sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

 
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Carga & Mercadorias
29-05-2019

Greves e mais greves
Chego à triste conclusão de que, com a atual lei da greve, não há forma de vermos alguns dos direitos básicos de cidadania devidamente acautelados e assegurados. Pelo que tem acontecido, cada vez com maior frequência, é possível ficar sem transportes públicos, sem aulas, sem cuidados de enfermagem, sem portos, sem gasolina, etc. por períodos cada vez maiores, sem que se possa fazer muito para alterar a situação. A atual lei da greve tudo permite.

A greve deixou de ser o recurso que só é utilizado depois de esgotados todos os outros para, ao invés, ser o recurso a utilizar para condicionar todos os outros. Criam-se as condições, através de propostas irrazoáveis, para se fazer primeiro a greve e assim marcar terreno, para só depois se avançar com ganhos, quase assegurados, para negociações. Esta estratégia é tanto ou mais bem-sucedida consoante se tenha o monopólio em determinados setores estratégicos e assim se consiga causar maiores danos a terceiros. Em termos pragmáticos, uma greve bem-sucedida deixou de ser avaliada pela justeza e equilíbrio das soluções encontradas, passando antes a ser medida pela quantidade de prejuízos que causa a todos. Já só falta que as estruturas sindicais façam comunicados referindo não a percentagem de trabalhadores aderentes à greve, mas antes a percentagem de cidadãos que por ela foram prejudicados.

Para agravar a situação, as greves que no passado eram dominantemente públicas e/ou políticas “evoluíram” e passaram agora também a ser privadas. Constata-se com curiosidade como o agora poder dominante as passou a classificar de boas e más, consoante os seus promotores estejam alinhados ou fujam ao seu controlo.

É previsível, tal como tem acontecido que, com o quadro de crescente desalinhamento associativo dos trabalhadores das centrais sindicais “tradicionais”, o poder político tenha cada vez maiores dificuldades em lidar com greves, que invariavelmente descambam em situações que põem em causa a segurança nacional.

Por isso, entendo urgente rever a lei da greve, conferindo-lhe uma proporcionalidade que hoje perdeu, evitando que uns poucos a utilizem para condicionar a vida de tantos e assim obterem tudo o que pretendem mesmo que economicamente irrazoável.

por António Belmar da Costa
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