa.
O VoxPop é financiado pelo Urban Innovative Actions, um programa promovido pela Comissão Europeia, que visa financiar soluções ambiciosas e inovadoras para responder a desafios na área da mobilidade urbana.
Representando um investimento global superior a cinco milhões de euros, até 2022, a componente a cargo da EMEL engloba um orçamento total acima de um milhão e meio de euros.
Luís Natal Marques, presidente da EMEL, refere que, para a empresa, “este é um marco particularmente importante, uma vez que este investimento irá permitir alargar as nossas competências nas áreas de analítica de dados e customer intelligence, para melhor informar o desenvolvimento de novas soluções de mobilidade. Será mais um passo para consolidar a EMEL enquanto agente ativo no planeamento e gestão da mobilidade da cidade”.
Segundo o executivo comunitário, “a cidade de Lisboa acredita que a transição digital é uma jornada que combina pessoas, processos e tecnologia e, por essa razão, o VoxPop também irá olhar para os desafios não tecnológicos, nomeadamente de governação, modelos de negócio, foco no utilizador e consequências não intencionais da inovação digital”. Em cima da mesa estão 4.479.202 euros para a concretização deste projeto. O prazo para a sua implementação não foi, contudo, ainda revelado.
Na presente edição do concurso Ações Urbanas Inovadoras serão distribuídos 82 milhões de euros, em fundos do FEDER, a um total de 20 projetos urbanos em países como Portugal, Grécia, Finlândia, Itália, Espanha, Holanda, França, Suécia, Áustria, Roménia, Reino Unido, Bélgica e Alemanha.
Além da área da transição digital, são abrangidos projetos relativos à segurança urbana, à utilização sustentável dos terrenos e à pobreza urbana. No total, o FEDER vai alocar uma verba global de 372 milhões de euros.
A Agência para o Desenvolvimento e Coesão ressalva ainda que o quinto e último convite à apresentação de propostas, no âmbito das Ações Urbanas Inovadoras, vai ser lançado em setembro de 2019, sendo esta a última oportunidade, no atual orçamento da UE (2014-2020), que as cidades terão para pedir o financiamento de ações inovadoras nos domínios da cultura e do património cultural, da economia circular, da qualidade do ar e da evolução demográfica. As cidades vencedoras serão anunciadas no segundo trimestre de 2020.
Os três convites lançados anualmente, desde dezembro de 2015, permitiram selecionar 55 projetos de 17 Estados-membros.