segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

 
Passageiros & Mobilidade
20-10-2017

A mudança é a única constante
Dickens dizia que “Ninguém pode achar que falhou a sua missão neste mundo, se aliviou o fardo de outra pessoa.” Como titular de um cargo político num tempo em que um dos principais eixos do nosso trabalho é criar qualidade de vida para as pessoas, penso recorrentemente que fardos aliviar para conciliarmos melhor trabalho, família, lazer e futuro. Numa revista de transportes falo, obviamente, de mobilidade, não fosse ela uma condição essencial para a nossa realização. Depois de quatro anos de implantação em Cascais do sistema de mobilidade urbano mais evoluído de todas as autarquias portuguesas, para responder às necessidades atuais da nossa população, estou agora atento ao que se passa por todo o mundo neste campo porque, tal como os empregos, os modelos de mobilidade também já não são para a toda a vida.

Gestores das cidades e iniciativa privada estão, nesta matéria, a responder juntos aos “trends” que estão a transformar a sociedade atual: mudanças demográficas e maior mobilidade social, urbanização acelerada, ambiente e avanços tecnológicos. 11 cidades europeias, incluindo Madrid e Paris, vão proibir a entrada de veículos a gasóleo em 2025. E, antes disso, só será permitida a circulação dos modelos recentes e mais amigos do ambiente, posteriores a 2014.

Em Portugal há quase um milhão e meio de veículos vendidos que correm o risco de só poderem circular aqui e desvalorizarem por não cumprirem as normas de emissões. Para poderem circular nas estradas europeias terão de ser trocados ou reparados.

Na Alemanha, o governo e as maiores construtoras de automóveis, como BMW, Mercedes, Opel e VW, fecharam um acordo que obriga a alterar o software dos carros a gasóleo alemães para reduzir as emissões entre 25% e 30%, um projeto de 500 milhões de euros. A partir de 2019 a Volvo só produzirá carros elétricos e híbridos. A Jaguar também se comprometeu a converter a sua frota em elétrica até 2020.

Está a chegar a Portugal, pelas mãos da Brisa, um novo serviço de carsharing da BMW, o DriveNow de que fala esta revista. Está em funcionamento desde 2011 em 12 cidades de oito países europeus. A Ford, a Daimler, a Honda e outras estão a seguir programas de partilha de automóveis semelhantes na Europa e em outros lugares.

Neste processo, a indústria automóvel está a transformar-se em prestadora de serviços partilhados. Para não ficarem fora de jogo os maiores “players” aliam-se a outros complementares.

A Ford, por exemplo, reuniu programadores de apps, proprietários de parques de estacionamento, seguradoras, instituições financeiras e autoridades locais num projeto para disponibilizar os seus carros para aluguer em Londres. Mudanças destas têm impactos gigantescos no mercado de trabalho.

Acabarão uns, surgirão outros. Algumas das áreas mais disruptoras como a da Inteligência Artificial, além dos empregos tecnológicos, estão inesperadamente a criar emprego menos qualificado.

Por exemplo, nos carros autónomos. Para que reconheçam os sinais de trânsito e pedestres, os algoritmos devem ser treinados, alimentando-os com muitos vídeos mostrando ambos. A filmagem precisa de ser “marcada” manualmente, o que significa que os sinais de trânsito e os pedestres devem ser marcados como tal. Esta tarefa já ocupa milhares de pessoas. Posto em prática o algoritmo, os trabalhadores devem verificar se faz um bom trabalho e dar feedback para melhorá-lo.

Há um ano atrás, um artigo do Finantial Times equacionava a possibilidade das pessoas que trabalham em Londres, onde os preços da habitação são incomportáveis até para a classe profissional média alta, puderem viver em cidades do sul da europa, com sol, segurança, boas infraestruturas. Chamavam-lhe a “Londonsphere”. Não somos “sphere” de ninguém, mas há um ponto aqui, sobretudo numa realidade em que o trabalho não obriga a uma presença física constante num local fixo, a equacionar. Exigia voos regulares, baratos, serviços à medida, com qualidade.

Comecei a falar de aliviar fardos, acabo a dizer que é muito mais do que isso, é facilitar. Ao longo dos próximos artigos falarei sobre tudo isto.

por Miguel Pinto Luz
 
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