sábado, 7 de Dezembro de 2019

 
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Carga & Mercadorias
22-05-2019
Reboques portuários
Rebonave acusa Svitzer de ter deixado «um rasto destruidor» em Portugal
A Rebonave, empresa portuguesa de rebocagem, reagiu de forma bastante contundente ao anúncio da venda do negócio da Svitzer Portugal ao consórcio formado pela Pioneiro do Rio e Grupo Sousa. Em declarações à Transportes em Revista, a administração da Rebonave, refere que a Svitzer reconheceu «os resultados perversos das suas ações, baseadas na predação do mercado, que têm conduzido à degradação do desempenho financeiro/empresarial e sustentabilidade dos operadores locais, há muito estabelecidos nos portos nacionais, provocando mesmo a extinção de alguns deles. O resultado destes comportamentos, que classificamos como incorretos e em total desvirtuação da verdade, fizeram-se agora sentir, também na sua própria origem». Segundo a empresa portuguesa «como a própria Svitzer refere no seu comunicado, a importante decisão de sair de Portugal, decorre de factos como “(…) ter-se confrontado com uma redução de volumes (…) uma sinergia limitada entre os portos portugueses e a restante carteira da empresa dinamarquesa (…)” e um desempenho empresarial/financeiro analisado desde 2005, que sabemos, porque é publico, com avultados prejuízos acumulados. Face aos últimos acontecimentos, pensamos ter ficado mais claro (se dúvidas houvesse), tudo aquilo a que nos referimos e nos conduziu à situação em que nos encontramos. Apenas fruto da abnegação e frontalidade entre outros, da Rebonave, a Svitzer retira-se agora de Portugal, sem ter conseguido atingir o objetivo a que se propôs, com a sua prática ilegal de preços anormalmente baixos, mesmo abaixo do custo: destruir a concorrência nacional (nomeadamente a Rebonave), para depois abusar da sua posição monopolista, na atividade de reboque portuário». Questionada sobre como se irá comportar agora o mercado nacional de rebocagem, após a saída da empresa ligada à Maersk, a administração da Rebonave adianta que «a informação disponível, não permite antever como se irá comportar no imediato, um mercado cujo valor foi severamente afetado pelo comportamento anti concorrencial da Svitzer em Portugal e que quase conduziu à extinção das empresas nacionais do sector. Mas esperamos que, com a saída de cena da Svitzer, o mercado possa retomar gradualmente o normal funcionamento e o seu real valor, e os operadores nacionais que conseguiram sobreviver (obrigados a reduzir os seus efetivos e alienando ativos), possam voltar a disputar o mercado em igualdade de circunstâncias». No entanto, a Rebonave adianta que apesar de ter «sofrido os efeitos severos destes comportamentos, preservou contudo a sua capacidade para a prestação de serviços de reboque e assistência naval, com a qualidade e integridade, com que sempre procurou servir, ao longo dos seus 30 anos de atividade. Poderão por isso, os utentes dos portos Portugueses estar confiantes, porque lhes está garantida a prestação do serviço público de reboque portuário de que os seus navios carecem».

«Svitzer pouco ou nada contribuiu para a economia local».
 
A Rebonave critica ainda «a aparente naturalidade» com que a «Pioneiro do Rio, empresa de amarração detida pelo diretor-geral da Svitzer Portugal, um dos principais responsáveis pelo descalabro da própria Svitzer em Portugal, vê agora uma “oportunidade empolgante”, para a continuação da operação de reboque portuário». E refere que «a Svitzer pouco ou nada tendo contribuído para a economia local (nem fiscalmente), pelas suas ações localmente, com o  suporte ativo da Svitzer Europa,
destruiu-se em poucos anos, procurando arrastar para o fundo, todos aqueles que, apesar dos condicionalismos económicos, sobretudo externos, mantinham uma atividade económica com resultados, contribuintes líquidos para a nossa economia». A Rebonave refere ainda que espera que «a Pioneiro do Rio, que sempre atuou à sombra da marca Svitzer e que com ela partilha processos de denúncia apresentados na Autoridade da Concorrência (AdC), não venha agora continuar as práticas anti concorrenciais herdadas da Svitzer, na atividade de reboque portuário». Em relação à entrada do Grupo Sousa neste negócio, a empresa de rebocagem salienta que confia que o grupo português terá «plena consciência do rasto destruidor que a empresa que agora adquiriu, deixou em Portugal (que não será esquecido no tempo) e que quase conduziu à extinção das empresas nacionais do sector. Terá pois uma responsabilidade acrescida, para a rápida retoma da normalidade da sua participação no mercado do reboque portuário, no respeito da lei e das boas práticas concorrenciais».

Rebonave não vai retirar as denúncias que apresentou na AdC contra a Svitzer

A Svitzer Portugal possui, atualmente, vários processos de denúncia junto da Autoridade da Concorrência, oriundos de vários operadores portuários, incluindo a Rebonave.
«Mais do que nunca se impõe uma avaliação e um processo de investigação célere, por parte da AdC, que possa determinar quais as ilegalidades que foram praticadas, contribuindo para a atual situação e, se for caso disso, penalizados os seus autores. Lembramos a propósito, a decisão vinculativa do regulador AMT determinando a cessação do regime contratual existente entre a Lisnave e a Reebonave (em vigor há dezenas de anos sem qualquer contestação). Foi esta decisão tomada com toda a celeridade seis meses após uma queixa única da Svitzer Portugal, com o beneplácito de um parecer da AdC. e com um prazo de 15 (quinze) dias para a sua implementação», refere a companhia.
Adianta ainda que «não deixa de ser uma coincidência que esta importante decisão da Svitzer, aconteça quando já estão em curso processos na Autoridade da Concorrência (que decorrem da actividade de reboque da Svitzer e de amarração por via da Pioneiro do Rio), acções em Tribunais Administrativos, queixa crime contra a Administração da Svitzer, na Provedoria de Justiça, e a própria Assembleia da República, que procura averiguar o que está a acontecer, no decurso de uma investigação jornalística de um órgão de comunicação social, que revelou publicamente as suas práticas anti-concorrenciais». A Rebonave conclui que «não vai (nem pode) retirar as denúncias que apresentou na AdC, nem desistir das ações que intentou contra quem destruiu o mercado, praticando tais ilegalidades, pelo respeito que nos merecem os operadores que, por esse facto, se viram forçados a cessar a sua atividade e pelos trabalhadores que foram lançados no desemprego».
por: Pedro Pereira
Tags: AdC   Portos   Rebocagem   Rebonave   Svitzer  
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