sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

 
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Carga & Mercadorias
30-05-2019

YoungShip Portugal
«Os jovens são o futuro do shipping português»
O capital humano jovem é o futuro do setor marítimo-portuário a nível nacional e internacional. Assim defende a YoungShip e todos os seus departamentos espalhados pelo globo.



Nascida em 2004, em Bergen, na Noruega, a YoungShip está atualmente presente em 22 países. Portugal entrou nos quadros em 2019, e sendo o shipping um negócio internacional, a comunicação com profissionais de outros países passou a fazer parte da rotina diária de todos os membros da YoungShip Portugal.

Após fazerem a candidatura à YoungShip Internacional, os fundadores procuraram profissionais do shipping em Portugal, com espírito trabalhador e empreendedor, e as primeiras conversas foram «muito positivas».

Além disso, e de forma a alavancar a associação desde o seu início, os fundadores escolheram «uma pessoa com experiência, com espírito jovem, e que apadrinhasse a iniciativa». Miguel Vieira de Castro, presidente da APIBARRA, foi o escolhido, e cedo «demonstrou disponibilidade para se juntar ao projeto».
 
À Transportes em Revista, a YoungShip Portugal explicou que o grande objetivo, neste primeiro ano de atividade, «é criar uma rede de contactos entre todos os profissionais do setor. Com esta rede, pretendemos criar sinergias não só para os nossos associados evoluírem profissionalmente, mas também para que as empresas nossas parceiras possam crescer».

Todos os membros da YoungShip Portugal têm em comum terem estudado na Escola Náutica Infante D. Henrique (ENIDH), mas relativamente ao percurso profissional, cada um tem o seu próprio caminho. «O conceito da YoungShip é mesmo este, partilhar várias experiências entre todos os associados e membros para fazer com que o setor marítimo-portuário em Portugal evolua». Além disso, a YoungShip pretende que as pessoas mais experientes do setor proporcionem aos mais recentes profissionais uma abertura para adquirirem conhecimentos, contactos e até terem voz ativa no setor.

«Queremos criar sinergias para trazer ideias inovadoras, novos métodos de trabalho e valor às empresas parceiras da YoungShip Portugal. Acreditamos que os jovens são o futuro da indústria e são eles que têm de dar continuidade ao shipping português, preocupando-se com o seu crescimento e sucesso». Encontrar parceiros – sejam empresas, associações ou organizações – é umas das prioridades da YoungShip Portugal, «de forma a que haja uma integração dos jovens profissionais em eventos, conferências e congressos, dando-lhes uma voz ativa no mundo do shipping e novas oportunidades para crescer, expor as suas ideias e adquirir novos conhecimentos».
 
Atualmente, a delegação portuguesa é composta por seis membros, de cinco entidades diferentes. Questionada sobre que mais-valias pode trazer a pluralidade de intervenientes à associação e ao setor, a YoungShip elucida que «o que pretendemos é diminuir a distância que existe entre esses mesmos intervenientes e com isto criar oportunidades de diálogo que numa situação, dita normal, do dia-a-dia, não existiriam. O facto de conseguirmos reunir num único espaço pessoas que tenham uma ideia que pode ajudar ao desenvolvimento do setor e outras que tenham as ferramentas para potenciar essa mesma ideia, é algo que acabará por ser indiretamente uma mais-valia para todos os que trabalham no shipping». 2019 marca o arranque da YoungShip Portugal. «O primeiro ano de uma associação não é o mais fácil. Estamos a conhecer-nos, a construir a equipa e a tentar perceber de que forma conseguimos integrar-nos no setor». Até ao final do ano, a associação pretende alcançar os 100 associados, sendo a principal meta transmitir os valores e objetivos da YoungShip Portugal aos jovens do setor, e assim convencê-los a associar-se. A associação conta igualmente com três empresas parceiras e quer «terminar o ano com uma estrutura interna bem definida, um grupo de associados consistente para que o network seja realmente interessante e um grupo de empresas parceiras satisfeitas e dispostas a colaborar em eventos do interesse do setor».
 
«Confiança e apoio» são as promessas da YoungShip Portugal a futuros membros da associação: «abriremos as portas aos jovens com vontade de se integrar e ter uma presença ativa no setor».

Já aos profissionais que atualmente desempenham funções, a YoungShip Portugal quer transmitir «que a sua ajuda é essencial para o crescimento da associação», ao mesmo tempo que a entreajuda de quem melhor conhece o setor, tornará a YoungShip Portugal «um grupo mais forte».

Ao setor (de hoje), a YoungShip Portugal quer passar a mensagem de que os jovens (de amanhã), com «novas ideias e pensamentos, facilidades em tecnologia e partilha de opiniões», vão «revolucionar o funcionamento das empresas».

E o que é preciso para ser membro da associação? «Ser português, ter até 40 anos e trabalhar em qualquer área do shipping: desde o departamento de importação/exportação de uma empresa, estivador num porto, marinheiro/oficial num navio, trabalhar numa agência de navegação, num broker, num armador, num transitário, ou em qualquer outra área relacionada com shipping».
 
A nível global, os 27 departamentos da YoungShip International têm o objetivo de partilhar os seus contactos, eventos e eventos dos seus parceiros. «É suposto cada departamento crescer e ajudar a crescer através dos vários associados, sejam eles pertencentes ao seu [departamento] ou a outro. Todos os departamentos são convidados para os eventos dos restantes de forma a que a partilha de informação faça crescer a YoungShip».

A média de idades dos seis membros da YoungShip Portugal ronda os 25 anos. Em conversa com a Transportes em Revista, todos apontam que «houve um largo período de tempo em que o setor do shipping foi pouco valorizado pelas comunidades mais jovens», razão pela qual ainda se considerar este setor envelhecido. Todavia, «a tendência tem vido a alterar-se e, nos últimos anos, é visível uma maior integração de jovem nas empresas», esclarecem.

Segundo a associação portuguesa, «a necessidade de renovar recursos humanos, por parte das empresas, cruzou-se com uma maior procura de jovens pelas diversas atividades nestes setor e assim sendo, temos hoje uma comunidade com uma média de idades inferior ao que poderíamos encontrar há vinte anos atrás».
 
Hoje em dia, uma mentalidade jovem e desformatada está diretamente relacionada com evolução. Assim, para os membros da YoungShip Portugal, é importante sair «da zona de conforto». Porém, garantem: «enquanto jovens, somos muitas vezes integrados em empresas com processos que naturalmente questionamos, e a resposta mais comum ao porquê de ser feito da forma atual é ‘porque sempre se fez assim!’».

O setor do shipping vai ajustar-se, «é uma necessidade», acredita a YoungShip Portugal. «Organizações como a nossa representam, por si só, um acordar dos jovens para a atividade que envolve o setor marítimo e um interesse em fazer parte de uma evolução absorvendo ao máximo o conhecimento que o dito setor ‘envelhecido’ pode partilhar, aplicando a irreverência jovem ao desafiar tudo o que se conhece até então».

Para estes jovens portugueses, «o setor, mais do que nunca, está disponível para evoluir, particularmente em Portugal, severamente atrasado em relação ao mercado internacional. As organizações procuram soluções nos mais jovens, e se alguma resistência ainda houvesse a uma mudança de paradigma, cremos piamente que não tardará a desaparecer por completo».
 
O setor marítimo-portuário é uma das principais alavancas da economia nacional. Além de contribuir para o desenvolvimento económico, ajuda direta ou indiretamente à criação de novos postos de trabalho. «Enquanto jovens deste setor, queremos ver Portugal assumir cada vez maior preponderância no fluxo de trocas comerciais a nível internacional, não só pelo aumento do nosso número de exportações, mas também através da utilização dos portos portugueses como hubs de transbordo, mas para que isso aconteça, temos de ser eficientes».

Questionados sobre o potencial de Portugal em vingar internacionalmente, os membros da YoungShip Portugal são pragmáticos em afirmar que «o tempo de um navio em terminal é diretamente influenciado pela capacidade das operações portuárias [nesse terminal]». Assim, «numa perspetiva mais abrangente e olhando para o potencial dos terminais, não podemos olhar isoladamente para o desenvolvimento dos mesmos, uma vez que estes são ‘alimentados’ e ‘escoados’ quer por transporte rodoviário, quer por transporte ferroviário, ficando assim diretamente dependentes».

A importância da multimodalidade é assim evidenciada pela YoungShip Portugal, alinhada com uma evolução racional dos terminais portuários. «O desenvolvimento excessivo e unilateral dos terminais portuários não poderá ser opção, e é importante olharmos para a rodovia e a ferrovia como uma extensão das operações marítimas». Na opinião destes jovens, «com os investimentos certos, poderemos vir a ter capacidade para concorrer com os terminais de Barcelona ou de Algeciras, uma vez que Lisboa se encontra praticamente à mesma distância que estes portos estão de Madrid».

por Pedro Venâncio
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