quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018

 
STCP
Passageiros & Mobilidade
22-08-2018

Scootersharing
eCooltra liga as duas rodas à mobilidade sustentável
Um ano depois de entrar em Portugal, a eCooltra continua a superar os seus objetivos, e o incremento do número de utilizadores, já “pede” o reforço de frota na capital portuguesa. A Transportes em Revista fez um balanço dos primeiros dois anos de operação da empresa espanhola e conta-lhe a experiência de utilização deste modo de transporte sustentável e partilhadode duas rodas.



A eCooltra é uma marca do Grupo Cooltra, criado em 2006 em Barcelona, por Timo Buetefisch, um empresário alemão residente na cidade catalã. Na necessidade de alugar um motociclo, Timo, juntamente com Henrik e Hogler Sprengel, cofundadores do grupo, descobriram esse gap de mercado: o aluguer temporário de scooters. Pouco tempo depois, surgiu a primeira loja Cooltra com 50 motos em regime de aluguer. Segundo a marca, Timo Buetefisch, atual CEO, «tem sido parte ativa da empresa» graças ao seu «espírito empreendedor».

Dez anos volvidos, esse empreendedorismo resultou na criação da eCooltra, “o maior serviço europeu de partilha de scooters”, atualmente presente em Lisboa, Madrid, Barcelona, Roma e Milão. Os últimos resultados da eCooltra apontam para um aumento do volume de negócio na ordem dos 183%, ao fim de pouco mais de um ano de operação. «O negócio é recente, e se compararmos os primeiros meses com a nossa atual operação, o crescimento é enorme. A eCooltra é um novo negócio, um novo produto e, de facto, precisamos de criar uma nova necessidade para os clientes», explicou a eCooltra à Transportes em Revista.

A entrada de uma nova marca no exigente mercado da mobilidade exigiu à eCooltra um esforço acrescido e apesar de, desde início, «parecer um projeto tão promissor», a «fase de educação foi lenta». Todavia, «quando as pessoas conhecem o nosso produto, o uso torna-se bastante recorrente».

A expansão para o mercado internacional incidiu, ainda e somente, em países do sul da Europa – Portugal e Itália – face às «condições climáticas, geografia, turismo e indicadores económicos e preço de combustível». Segundo a eCooltra, «Lisboa é uma das cidades onde o serviço teve uma melhor aceitação pelos seus cidadãos e mais de 50 mil utilizadores já conduziram as nossas scooters». A entrada na capital portuguesa deveu-se à «evolução digital nos últimos anos». Além disso, justifica a marca espanhola, «existem muitos incentivos a iniciativas verdes» e como tal, «foi a combinação perfeita para tal cenário».

O arranque das operações em Lisboa, em 2017, teve os seus desafios. Um dos maiores foi «encontrar os recursos certos, uma equipa com conhecimento acerca do negócio e a logística para operar adequadamente». Além disso foi necessário adaptar «a aplicação ao idioma local, contratar mecânicos, colocar as scooters na rua e lançar uma grande campanha para anunciar que o serviço estava em funcionamento».

Celebrado o segundo aniversário no passado mês de março, a eCooltra conta já com mais de 300 mil utilizadores e três mil scooters nas ruas. Em Lisboa, existe uma frota de 170 motociclos elétricos, e o objetivo é duplicar esse número a curto prazo. «Queremos disponibilizar mais scooters para garantir que cobrimos as necessidades dos nossos utilizadores em Lisboa. Embora este não seja um processo simples, estamos a investir para garantir que isso se torne uma realidade em breve trecho».

Oriol Marimon-Clos, CEO da eCooltra, refere que “a mobilidade elétrica continua a ganhar adeptos devido à facilidade de utilização, conforto e impacto positivo no meio ambiente. A eCooltra cresce porque os utilizadores assim o exigem. Somos um serviço de e para a comunidade”. A verdade, é que em apenas um ano de operação na capital portuguesa, já foram percorridos mais de 960 mil quilómetros e poupadas mais de 70 mil toneladas de CO2 para a atmosfera.

Uma frota desta dimensão precisa de manutenção e carga elétrica. Para isso, a eCooltra conta em Lisboa com uma equipa de trabalho de 20 colaboradores divididos por equipas de swappers (equipa que muda as baterias), administração, operações e supervisores. Além disso, revela a eCooltra à Transportes em Revista, «há uma equipa de mais de 30 pessoas a trabalhar no nosso call center, 24/24 horas, sete dias por semana, para garantir a melhor experiência para os clientes». Chegada à hora de condução, os utilizadores têm à sua disposição scooters zero emissões, com dois capacetes, estacionamento free-floating, seguro incluído e «uma autonomia de 40 quilómetros quando totalmente carregadas».

Confrontada com possíveis casos de vandalismo ou roubo de scooters em Lisboa e nas restantes cidades onde opera, a eCooltra confessa que «entre as nossas três mil scooters tivemos alguns casos de vandalismo, mas isso representa um número mínimo em comparação com o número total de viagens diárias realizadas pelos nossos utilizadores». Já as multas por parqueamento indevido dos motociclos em locais e zonas inapropriadas como passeios ou jardins, a empresa afiança que «estamos continuamente a lançar campanhas para reforçar as regras de estacionamento e condução. Além disso, quando um utilizador finaliza uma viagem, a aplicação têm uma notificação que o lembra como deve estacionar da melhor forma».

O feedback, esse tem sido muito positivo. Segundo a eCooltra, «os utilizadores parecem estar realmente satisfeitos com o serviço em si mas também pelo suporte ao cliente permanente e pela boa manutenção das scooters». O “perfil de utilizador” tornou-se também um desafio para a marca. «Ao início, achámos que o serviço teria uma penetração maior entre os jovens e os estudantes mas com o tempo, percebemos que toda a população é potencialmente um cliente». Todavia, a eCooltra destaca os millennials como os utilizadores «mais familiarizados com a app e os serviços de partilha».

Ao fim de um ano de operação em Portugal as expetativas continuam elevadas e a possibilidade de estender o serviço a outras cidades pode ser uma realidade. Ainda assim, a eCooltra confessa que «ainda estamos a analisar a utilização do serviço e os pedidos das pessoas. Desta forma, queremos garantir que a implementação está cimentada antes de nos lançarmos para novas áreas». A curto prazo, os objetivos passam assim por «manter a nossa posição de líderes em mobilidade elétrica partilhada, no setor do turismo, e concorrer ao ramo B2B com a nossa frota e serviços de última milha».

As baterias de qualquer veículo elétrico têm um fim. E este fim não é, em muitos casos, amigo do ambiente. A Transportes em Revista confrontou a eCooltra relativamente ao procedimento de reciclagem e desmantelamento das baterias, ao qual a empresa referiu que «estamos conscientes disso. Já criámos um protocolo para garantir o melhor controlo sempre que uma das nossas baterias fica fora de serviço».

A eCooltra estima que, em dois anos de vida, já evitou o envio de 370 toneladas de CO2 para a atmosfera. E assim quer permanecer, de mãos dadas com o ambiente e a mobilidade sustentável. Durante este tempo, foram percorridos mais de cinco milhões de quilómetros, o equivalente a 128 voltas à Terra! A eCooltra sublinha ainda que o carregamento das suas baterias é de origem renovável, um desafio acima do exigível, mas que o meio ambiente agradece.

Nas palavras de Timo Buetefisch, “o saldo destes dois primeiros anos é muito positivo, cada vez mais pessoas se juntam ao conceito de mobilidade ecológica e sustentável da eCooltra. E antes do final do ano, esperamos alcançar os 500 mil utilizadores”.



A nossa experiência

Intuitivo. É a primeira palavra com que descrevemos o serviço de partilha de scooters da eCooltra. Desde o momento em que instalámos a aplicação, até à primeira utilização, a app “guia-nos” sempre até ao próximo click. A validação da carta de condução foi igualmente um processo célere e não ultrapassou o limite indicado pela marca.

Quanto à primeira experiência, foi agradável do ponto de vista da liberdade e da facilidade de utilização. Como pontos positivos salientamos o estado em que encontramos as scooters e o material em cada motociclo (capacetes, toalhetes e toucas). Além disso, na primeira utilização tivemos um bónus de 20 minutos gratuitos. O atendimento, em caso de auxílio, foi igualmente excelente do ponto de vista do utilizador, transmitindo confiança e segurança pela aplicação. A vantagem do estacionamento free-floating permitiu-nos parquear a scooter assim que o desejámos em qualquer zona dentro da rede de operação.

A única desvantagem prendeu-se somente com a potência das scooters, incapazes (ou quase) de suportar o peso de duas pessoas pelas sinuosas e íngremes subidas da capital. Por isso, cuidado com o sobe e desce pela zona antiga da cidade das sete colinas!

O preço é igualmente justo (0,24 euros/minuto), sendo que o utilizador paga apenas o que conduz. O “senão” vai para o início da contagem (logo assim que o utilizador acede ao capacete debaixo do assento). Utilizadores menos experientes com uma scooter podem perder algum tempo nesta fase e ver aumentar o preço da viagem ainda antes de começar. Todavia, uma viagem de scooter vai sempre demorar menos tempo que uma viagem de automóvel, pois não fica “presa” no trânsito e o estacionamento é praticamente instantâneo. Razões mais do que suficientes para tornar a eCooltra a opção last mile ideal no dia-a-dia.

por Pedro Venâncio
 
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