segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018

 
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Passageiros & Mobilidade
19-11-2018

O que se quer com a redução do preço dos passes
Tomar decisões que tragam ao transporte público maior acessibilidade e relevância na vida das pessoas, das cidades e das regiões, são sempre decisões, que a tudo e a todos, trazem vantagens e são sempre bem-vindas.

Ao propor uma redução agressiva do preço dos passes sociais na área metropolitana de Lisboa, Fernando Medina afirma que o objetivo desta medida é o de reduzir fortemente o uso do automóvel na cidade em favor de uma maior utilização dos transportes públicos. Segundo o próprio Fernando Medina esta medida teria um custo de 65 milhões de euros a serem suportados pelo Orçamento do Estado, isto é, por todos os contribuintes.

A terreiro veio logo o primeiro-ministro, esclarecendo que, por critérios de equidade, a mesma medida deveria também ser aplicada à Área Metropolitana do Porto.

Mais tarde, o próprio ministro do Ambiente esclareceu que todas as regiões terão de ser consideradas para esta medida, pois, e passo a citar, “O país não vai ficar atrasado”.

Matos Fernandes disse ainda que cada município deveria também ser responsável por suportar a perda de receitas relativa às deslocações dentro do respetivo território.

A ser assim, é justo que os municípios que fazem parte das duas áreas metropolitanas também contribuam para suportar este custo.

Estando em fase de estudo pelo Ministério do Ambiente, desconhece-se se esta medida, que no seu todo representa cerca de 100 milhões de euros, será considerada já no próximo Orçamento do Estado...

Independentemente das críticas que a proposta e as declarações posteriores provocaram, esta é a primeira vez que de forma direta o Estado considera a possibilidade do financiamento do transporte público, e isso, é muito positivo e de salutar.

No entanto, sendo certo que a redução do preço dos passes irá beneficiar muitas famílias, é duvidoso que esta redução provoque o efeito tão desejado.
E a explicação é simples:
Se a medida agora proposta se cingir exclusivamente à redução do preço, sem qualquer aposta na oferta, haverá algum efeito elasticidade-preço, mas certamente ficará muito aquém do objetivo desejado. Dito de outra maneira: atuar apenas do lado da procura, sem melhorar a oferta, é um falhanço anunciado, pois ninguém compra nada que não lhe serve, mesmo que seja barato. Ou seja, o preço é um fator relevante, mas não é o fator principal.

Ao reler alguma literatura sobre transportes e observar alguns exemplos internacionais e semelhantes, aplicados em cidades e regiões, conclui-se que a qualidade da oferta é muito mais determinante na decisão de deixar o automóvel e optar pelo transporte público. Assim e assumindo a boa intenção da medida, parece-me que esta apenas deveria ser aplicada após uma profunda revisão das redes de transportes, depois de garantir um alto grau de interconectividade e depois de ser criado um sistema de bilhética único entre todos os transportes. Ao não ser assim, arriscamo-nos a que se torne uma medida cara, com fraco efeito e frouxo resultado, pois fizemos o que sempre foi feito, isto é, na presença de um problema... tentamos resolvê-lo, apenas com dinheiro!

por José Monteiro Limão
Tags: Editorial   José Limão  
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