quarta-feira, 26 de Junho de 2019

 
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Carga & Mercadorias
29-05-2019

Contentores: os eternos mal amados
Todos, pelo menos os que lidamos com eles, sabemos o que é um contentor marítimo, para que serve, como é utilizado e a sua importância no comércio mundial dos dias de hoje.

Quando ouvimos falar da importância estratégica dos portos, da sua ligação ao hinterland, da sua função intermodal e da sua importância na cadeia logística e de abastecimento, nunca se vê ou lê qualquer referência à logística dos contentores em si. Não nos referimos aos contentores com carga, mas aos contentores vazios.

Quando um contentor chega com uma carga a um porto nacional, depois dos trâmites alfandegários necessários, segue para o seu destino final a fim de lhe ser retirada a carga que transporta. Após essa operação segue para um parque, a que vulgarmente se chama de segunda linha, para poder ser limpo, vistoriado e eventualmente reparado, para garantir que se encontra nas perfeitas condições estruturais e higiénicas para poder ser reutilizado numa futura carga de exportação ou, por vezes, movimentado em vazio para um destino onde será mais útil, garantindo que se encontrará apto a transportar o peso máximo permitido de carga (payload) dentro dos parâmetros da Convenção CSC (Convention for Safe Containers).

Os nossos autarcas, e a maior parte dos nossos políticos, parece desconhecer esta necessidade logística dos contentores, tendo uma total aversão à existência de parques de contentores nos seus feudos, ostracizando-os para longe dos olhos dos seus eleitores, ignorando dessa forma o aumento de custos que isso acarreta em todo o sistema logístico e por reflexo na economia nacional e no ambiente. Sim, porque está tudo ligado.

Em tempos idos fizeram-se estudos e mais estudos sobre estes assuntos, como a rede nacional de plataformas logísticas, definindo-se áreas logísticas que incluíam também parques de contentores, os quais representam uma atividade de prestação de serviços fundamental a todo o sistema. Mas no fim, nada se fez, nem existe qualquer ideia de o fazer, caminhando-se para um ponto em que, brevemente, os parques de contentores existentes serão escorraçados para distâncias dos portos em que se não tiverem um ramal de comboio e mais operadores de transporte ferroviário, resultará num aumento de custos de transporte e tráfego rodoviário, com todos os inconvenientes financeiros e económicos daí inerentes.

Talvez fosse bom pensar no assunto e fazer os necessários planos para se resolver este problema que não é do futuro, mas do presente.

por João Soares
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