segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

 
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Carga & Mercadorias
09-07-2018

Seminário Interfaces Portugal
Porque existe falta de motoristas em Portugal?
A falta de motoristas para o transporte de passageiros e de mercadorias continua a gerar discussão entre todas as entidades do setor, sejam elas empresas, motoristas, o Governo ou agentes formadores. As reivindicações são muitas mas as soluções e consensos pecam por tardar, descredibilizando cada vez mais um dos setores-chave da sociedade.



A Interfaces Portugal organizou, no passado dia 7 de junho, um seminário “Em nome da mobilidade”, no qual foi discutido, entre outros assuntos, a falta de profissionais motoristas em Portugal. A sessão “Causas, consequências e soluções sobre a falta de motoristas em Portugal” teve como convidados Pedro Gonçalves, representante do departamento de formação da ANTROP, e Nelson de Sousa, vice-presidente da ANTRAM. O debate foi moderado por José Monteiro Limão, diretor da Transportes em Revista. Aceso e aberto a discussão, o debate teve início de forma simples e assertiva: Porque é que existe falta de motoristas em Portugal? Nelson de Sousa afirmou que «se a resposta fosse clara, não estávamos aqui». Na opinião do vice-presidente da ANTRAM, «hoje a classe abandalhou-se e isso nota-se até pelo simples cumprimentar do motorista» (no caso do transporte de passageiros). Para o responsável, «as empresas precisam de profissionais competentes», mas «continuam muito focadas na condução e pouco nos profissionais».

No entanto, Nelson de Sousa acredita que «a profissão está mais fácil hoje em dia e, no geral, existem melhores profissionais». A questão do vencimento auferido pela maioria dos motoristas é o ponto mais vezes apontado para a falta de profissionais em ambos os setores (transporte de passageiros e mercadorias). Nelson de Sousa recordou que «ser motorista não é só conduzir» e que «as relações interpessoais têm ganho maior importância, apesar de ser um fator que tem sido desvalorizado». Segundo o vice-presidente da ANTRAM, «há uma preocupação no terreno para termos, sobretudo, melhores pessoas».

Formação afasta profissionais
Já Pedro Gonçalves, responsável do departamento de formação da ANTROP, começou por reforçar que «o ponto principal da discussão está no custo e tempo da formação» obrigatória dos profissionais. «A formação assusta e afasta pessoas do setor». Uma das consequências é o aumento da faixa etária entre os profissionais do setor, com uma percentagem elevada de motoristas com 50 anos ou mais.

«A faixa etária dos motoristas é elevada» e como tal, «temos de recrutar motoristas jovens, incentivando-os de formas mais apelativas». Este incentivo, segundo Pedro Gonçalves, não passa exclusivamente pelo aumento do vencimento mas também por fatores sociais. «Os motoristas não querem estar tantos dias fora, querem estar no seu país, junto da sua família». Na opinião do responsável da ANTROP, «a imagem do motorista melhorou» nos últimos anos, um paradigma (negativo) que ainda assim subsiste quando o setor é debatido na agenda mediática.



Retomando a palavra, Nelson de Sousa destacou o facto dos jovens quererem «tudo na hora» e de estarmos atualmente a viver na «geração do já». Para o vice-presidente da ANTRAM, a «progressão na carreira passa ao lado da maioria dos empregadores». Quando a formação é apontada como contrapartida à entrada de motoristas para o setor, quer pelo custo, quer pela morosidade e burocratização da mesma, Nelson de Sousa questionou-se também «porque é que a prática não se faz em contexto laboral» durante um período de tempo mais alargado.

Agir o quanto antes...
Confrontado sobre a evolução tecnológica que atravessa o setor dos transportes – nomeadamente a automação, com a prática de platooning, Nelson de Sousa não acredita que estas práticas podem, ainda, «ser vistas como uma ameaça», sublinhando que «é necessário acrescentar valor humano» à prática do transporte e da mobilidade.

O vice-presidente da ANTRAM passou ainda a mensagem de que «as empresas já não são o que as pessoas pensam» e que no caso da ANTRAM, a empresa «tem a mais jovem direção de sempre a trabalhar na apresentação de propostas e soluções para a melhoria do setor». Todavia, ressalvou, «o nosso trabalho não é fácil».

No final do seminário, Fernando Costa, CEO da Interfaces Portugal, rematou que a formação é um elemento fundamental para a profissionalização dos motoristas que não deve ser descredibilizada. Por outro lado, o responsável afirmou que «a mentalidade das empresas em adaptar-se tem de ser imediata», ao mesmo tempo que a formação deve ser «personalizada a cada motorista». Em jeito de conclusão, Fernando Costa reiterou que «não há mobilidade se não houver motoristas».


A mais-valia da mulher ao volante
O seminário da Interfaces Portugal teve ainda como keynote speaker Elisabete Jacinto, piloto de camiões de competição e o rosto nacional feminino mais conhecido ao volante de um veículo pesado. Sob o tema “Capacidade de adaptação das mulheres à profissão de motorista”, Elisabete Jacinto contou na primeira pessoal os desafios que se colocaram para tirar a carta de veículos pesados e chegar à alta competição.

Elisabete Jacinto associa a fraca adesão das mulheres ao mundo do veículos pesados pelo «grande preconceito que criámos na sociedade, de que os camiões são para homens». Ao mesmo tempo, aponta que «a culpa é sobretudo nossa, mulheres. De facto, somos nós que educamos os nossos filhos e que transmitimos os princípios e os valores».

A piloto é da opinião que nas últimas décadas assistimos a uma (r)evolução tecnológica e digital, ainda assim, os valores mantêm-se os mesmos, passando de geração em geração sem nos questionarmos da sua atualidade. Perante a plateia, Elisabete Jacinto questionou: «que motivo há para que as mulheres não conduzam camiões?».

A piloto recordou a dificuldade de outros tempos da mulher se sentar ao volante de um veículo pesado, rodar a direção ou colocar as mudanças, pelo simples facto das viaturas serem rígidas e pesadas. Todavia, hoje, a realidade é outra: «os camiões são absolutamente desenvolvidos; a tecnologia de ponta é primeiro aplicada nos camiões e só mais tarde nos automóveis; basta quase ligar o motor que o camião anda sozinho; não é preciso força física para conduzir um camião», atirou Elisabete Jacinto.

Na sua opinião, «existem alguns pontos que nos são favoráveis: as mulheres são muito concentradas, conseguem estar horas a fio concentradas numa tarefa, sem se deixar levar por distrações».

A questão da segurança é outro ponto a favor das mulheres, segundo Elisabete Jacinto. Para si, a mulher tem uma aptidão e zelo pela sua segurança e pelos que a rodeiam, superior ao homem. Além disso, «a mulher está numa fase de conquista, de provar que é capaz de ascender a cargos que antes não eram ocupados por si».

por Pedro Venâncio
 
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Comentários
29-08-2018 19:34:13 por V.Vieira
Realmente a falta de motoristas eu acho que se deve a tantas formações que temos que ter os valores que custam de 5 em 5 anos depois ganhase ordenado mínimo com a responsabilidade que temos seja mercadoria ou passageiros
25-07-2018 19:39:32 por Antonio
Em resposta ao Senhor Nelson de Sousa vicepresidente da ANTRAM que afirmou «hoje a classe abandalhouse e isso notase até pelo simples cumprimentar do motorista»totalmente fora de questão, isso passase ,derivado aos motoristas neste momento estarem a ser tratados pela classe de chefia como que se fossem pessoas irracionais e sem sentimentos .Os motoristas não têm incentivos os motoristas não têm condições por vezes de trabalho,os motoristas não têm formação para que o trabalho seja efectuado na perfeição,já não falando no ordenado miserável,valor de campo,TCC,e tanta tristeza
24-07-2018 0:27:36 por Pedro
Sr feiticeiro, se acha que é assim tão bom vá você fazer internacional, e depois deixe aqui a sua opinião, mas de preferência sem erros de gramática
22-07-2018 8:25:45 por grosso
quando deixarem de culpar o motorista por tudo terão mais... em vez de fiscalização somos perseguidos pelas autoridades...em vez de facilitar condições de trabalho os patrões só nos criam dificuldades em burocracia em abastecimento oficinas etc..e em vez de NÃO pressionar em horários pelo contrário nos sobrecarregam com mais e mais... e depois autoridades em cima... e quanto ao chefes em vez de optarem por licenciados em humanistas e filosofia pois só servem para pressionar , espremer motoristas ao maximo.. formem pessoas em logística... transportes... e ate geográfica pois há quem nos mande mas NÃO sabe para onde...
21-07-2018 22:52:36 por Andre Nobre
tanto bla bla bla e não disseram nada de jeito neste seminário. Eu sou um jovem motorista tenho 3 anos de carta pesados CE , trabalho como motorista pesados e estou farto, espero sempre uma oportunidade noutro setor ,sendo eu licenciado tenho opção de escolha, a vida de motorista não é facil e eu faço só o nacional e todos os dias em casa a troco de 1.400 , as condições não são más, mas turnos de 12 horas no minimo, uma semana noturno e outra diurna ao fim destes 3 anos e apesar de ainda ser novo 27 anos, os problemas de sono, dores cabeça, horários alterados, folgas à semana , pesa e muito na qualidade de vida não tirando o que ouvimos de certos colegas mais velhos os dito carroceiros mas que para mim isso passa ao lado, que antigamente é que havia motoristas a sério agora são tecnicos de condução, que eu me lembre antigamente os motoristas não tinham educação, andavam constantemente nas tasquinhas, mal vestido e higienizados, agora vimos motoristas novos com boa apresentação que dignificam um pouco o sector, mas a inveja entre os motoristas é muito , se não são uma classe unida como querem ser respeitados.
20-07-2018 23:50:15 por Luis pakito
Aprobó na totalidade o dito por jj Jesús. Ta todo muito bem explícito.O ordenado é o mayor enemigo. Os patros abusan da nesecidade da gente abandonando a familia para poder subsistir.
20-07-2018 21:47:52 por Antonio
Falta de respeito e consideração pelo motorista e salário muito baixo
20-07-2018 15:18:54 por Carlos fernandes
É uma falta de respeito pelos Motoristas de pesados e pesados de passageiros ê o meu caso com 18 anos de camara como motorista transportes colectivos de crianças e 608 eur base.por isso quem puder procure autra coisa para fazer.Ja escrevi o senhor presidente RPE o senhor primeiro ministro.e tambem onde trabalho e nada ninguém respeita a nossa profissão. E culpa dos sindicatos que não defendem um ordenado decente para todos os motoristas.
20-07-2018 12:41:49 por Feiticeiro
Ordenados baixos Um motorista de internacional ganha bem mais que um Licenceado... Stress Isso e para o chefe de trafego Poucas horas de sono Dormem 9 seguidas... e ainda se queixam...
20-07-2018 9:05:02 por JJ Jesus
Falta de motoristas devido à morosidade da obtenção da licença legal para poder exercer a profissão Pergunto, porque è que os que já têm a devida licença e respectivo emprego de despedem e optam por ir para fora ou simplesmente abandonam a profissão de motorista e seguem outra profissão Ainda há pouco tempo numa certa empresa foram só dezoito motoristas a sair Não è a formação, porque essa terá que existir queiramos ou não pois temos uma profissão especializada e como tal deveríamos ganhar como tal Façam uma análise à vida de um motorista em comparação com um trabalho sem qualquer especialização. Qualquer emprego normal exc os precários, ganha o mesmo ou mais que um motorista, fazendo um horário normal, o motorista para fazer um horário normal terá muitas vezes que estar disponível o dia todo para cumprir o tempo que um funcionário qq faria em oito horas pelo que se avizinha ainda vai ser pior Família não tem tempo para ela, nem nos dias de folga que muitas vezes são passados a trabalhar, amigos, igual situação, tempo livre para actividades extra emprego, não tem, resumindo, o motorista vive para o trabalho e quando deveria estar a descansar, o stress è tanto que as poucas horas de sono passaas a preocupado com o serviço Mais triste que isto Não sei... È a vida que temos e por vezes terâ que ser assim mas que o ordenado compensasse minimamente, fazendo as contas por alto presentemente estamos com um ordenado equivalente em valores de posse de compra comparado aos vencimentos de há trinta anos atrás Penso que agora deveríamos ausofruir dr um vencimento base de pelo menos 1100 a 1200 euros, séria uma justa compensação Talvez se os senhores administradores em lugar de quererem fabricar números económicos para o crescimento das empresas, analizassem estes factores e aí chegariam à conclusão do porquê da falta de motoristas
17-07-2018 10:46:28 por David
O maior problema é os ordenado muito baixos,ninguém quer trabalhar sábados e domingos por tão pouco dinheiro.
  
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