quarta-feira, 20 de Junho de 2018

 
Passageiros & Mobilidade
09-01-2018

Sophia e a Linha do Douro
Conectividade digital, automação e eletrificação.

Memorizou bem estas três palavras? Se trabalha no mercado da mobilidade é bom que as memorize, pois estes são os pilares que determinarão a mobilidade e os transportes do futuro.

A última edição do Web Summit, que teve lugar em novembro, em Lisboa, colocou na linha da frente as mais recentes capacidades tecnológicas que irão determinar as tendências e as novas formas de mobilidade. Desde a introdução da mobilidade urbana aérea aos novos modelos de automação; das novas formas de conectividade à eletrificação; da robotização à inteligência artificial, tudo o que é pioneiro e inovador foi apresentado, tendo ficado na memória de todos a presença do robot “Sophia” que afirmou: “Não vamos destruir o mundo, mas vamos ficar com os vossos empregos”. Sendo arrojada tal afirmação, ela significa que a inteligência artificial, a robotização, a conectividade e a automação, vieram para ficar e certamente terão lugar próprio no mundo e na sociedade.

Tenho para mim que a tecnologia é uma das circunstâncias que obrigam as sociedades a tomar medidas e decisões, por forma a acolher as mais-valias que proporcionam. Basta recordarmo-nos dos impactos transversais que a máquina a vapor ou a revolução industrial criaram na sociedade. Em ambos os casos, o progresso e a criação de riqueza e bem-estar foram determinantes para o desenvolvimento social e económico.

Assistimos hoje a uma revolução tecnológica silenciosa que, com grande ritmo de progressão e desenvolvimento, colocará em causa modelos e abordagens existentes, colocando-os sobre pressão constante, progressiva e de forma imparável.

As mudanças não serão disruptivas, mas inevitáveis, sendo prudente estar atento e conhecedor das tendências, reformulando visões, preparando estratégias e fazendo parte das mudanças.

Por isso mesmo é imperioso ser assertivo e tomar as decisões mais acertadas, tendo em conta o interesse geral em detrimento do corporativo ou do conjuntural.

Temos entre nós exemplos de ambos, sendo que tendemos a valorizar mais as decisões negativas do que as positivas, pois essas mexem no bolso de todos nós e cativam os sempre parcos recursos nacionais.

Se ninguém tem duvidas que tem havido medidas positivas no âmbito da mobilidade, certo é que vivemos hoje e viveremos por muitos anos, os impactos negativos de muitas decisões tomadas com base em interesses diversos sob a capa fictícia do interesse geral.

Se hoje é consensual que não poderemos tornar a errar naquilo que correu mal, é bom que o Estado se centre nas capacidades instaladas, requalificando-as, rentabilizando-as e capitalizando-as, por forma a transformá-las em ativos geradores de riqueza e promotoras de progresso e desenvolvimento.

O exemplo da linha ferroviária do Douro, cujo potencial tem sido descurado, é sintomático do muito que ainda há por fazer, seja pela capacidade autónoma que apresenta face à restante rede ferroviária nacional, seja na ligação ao território espanhol de um dos mais importantes portos e de uma área metropolitana fortemente industrializada.

O potencial que pode representar para o reforço do crescimento da oferta turística, assim como da mobilidade das pessoas nos territórios que atravessa, são razões bastantes e mais que suficientes para um olhar mais atento e cuidado do acionista Estado que há décadas, não sabe, nem quer, rentabilizar o ativo que detém.

Como nota final e sobre a capa desta edição: Face ao drama e horror que o País viveu este ano com os incêndios que o devastaram, não poderíamos ficar alheados e insensíveis.

Ao colocar na capa desta edição o exemplo de quatro motoristas que, pela sua coragem e liderança, salvaram das chamas centenas de passageiros, prestamos homenagem aos homens e mulheres que estoicamente e com custo, lutaram contra esta calamidade.

por José Monteiro Limão
Tags: Editorial   José Limão  
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