quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018

 
STCP
Passageiros & Mobilidade
21-08-2018

O fim das desculpas
O inquérito à mobilidade nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto está terminado e será em breve tornado público, na sua totalidade.

Algumas das conclusões já foram divulgadas, mostrando que na realidade o automóvel é rei e senhor da mobilidade nas duas regiões.

Tendo sido um trabalho conjunto e em equipa entre o Instituto Nacional de Estatística e as duas áreas metropolitanas, este inquérito tem grande importância para quem tem a responsabilidade de planear e implementar sistemas de mobilidade que permitam dar resposta às necessidades reais das populações.

Até agora, toda a oferta existente nestas áreas metropolitanas era suportada em dados do Censos de 2011 ou em estudos de procura que cada um dos operadores encomendava. Tal acontecia sempre que os operadores identificavam uma oportunidade para a criação de uma nova carreira ou circulação ou havia a necessidade de reestruturar ou otimizar redes e serviços.

Em boa verdade, não existiam dados atualizados e informações reais sobre a tipologia das deslocações das populações que garantisse uma visão espacial e que cobrisse a diversidade dos territórios de ambas as regiões.

Sendo o inquérito à mobilidade um documento imprescindível para a caracterização da realidade das deslocações, é sobretudo uma ferramenta incontornável para o planeamento de redes, para identificação dos modos e meios necessários, para a tipificação de serviços, para a definição de frequências, para o estudo de modelos de repartição de receitas, enfim, para a criação de um eficiente sistema de mobilidade.

Solicitado e reclamado por muitos, há vários anos, o país teve finalmente disponibilidade e vontade política para levar a cabo este inquérito, que sem gastar milhões, proporcionará a poupança de alguns deles, mas sobretudo confere a informação necessária e suficiente para uma mobilidade mais acessível, mais inclusiva e mais sustentável.

Não tendo como objetivo entrar em detalhe sobre as primeiras conclusões deste inquérito, diria que além do já referido domínio do automóvel na maioria das deslocações das duas áreas metropolitanas, o autocarro é o modo mais utilizado e as deslocações a pé e de bicicleta têm já uma significativa expressão no conjunto total das deslocações.

Com os dados que este inquérito proporciona, não há mais desculpas para que no futuro existam redes de transporte sem integração ou até decisões de investimentos, em infraestruturas, equipamentos ou sistemas, baseados em critérios com pouca sustentação técnica ou suportados em estudos de procura baseados em estimativas que coincidem com decisões politicas anteriormente tomadas.

Certamente as populações agradecem e o interesse geral fica assegurado.

por José Monteiro Limão
 
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