segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

 
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Passageiros & Mobilidade
07-11-2017

Cidades Inteligentes
BuzzStreets no caminho da internacionalização
Identificar os pontos da cidade com trânsito e encontrar alternativas, é uma das muitas “habilidades” da App BuzzStreet 1.0. Mas não só. João Fernandes, fundador da empresa BuzzStreets, explica as potencialidades desta aplicação que já se internacionalizou.



O “amor” pela cidade de Lisboa levou João Fernandes e três sócios a desenvolverem uma aplicação que pudesse ajudar as Câmaras Municipais a gerirem todas as ocorrências de trânsito nas cidades e, ao mesmo tempo, pudesse avisar, em tempo real, os condutores sobre as zonas mais congestionadas apresentando-lhes alternativas. Assim nasceu a BuzzStreet 1.0.

A App demorou cerca de um ano a ser desenvolvida, mas o seu sucesso foi quase imediato. A BuzzStreets foi premiada e convidada pelo Ayuntamiento de Madrid e pela Ferrovial a participar no programa de aceleração “Madrid Emprende” e a testar a App na freguesia madrilena de “Las Tablas”. Em declarações à Transportes em Revista, João Fernandes, refere que «durante esse período de teste, o Group de Canary Wharf, que procurava uma solução de mobilidade, convidou-nos a participar no seu programa Cognicity Challenge. À semelhança de Madrid, este programa também pretendia a execução de um piloto pago num dos seus cinco centros comerciais. Testámos e conquistámos assim o nosso primeiro cliente “pagante”. Graças a este sucesso, as portas e os contactos abriram-se no Reino Unido, França, Espanha, Arábia Saudita e em Portugal».
 
O grande foco da BuzzStreets é, essencialmente, a mobilidade nas Cidades Inteligentes. E esta temática abarca também outras áreas, conforme refere João Fernandes. «Os hospitais, estádios e universidades de grandes dimensões, enquadram-se nesse tópico. Após vários estudos, o serviço Nacional de Saúde Inglês (NHS) descobriu que perdia um bilião de libras por ano com consultas a que os pacientes simplesmente não apareciam. Aprofundaram o problema e perceberam que as faltas deviam-se ao facto de os pacientes terem duas grandes dificuldades nos dias da consulta: como chegar ao hospital e como encontrar o gabinete do médico. A Buzzstreets veio ajudar a resolver esses problemas. E estamos a falar de hospitais quatro a cinco vezes superiores ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, o São João, no Porto ou o CHUC em Coimbra», adianta João Fernandes.

A empresa tem, atualmente, em pipeline, vários contratos que espera concretizar nos próximos tempos e que lhe irá trazer um volume de trabalho considerável. Além de Canary Wharf, no Reino Unido, tem ainda em vista contratos com os aeroportos de Glasgow, Southampton e Aberdeen – e que são geridos pela Ferrovial - o Birmingham Airport e também os hospitais Queen Elizabeth Birmingham Hospital e o Gloucestershire Royal Hospital. Segundo João Fernandes, «as nossas aplicações móveis trabalham sobre várias tecnologias em simultâneo. O “truque” é conseguir combinar o melhor de cada uma delas. Essa é que é a nossa “secret source”. Por norma, utilizamos sistemas de GPS, Realidade Aumentada, Realidade Virtual, BLE’s e código nativo, entre outros. O desenvolvimento da nossa tecnologia é um processo contínuo de melhoramento. Temos que estar continuamente atualizados, atentos e informados. Por exemplo, devido ao uso em grande quantidade de “Beacons” estamos, atualmente, a trabalhar em parceria com o Instituto Superior Técnico, nomeadamente com os professores Luís Manuel Correia e Helena Sarmento, na investigação e desenvolvimento destes “dispositivos”. Acreditamos que o resultado desse trabalho irá ajudar-nos, não só em termos de custos operacionais, como também a revolucionar sobremaneira os sistemas de localização e routing. É um projeto extremamente disruptivo e desafiante».

No Reino Unido a BuzzStreets trabalha exclusivamente com a Amey e a Future Decisions. Na Arábia Saudita, possui uma parceria com a Retaam Solutions e atualmente, está a concorrer a um “tender package” de WiFi & Mobil Solutions para 16 centros comerciais, juntamente com a HP e a Aruba. Em Espanha, tal como já foi referido, a empresa trabalha com o Grupo Ferrovial.

E Portugal?
João Fernandes salienta que a BuzzStreets está neste momento a fechar contratos com alguns clientes portugueses, revelando que a empresa teve que adaptar os seus serviços ao mercado nacional. A startup começou também, juntamente com outros parceiros, a apresentar soluções para a gestão integrada de filas de espera, Corporate Tv e gestão de entrega e recolha de equipamentos em loja recorrendo à gestão de dados. O fundador da BuzzStreets refere que «em Portugal fomos convidados a ser um dos 28 sócios fundadores do “Cluster Smart Cities Portugal” onde pontuam empresas como a Compta, CEIIA, DNA Cascais, ESRI, NEC, ZTE, ORACLE, Alcatel-Lucent, Inocrowd, Kaiser Institute, Endesa, Philips, Brisa, Universidade do Minho e Universidade de Évora. Acreditamos que esta plataforma irá afirmar Portugal como palco de desenvolvimento e experimentação de tecnologias e a BuzzStreets está totalmente disponível para ajudar nesses objetivos». Em relação às tendências na área da mobilidade, João Fernandes aponta que «da mesma forma que o GPS e o Google Maps vieram melhorar substancialmente os serviços Outdoor de Tracking & Routing, pensamos que os sistemas de navegação de interiores, e tudo que está relacionado, irão revolucionar a forma como nos movemos na cidade e, em particular, dentro das grandes estruturas das cidades como os centros comerciais, aeroportos, hospitais, estádios e universidades. Será muito em breve o “the next big thing” e há lugar para centenas de empresas».

No entanto, o responsável da BuzzStreets mostra-se bastante crítico em relação ao facto de Portugal ser atualmente considerado como um paraíso para as startups e investidores internacionais. Segundo João Fernandes, «nestes últimos anos pude observar diretamente a evolução de Portugal como país empreendedor e “startup friendly” mas ainda há um brutal caminho a fazer até começarem a olhar para nós “a sério”. Por agora, somos só um povo giro, com umas ideias giras, com ótimo tempo, excelente comida e nada mais. É preciso anunciar, mostrar e provar que somos também os melhores do mundo nas áreas tecnológicas.

Eventos como o Web Summit são interessantes, mas não passa de uma conferência internacional, como qualquer outra de médicos, delegados de propaganda médica ou de tupperware, organizada por estrangeiros que somente pelo sol, comida e preços irrisórios acontece em Lisboa. Os únicos que ganham com isto são a própria organização, com os patrocínios e as entradas, e as entidades locais (Câmara) e nacionais (Governo). Todos os outros intervenientes são os “palhaços e os animais” do Circo. Não acho que este evento venha na época certa. É ridículo fazer-se um evento desta dimensão dito tecnológico e muito “futurista” quando temos graves problemas de transporte de e para o evento - como houve no ano passado - e juntar a isso greves de médicos, greves da TAP e da SATA e guerras à Uber».

Quanto ao panorama dos aceleradores portugueses de startups, João Fernandes identifica «o IPN, a Startup Braga e a UpTec como os melhores centros de tecnologia e de apoio de startups de base tecnológica. Se não forem aceites em nenhum deles é porque a vossa ideia não tem grande consistência. Terá que ser melhor trabalhada. Mas nunca se deve desistir».
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