segunda-feira, 21 de Janeiro de 2019

 
Carga & Mercadorias
13-12-2018

We do not believe in witches
Pero que las hay ... hay
Vous comprenez?
Eles andam aí…
Todos à volta da nossa menina pobrezinha, sem bens, sem rendimentos, com poucas receitas, mas muitas despesas, no entanto, uma princesa lindíssima e à beira-mar plantada.

Nasceu em 1860 com o nome de Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, logo uma princesa real, como tal, com muitos pretendentes.
Na primeira metade do século XX, passou por um processo de expansão, tendo assimilado várias empresas ferroviárias privadas (reinos). No entanto, os efeitos da 2.ª Guerra e o avanço dos outros meios de transporte deterioraram de tal forma a sua situação económica que, após o 25 de abril de 1974, foi necessário nacionalizar “o reino”, mudando novamente de nome, para Caminhos de Ferro Portugueses, E.P., ou seja, tornando-se novamente, numa simples plebeia e protagonista de uma outra história a partir desse momento.

Temos então uma Carochinha muito linda, que, um dia, vê entrar casa adentro uma série de resoluções europeias que lhe retiram partes do reino e a tornam numa rapariga linda, mas pobre. Pobre de inspiração, pobre de estratégia, pobre de alma e sujeita a pressões que não estava habituada, não tinha sido preparada e não se tinha preparado, enquanto que as outras “princesas” dos outros reinos, olhavam e aguardavam o resultado de tal experiência. A nossa Carochinha, agora também “cobaia” veio para casa, pôs-se à janela e perguntou:
– Quem quer casar com a Carochinha, que é formosa e bonitinha?
– Quero eu! Quero eu!
– Quem és tu? Que língua estranha falas?
– Sou o Príncipe Encantado! E falo alemão.
– Um Príncipe Encantado alemão? De certeza que não está enganado?
– Minha princesa neste reino não se fala francês?
– Não, meu Príncipe Encantado. Isso é ali mais acima, aqui falamos português.
O Príncipe lá foi e a Carochinha voltou a perguntar:
– Quem quer casar com a Carochinha, que é formosa e bonitinha?
– Quero eu! Quero eu!
– Quem és tu? Que língua estranha falas?
– Sou o Príncipe Encantado! E falo francês.
– Um Príncipe Encantado francês?
A nossa Carochinha ficou imediatamente derretida com a língua francesa, mas de repente, perguntou:
– De certeza que não estás engando?
– Minha Princesa, neste reino não se fala espanhol?
– Não, meu Príncipe Encantado. Isso é ali mais ao lado, aqui falamos português.

O leitor desta história já se interroga, então onde anda o Príncipe da nossa Carochinha? Ninguém a quer? Tão linda, formosa, guapíssima, beautiful e magnifique.

Querem ver que afinal só querem o reino?
Não sabemos como terminará a história da nossa Carochinha. O que sabemos é que já nos entram pela Galiza alemães que falam espanhol. Entram por Castilha e Leão, espanhóis que falam alemão e outros espanhóis que falam francês. A nossa Carochinha decide então aprender línguas para fazer face a estas incursões ao reino e prepara-se para falar qualquer língua, preparando-se assim para o embate, mas não percebe, que pode ficar a falar linguagem gestual (da feia), porque todos eles vão ficar com o reino aos pedaços, usurpando as melhores especiarias e riquezas e ela limitar-se-á a dançar com o mais “desengraçado”, quiçá o mais feio.

Peter Druker defende que o sucesso cria sempre novas realidades. Cria sempre acima de tudo, os seus próprios e diferentes problemas. Ora, desta opinião infere-se que o sucesso é elemento fundamental de uma estratégia, logo é fundamental ter sempre uma estratégia. Parece fácil, não?
Mais cedo ou mais tarde o que deu origem ao sucesso deixa de ser adequado (encheram-se os comboios de passageiros, conseguiu-se aumentar ligeiramente a quota de mercadorias transportadas), novas estratégias têm que ser sistematicamente implementadas. Tão fácil, não é? Todos sabemos que só os contos de fadas acabam com “E viveram felizes para sempre”.

por António Nabo Martins
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