domingo, 21 de Abril de 2019

 
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Passageiros & Mobilidade
14-02-2019

Quatro anos disto
Na sua quarta discussão na especialidade da proposta de Orçamento do Estado, desta vez para 2019, o ministro do Planeamento e Infraestruturas disse pela quarta vez aos deputados que a linha ferroviária de Cascais terá um financiamento comunitário de 50 milhões de euros no âmbito da reprogramação do programa Portugal 2020. O que motivou provavelmente o meu quarto artigo nesta revista sobre o assunto.

Independentemente deste montante já ser absolutamente insuficiente, ele será canalizado para o investimento na infraestrutura desta linha suburbana que diariamente transporta cerca de 90 mil passageiros e é previsível um aumento da procura com a redução nos preços dos passes sociais, prevista no mesmo Orçamento do Estado para 2019. A submissão formal para a reprogramação dos fundos europeus deu entrada há poucas semanas, depois da aprovação técnica por parte da Comissão Europeia. A expetativa do Governo é que o dossiê da reprogramação esteja concluído no espaço de um mês. As obras serão lançadas até ao final deste ano ou no início do próximo. Pese embora os 18 concelhos da área Metropolitana de Lisboa terem já acordado num passe social único, com o custo máximo de 40 euros, que irá funcionar em todos os meios de transporte da AML e que estará disponível em abril do próximo ano, eliminando-se os cerca de dois mil tipos de passe que existem atualmente e terem decidido passar a ter em 2020 uma marca única de transportes públicos a servir os 18 concelhos; tendo em conta que as autarquias de Lisboa, Cascais e Oeiras estão em (adiantadas) conversações para a criação de uma faixa exclusiva para autocarros na A5, que liga Cascais a Lisboa; pese tudo isto, no problema ‘mais simples’ e em que poderíamos ter resultados imediatos se o tivéssemos resolvido atempadamente, o comboio, nada foi feito. E, na verdade, para que serve o passe metropolitano se as pessoas não se puderem deslocar, se não há comboios? As prioridades foram trocadas. Todos os dias entram em Lisboa cerca de 250 mil carros o que torna o trânsito insuportável dentro da cidade. As alternativas estão deterioradas. O primeiro problema que o Governo deveria ter resolvido era o da mobilidade na periferia, nomeadamente para os milhares de pessoas que entram e saem de Lisboa todos os dias.

Por mais que o Governo atire a resolução do problema e repita até à exaustão que a reprogramação do Portugal 2020 consagra uma forte aposta no metro de Lisboa e do Porto e na Linha de Cascais, que há mais investimento nas mobilidades urbanas e suburbanas, avançamos zero neste capítulo. Perderam os munícipes de todos os concelhos em qualidade de vida, degradou-se ainda mais o estado da Linha de Cascais e dos comboios, cada vez mais o investimento de 50 milhões é um remendo e cada vez menos as pessoas acreditam em todos os agentes políticos, nuns justa, noutros injustamente, como capazes de lhes fornecer uma solução para o caos dos transportes.

O que se passa na Linha de Cascais é inconcebível num país da União Europeia, mais ainda a 30 quilómetros da sua cosmopolita capital. Hoje, chegar a Lisboa de comboio desde Cascais demora, na melhor das hipóteses 40 minutos; de carro, em hora de ponta normal chega a uma hora e meia, mas este pode ser o único meio possível para o que se pretende fazer na cidade e nos horários pretendidos. Escrevo este artigo a partir da Smart City World Congress, em Barcelona, onde vi partilhar com o mundo o trabalho que estamos a fazer em Cascais para sermos o melhor sítio para qualquer pessoa viver um dia ou uma vida inteira. Falarei dos novos modelos de negócio que estão a revolucionar a mobilidade, num congresso cujo mote é ligar a inovação à inclusão social e à sustentabilidade do planeta. 70% da população mundial viverá em cidades em 2050, por isso apresentar ideias neste congresso é um desafio enorme.

Questiono-me por mais quanto tempo todas estas políticas, tecnologias e boas ideias discutidas aqui, serão uma miríade para os nossos cidadãos pelo país fora que, a coberto de outras pretensas melhorias, têm a vida transformada num inferno diário se querem deslocar-se para coisas tão quotidianas como trabalho e escola. Enquanto responsáveis políticos, apregoamos a igualdade de oportunidades como bandeira eleitoral, mas se queremos construir uma sociedade verdadeiramente democrática temos que por a mobilidade na primeira linha de atuação.

Questiono-me nesta qualidade em que é que estamos a falhar.

por Miguel Pinto Luz
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