sábado, 24 de Agosto de 2019

 
STCP
Passageiros & Mobilidade
14-02-2019

Desafios do Terminal de Cruzeiros de Leixões
Volvidos mais de três anos desde a inauguração do Terminal de Cruzeiros de Leixões, é chegado um momento oportuno para refletir sobre o seu futuro. O Terminal de Cruzeiros de Leixões pode ser um determinante motor de desenvolvimento da região, mas é necessário que a sua gestão esteja à altura do desafio.

A APDL, Administração dos Portos do Douro e Leixões, S.A., tomou em boa hora a decisão de investir na expansão do cais acostável e na construção de um novo terminal. Essas decisões foram executadas e estão concluídas. Do ponto de vista infraestrutural, o Porto de Leixões encontra-se hoje dotado das melhores condições que operadores e passageiros podem esperar. A questão que se coloca agora é como extrair o máximo potencial da infraestrutura existente.

Para aproveitar a sua plena capacidade, o terminal necessita de uma gestão dinâmica e com fortíssima orientação comercial. Já lá vão os tempos em que eram os armadores que procuravam portos para escalar. A realidade em que o terminal de Leixões hoje se move é a de forte concorrência, e ao nível internacional. Um terminal que queira ser relevante ao nível internacional tem de ir atrás dos armadores, disputando com outros as linhas de cruzeiros disponíveis, oferecendo condições de criação de valor e mais-valias únicas. Mas o sucesso do Terminal de Cruzeiros de Leixões passa também pela otimização do interface com a sua região. Desde logo, precisa de tirar todo o partido da sua localização próxima do aeroporto Francisco Sá Carneiro, coordenando-se estreitamente com este para aumentar o número de movimentos turnaround, trazendo passageiros que embarcam e desembarcam no terminal (e não estão apenas em trânsito) e gozam de estadias mais demoradas na região.

Requer ainda uma boa articulação com toda a atividade económica e turística da cidade do Porto e do rio Douro. O que inclui estabelecer parcerias com poderes públicos e agentes privados, convergindo para a prossecução de objetivos comuns.

Não é essa a vocação natural de uma Administração Portuária, que está naturalmente orientada e capacitada para o exercício dos seus poderes de autoridade. Contra ela jogam até as limitações legais de índole financeira, contratual e operacional que são próprias das empresas públicas, que tolhem a liberdade de movimentos imprescindível para o sucesso comercial a nível internacional de um player como um terminal portuário de passageiros.

A gestão eficiente de um terminal moderno requer competências e dinâmicas que são próprias do setor privado. Isso consegue-se com a adoção de um modelo de gestão concessionada do serviço público de movimentação de passageiros, que permita a entrada de operadores privados experientes e com a qualificação necessária para levar o terminal de Leixões a dar o salto.

Ao operador privado devem ser exigidas todas as tarefas para o bom funcionamento do terminal: assegurar todas as matérias de segurança e proteção e o cumprimento integral do Internacional and Port Security Code (ISPS), a realização universal e não discriminatória das operações de embarque, desembarque e trânsito dos passageiros de navios de cruzeiro e as suas bagagens, o abastecimento dos navios de cruzeiro, lidar com os operadores de excursões e de terra e, ainda, ordenar e controlar o uso das zonas de parqueamento de táxis e autocarros de turismo, bem como explorar o estacionamento ou desenvolver áreas comerciais e de restauração.

Essa entrada deve naturalmente ser cuidadosamente estudada e preparada, de modo a corresponder às exigências colocadas pelo Porto de Leixões e pela região que o mesmo serve.

por Tiago Souza d’Alte
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