terça-feira, 11 de Dezembro de 2018

 
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04-06-2018

Acautelar a borrasca
Vivemos um tempo em que o mundo não só está mais perigoso como, por diversas razões, se tornou muito imprevisível. Há uma ameaça de borrasca no horizonte que não sabemos se nos vai atingir.

Este facto, que por si só já nos devia preocupar, é para os pequenos países e economias muito dependentes, como a nossa, uma grande ameaça e um enorme aviso para, na medida do possível, se evitarem erros de percurso que só nos deixam cada vez mais vulneráveis.

O que se passou com praticamente toda a banca é não só inaceitável como moralmente condenável. Espero sinceramente que a justiça cumpra rapidamente o seu papel e que castigue de forma exemplar quem geriu como não deveria ter gerido, e quem se apropriou de uma riqueza que não produziu ou ajudou a produzir. Segundo o Banco de Portugal as “ajudas” aos bancos tiveram um impacto acumulado de 9,1% do PIB no défice entre 2007 e 2017!

Ainda nos erros de percurso, a onda de greves que começa a assolar o país e ameaça perpetuar-se, pelo menos até às próximas eleições legislativas, é seguramente um fator extra de risco que, a bem da riqueza que todos precisamos produzir, deveria ser evitada.

Não sou, por princípio, contra as greves mas costumo dizer que o trabalho se defende trabalhando, o que, de certa forma, equivale a conceptualizar a figura da greve como um último recurso para ser usado só, e apenas quando, com razoabilidade, se esgotaram todos os outros recursos. Esta razoabilidade tem também, na minha opinião, muito a ver com o equilíbrio e, nesse sentido, considero despropositadas greves que têm como objetivo principal o auferir de cada vez mais recursos, que se sabem, à partida, não terem sido produzidos, ou que, então necessitam de ser desviados de outros fins onde porventura são mais necessários. Alguma honestidade intelectual deveria aqui ser chamada à colação, até porque quando essas greves se dão na esfera do setor público, nos deveríamos lembrar do nível aberrante de impostos que, empregados e empresas todos os meses têm que depositar a favor do Estado.

Confesso que sempre me fez confusão a utilização, que considero abusiva, das greves que, utilizando a maximização do prejuízo de todos os outros visam, através dessa pressão, fazer prevalecer a “luta” dos interessados. Percebo a tentação e apropriação por parte de determinadas forças políticas deste tipo de estratégias, mas não posso deixar de as condenar. Não foi para isso que o mundo do trabalho conquistou o direito à greve. Desvirtuar o direito à greve através dessa utilização abusiva põe, a meu ver, não só em causa a legitimidade da mesma, como acima de tudo expressa uma total falta de solidariedade com todos aqueles que, direta ou indiretamente por ela são afetados.

Finalizando gostaria de advertir que, mesmo sabendo que com toda a probabilidade os avisos que aqui deixo serão ignorados por muitos, seria bom que todos os outros se compenetrassem que, no estado frágil em que a nossa economia se encontra, precisamos mesmo de passar entre os pingos da chuva grossa que a borrasca que se aproxima promete.

por António Belmar da Costa
 
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