terça-feira, 19 de Junho de 2018

 

 
 
 
 
Artigos Relacionados
Não existem artigos relacionados


caetano 468x60
Passageiros & Mobilidade
14-06-2018

Segurança Rodoviária nas Organizações
ANSR apresenta norma ISO 39001:2017
A ANSR apresentou a norma ISO 39001:2017 com objetivo de reduzir a sinistralidade laboral rodoviária. O objetivo passa agora por divulgar a referida norma pelas organizações públicas e privadas que interagem com o sistema de tráfego rodoviário, no sentido de reduzir incidentes com trabalhadores em serviço nas estradas portuguesas.



A Associação Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) apresentou, no passado dia 20 de abril, a norma ISO 39001:2017 cujo objetivo passa por ajudar as organizações a reduzir a incidência e risco de morte e de ferimentos graves relacionados com acidentes rodoviários dos trabalhadores, em serviço, ou durante as deslocações de e para o local de trabalho.

Da mesma forma, a nova ISO 39001:2017 constitui uma ferramenta de apoio às organizações para a elaboração do seu Sistema de Gestão da Segurança Rodoviária (SGSR), sendo ainda aplicável a organizações públicas e privadas que interagem com o sistema de tráfego rodoviário, independentemente do tipo, dimensão e produto ou serviço prestado.

2016 ficou marcado pela perda de mais de 25 mil vidas em acidentes rodoviários em toda a Europa, havendo estudos que apontam que 40% dessas mortes estejam relacionadas com deslocações laborais. Esta sinistralidade apresenta implicações financeiras significativas para as empresas, sendo os acidentes rodoviários de trabalho, os que apresentam custos mais elevados de vária ordem (diretos e indiretos), e não cobertos por seguros. O reconhecimento pela aplicabilidade de políticas de segurança rodoviária é já uma realidade para instituições, grandes e médias empresas a nível europeu, quer ao nível dos resultados de exploração, quer da melhoria das condições de trabalho dos colaboradores e da satisfação dos clientes.

A ISO 39001 (Road Traffic Safety (RTS) Management Systems – Requirements with Guidance for Use), foi publicada em 2012 pela ISO – Internacional Organization for Standardization. Posteriormente, foi inscrita no PENSE 2020 uma medida para proceder à sua tradução e adaptação para português, uma vez que a sua integração no acervo normativo nacional poderia vir a constituir uma valiosa ferramenta para a redução da sinistralidade rodoviária em Portugal. Assim, foi criada, no âmbito do Instituto Português da Qualidade (IPQ), uma Comissão Técnica ad hoc de normalização, a CTA 37 – Gestão da segurança rodoviária nas organizações, que concluiu a tradução e a adaptação da normativa em dezembro de 2017.

A ANSR salienta que os benefícios de implementação da NP ISO 39001:2017 vão ao encontro de todos os utilizadores das vias – condutores, peões e veículos – assim como das empresas fabricantes de produtos, serviços e de distribuição, empresas de transportes de mercadorias e de passageiros, e ainda de entidades gestoras de vias, como os municípios.

Jorge Jacob, presidente da ANSR, explicou à Transportes em Revista que «esta norma é muito dirigida para a sinistralidade rodoviária laboral, que tem um peso muito grande em termos da sinistralidade rodoviária global. O que nós queremos é que as empresas assumam esta responsabilidade, combatendo a sua própria sinistralidade, internamente». O responsável por aquela associação deu ainda o exemplo dos CTT que, «com a adoção de uma série de procedimentos normalizados de formação interna, conseguiu recuperar 17 mil horas de trabalho, sem implementar esta norma». Além dos CTT, também a APETRA conseguiu colocar boas práticas em ação em torno da segurança rodoviária. Segundo Jorge Jacob, os resultados desta associação devem-se à contratação de transportes «impondo as obrigações daquele acordo rodoviário de segurança acrescido, obrigando a quem trabalha para si, a cumprir determinadas normas cujo o objetivo é pura e simplesmente reduzir a sinistralidade».

Confrontado com os custos associados à certificação pela ISO 39001:2017, o presidente da ANSR afiançou que «estamos a tentar, e vamos defender isso, que haja algum incentivo para as empresas se certificarem». Retomando o exemplo dos CTT, Jorge Jacob referiu que «a empresa ganhou bastante dinheiro com as iniciativas que tomou. Uma empresa que caminhe neste sentido, vai poupar muito dinheiro, ou pelo menos não vai ter tanta despesa, portanto é um benefício. O que vamos tentar é que haja um incentivo em termos da redução das taxas de segurança social».

Depois da apresentação em Lisboa, o responsável da ANSR adiantou que «vamos fazer outra no Porto (e outras possivelmente) para se mostrar e explicar os benefícios que as empresas podem vir a ter». Contudo, Jorge Jacob avisou que «vamos andar a velocidades diferentes», sendo que todas as empresas terão o dever de «puxar por si».

Durante a sessão de mesa redonda desta apresentação foi sugerido que o Estado fosse a primeira entidade a implementar a norma. O presidente da ANSR concorda, embora confesse que «o problema do Estado é mais complicado. O Estado tem 29 mil carros mas estão cinco aqui, dez ali... ao contrário da frota de outras empresas com milhares de veículos que são da responsabilidade do mesmo chefe ou departamento. No caso do Estado, os carros estão demasiados espalhados, sendo difícil haver uma certificação uniformizada. Mas se falarmos em instituições do Estado, como hospitais por exemplo, que têm centenas de veículos, aí acho que já valeria a pena avançarem para a certificação das suas frotas», reiterou.

Quanto a previsões, Jorge Jacob disse que «ainda não temos estimativas de implementação da norma pelas empresas, pois foi apenas apresentada agora». Ainda assim, para o responsável, «aquela que eu vejo como quase certificada é os CTT. O problema é que tem de haver empresas acreditadas para certificar. Esse é o desafio que se segue à apresentação da norma, o que ainda vai demorar um tempo».



O exemplo dos CTT
Como acima descrito, os CTT foram uma das empresas em destaque na apresentação da norma ISO 39001:2017 pelo facto de, por iniciativa própria, vir a trabalhar no sentido de, internamente, reduzir a sinistralidade rodoviária. José Fernando Guilherme, diretor de Transportes dos CTT, confessou à Transportes em Revista que a implementação da nova norma «é um assunto que ainda terá de ser ponderado». Para o responsável, «a certificação tem sempre custos, e não falamos apenas de custos financeiros, mas custos de manter uma norma em vigor. Nós já temos uma série de normas – 9001, 14001, etc – por isso é provável que também vínhamos a implementar esta».

José Fernando Guilherme destacou ainda a importância de se ter «uma cultura de segurança. Não são só as empresas de transportes que têm ou podem avançar com a implementação da nova norma. Escolas, centro comerciais... todas as entidades que gerem mobilidade, pessoas, devem avançar neste sentido, mesmo não sendo obrigatório».

O diretor de Transportes dos CTT adiantou, porém, existirem outras alternativas à implementação da norma, dando o exemplo da sua empresa. «Não esperámos pela norma e avançámos por iniciativa própria com um conjunto de medidas preventivas junto da nossa frota e dos nossos colaboradores. No meio disto tudo, o mais importante é que a sociedade tome consciência que deve realmente fazer alguma coisa e ser proactiva em planos e projetos – mais ou menos elaborados. No final, se se conseguir implementar a norma, perfeito».

Mais dispendiosa do que necessária?
O evento de apresentação da norma ISO 39001:2017 acabou com um debate em mesa redonda onde os intervenientes expuseram a sua opinião em relação à implementação da norma por parte de empresas e organizações. João Cardoso, representante do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), afirmou ser uma «excelente oportunidade para a norma ser enquadrada no nosso país», nomeadamente ser aplicada por «organismos públicos e municípios». O mesmo reiterou existir «um défice de informação sobre mobilidade sustentável e de segurança» e que «a eficácia da aplicação da norma vai estar nos detalhes». Já Arnaldo Oliveira, da Autoridade de Supervisão de Seguros, deixou a nota que «a norma é muitíssimo relevante» e que a sua instituição tem «interesse em diminuir a sinistralidade».

José Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), disse que «a norma é boa» mas que «tem de haver uma revolução no sistema». O mesmo sublinhou ainda que deve «existir monitorização entre quem aplica estas diretrizes» e que «o papel das autoridades é fundamental», pois «há muito trabalho a desenvolver». Jorge Marchante, da SGS Portugal, acredita que «a aplicação desta norma será um sucesso», pois «encerra a oportunidade para evoluir processos e diminuir a sinistralidade». Neste sentido, o trabalho depende agora «dos organismos de certificação», ao mesmo tempo que é necessário «dar apoio para que mais organizações adiram», disse o responsável. Jorge Marchante deixou ainda o aviso de que «cada organização deve olhar para si e para a sinistralidade com que se depara, pois esta não deve ser encarada como um fator de sorte ou azar».

A voz mais dissonante na sessão de mesa redonda foi de João Queiroz, do AUDAX/ISCTE, sublinhando não acreditar no sucesso de aplicação da norma em Portugal. Na sua opinião, «o principal problema da segurança rodoviária em Portugal é a cultura de segurança», pois «as organizações não estão dispostas a investir sem ter primeiro o retorno». Para João Queiroz, «há custos associados à certificação da nova norma» e o «mercado é curto para ter retorno imediato». No caso das autarquias, o responsável disse ainda que, em todo o país, apenas «duas câmaras municipais trabalham diretamente sobre a sinistralidade rodoviária», pois o «problema é sempre o financiamento». No final, João Queiroz deixou ainda o desafio à ANSR e ao IMT para serem os primeiros a implementar esta norma, alterando o paradigma de que «a segurança rodoviária não é prioridade para muitas entidades».

por Pedro Venâncio
 
241 pessoas leram este artigo
12 pessoas imprimiram este artigo
0 pessoas enviaram este artigo a um amigo
0 pessoas comentaram este artigo
Comentários
Não existem comentários
  
Deixe o seu comentário!

 


 

  





Spinerg


  





Chronopost







RSS TR Twitter Facebook TR Canal Transportes Online

Dicas & Pistas © 2009, Todos os Direitos Reservados

Condições de Utilização | Declaração de Privacidade
desenvolvido por GISMÉDIA